Cristã secreta da Árabia Saudita escreve poema sobre seu encontro com Jesus!

A situação dos cristãos na Arábia Saudita é bastante séria e o extremismo islâmico tem feito diversas vítimas ao longo dos anos. As restrições do governo sobre a liberdade religiosa, em geral, são muito elevadas e, por conta da forte influência do fundamentalismo islâmico, quem escolhe servir a Jesus deve fazê-lo em segredo. 
Diante de todo esse contexto, como uma cristã na Arábia Saudita enxerga Jesus? Leia a seguir.
Ele habitou no mais profundo do meu coração

Eu enxerguei sua luz de longe

por trás das montanhas
por trás do horizonte

Ele se levantou como a radiante luz de uma manhã cheia de alegria

Ele se levantou dentro da minha alma tão cheia de escuridão

minha alma perdida e confusa
minha alma que não conhecia o significado de “descanso”

No entanto, ele me visitou como a brisa suave

como a fragrância que emana das colinas

ele me visitou

Ele habitou no mais profundo do meu coração

e se estabeleceu lá dentro

Ele encheu minha alma com pureza, com vida

Ele é Jesus, gentil e compassivo

Jesus, a origem da minha alegria

Jesus, o refúgio da minha alma

Eu o adoro desde que o conheci,

e me apaixonei por ele

E como não poderia ser assim?
Pois ele me amou primeiro

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Cristã relata como foi ser sequestrada pelo Boko Haram!

Quando os terroristas do Boko Haram invadiram a cidade de Gwoza, no estado de Borno – isso em junho de 2014 – uma jovem de 22 anos foi separada de seu pai e foi sequestrada, sendo forçada a se casar com um dos soldados.
Pela primeira vez a Mercy, nome fictício da jovem, falou sobre o que aconteceu no dia que os extremistas a levaram para o cativeiro.
“Todo mundo na cidade correu para se salvar. Meu pai e eu fomos separados. Eu não sei o que aconteceu com ele. Eu acho que ele morreu da mesma maneira que muitos outros morreram, porque eles se recusaram a negar a Cristo. Eu e outras quatro mulheres fomos levadas sob ameaças de espancamento, caso não obedecêssemos às ordens”, relata.
Mercy ficou cinco semanas sob domínio dos extremistas, sendo obrigada a assistir vários assassinatos e sendo submetida às exigências dos seus captores para seguir ao Islã.
Muitas mulheres, com medo, aceitaram se tornar muçulmanas. “Meu primeiro dia foi um inferno, eu chorava muito, mas também orava pedindo a Deus para me dar coragem. Fomos interrogadas, eles nos convidaram a nos tornar muçulmanas. As mulheres aceitaram imediatamente e se casaram com membros do Boko Haram”, disse Mercy.
Mas ela não queria negar a Cristo e por isso foi espancada. “Eu implorei dizendo ser cristã, então apanhei muito e me forçaram a casar com um deles. Participei de ensinamentos islâmicos e orações. Também fui torturada. Vi muitos cristãos sendo mortos, mas não negaram a sua fé.”
Apesar de todo o sofrimento, Mercy permaneceu firme em sua fé e pode ver o cumprimento de diversas mensagens bíblicas. “Graças a Deus fui resgatada após uma campanha do governo e mesmo vivendo entre ruínas agora, sou grata a Jesus porque estar viva e livre”, completa.

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A mulher grávida que pisou a cabeça da cobra – uma leitura crítica!

Jesus criou as mulheres em igualdade
com os homens. Uma igreja cristã,
em vez de se preocupar com o feminismo
(e incorporá-lo), deveria ensinar o Gênesis.
A gravura deste artigo circulou nas redes sociais e foi fartamente distribuída por pastores, missionários, seminaristas e tantos outros evangélicos neste Natal.
Contudo, o que me chamou a atenção foram as palavras da minha filha de 10 anos ao olhar para esse desenho: “Nada a ver! Não foi Maria quem pisou na cabeça da cobra”! E não foi só minha filha de 10 anos de idade quem se pronunciou sobre o desenho em questão.
“Nós nem vimos a cobra”, disse-me um casal de evangélicos diante da gravura. O que poderia justificar e ser usado como desculpa numa “curtida desatenta” por parte de tantos evangélicos maravilhados com a mulher grávida que pisa a cobra.
“Ah! Que lindo! Tem uma imagem de Maria que também pisa na cobra igualzinha a essa aí. Tão bonito isso”, disse-me uma católica. E devo confessar que, sendo ex-romano, a primeira coisa que me veio à mente foi a pinacoteca das diversas imagens católicas de Maria pisando a cabeça da serpente, que sempre estiveram presentes por toda minha infância e adolescência.
Tirando os evangélicos que “curtiram” sem se dar conta de que a mulher grávida do desenho pisava uma cobra, o que dizem os evangélicos “conscientes”, os que postaram a gravura? “É a Igreja”, responderam.
A mulher é o símbolo da Igreja e a Igreja é quem pisa a cabeça da cobra, que é Satanás. “Pisa” por extensão, é bom frisar. Quem pisou a cabeça da cobra foi Jesus, portanto, sendo Jesus o Cabeça da Igreja, esta o pisa vitoriosamente.
A figura da mulher como imagem da Igreja é depreendida a partir do texto de Apocalipse 12. Porém, o que João faz é o contrário do que seus interpretantes fizeram posteriormente. João toma Maria como símbolo da Igreja (e do Povo de Deus no Antigo Testamento), e não o contrário: a Igreja não é símbolo de Maria.
Mas é exatamente isso o que os católicos romanos fazem. Tanto que eles, ao se depararem com o símbolo da Igreja na figura de Maria, concluem inversamente: “Os homens é que devem escolher em qual lado lutar. Do lado da serpente ou se do lado da semente da Mulher – Maria – Mãe de Jesus Cristo, mas também de cada um” (Padre Paulo Ricardo).
“A semente da Mulher – Maria – Mãe de Jesus Cristo…”. Ora, o romanismo compreende que Maria é mãe da Igreja, a igreja é “semente de Maria”. Por quê? Por extensão também. Se Maria gerou Jesus, que é o Cabeça da Igreja, sendo a igreja o corpo de Jesus, logo Maria é mãe da Igreja.
Por isto, tão imediatamente, numa cultura católica como a brasileira, a maioria das pessoas irá identificar aquela mulher grávida que pisa a cabeça da serpente no desenho em questão não com a Igreja vitoriosa, mas com a mãe da Igreja – a mulher Maria; ainda que o catolicismo oficial saiba muito bem que quem pisou a cabeça da cobra foi Jesus (veja aqui).
A mulher da gravura está grávida. E é na condição de grávida que ela pisa a cabeça da serpente – e não é nada isto o que encontramos em Apocalipse 12. A vitória sobre o diabo, por intermédio de Maria e sem a Cruz, pois Jesus está no ventre dela – protegido de todo mal, de toda dor, de todo sofrimento, enquanto é o pé dela que pisa a cabeça da cobra – esta é a mensagem posta pela gravura.
O parágrafo acima revela o espírito do nosso século representado na gravura: o advento do feminino, da deusa mulher, da superioridade da mulher sobre o homem, da assunção da maternidade sobre a paternidade.
Ainda que a mulher da gravura fosse a Igreja, o equívoco foi coloca-la grávida – mais do que um ruído, mais do que uma mera interferência, é um excesso de informação que desloca o interpretante do verdadeiro sentido do Natal para uma interpretação transbordada de sincretismo pagão da Nova Era.
Sem a encarnação completa, sem a vida de total obediência, sem a paixão e sem a morte substitutiva e a ressurreição vitoriosa que compõem o evangelho da nossa salvação, um Messias protegido no ventre de sua mãe enquanto esta resolve o problema criado pelo ser humano é a interpretação que sobra.
Em outras palavras, é um outro evangelho o da gravura: “Porque, como, pela desobediência de uma só mulher, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de uma só mulher, muitos se tornarão justos”.
Este artigo não comporta tudo o que poderíamos desenvolver sobre a importância de sabermos evangelizar nossa geração, compreendendo todas as nuances e complexidades do nosso multiculturalismo pós-moderno, ainda assim há duas regras simples que eu deixaria aqui.
A famosa regra de ouro diz que, em termos de comunicação, o importante é o que o outro entende e não o que você quis dizer. E evangelizar é comunicar as boas novas da salvação e o mais importante é sabermos o que o outro compreende e não o que eu penso sobre o que ele deveria entender.
A segunda regra é que, como missionários, não basta trabalhar com pressupostos, mas antes com aquilo que está propriamente posto. Em outras palavras, é muito mais importante você compreender o que está posto diante do interpretante por essa imagem da mulher grávida do que esperar que esse interpretante consiga entender os pressupostos da própria imagem da mesma maneira que o seu gueto teológico os entende (“entendimento” este que pode também estar equivocado, conforme demonstrei aqui neste artigo).
Acredito que é preciso comunicar melhor a mensagem do Evangelho, ainda mais quando a veiculamos nas redes sociais, ambiente que alcançará crentes e descrentes das mais diferentes formações, e essa é uma responsabilidade que cabe, indubitavelmente, aos líderes cristãos que se utilizam da internet.
Fonte: Fábio Ribas.

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Jesus não abandonou Seus filhinhos ao sabor do Estado Islâmico! Ele cumpre Sua promessa de onipresença!!

Jesus prometeu: “Eis que estou convosco até o fim”, e como
sempre Ele honra Sua palavra!
A maioria das pessoas que acompanha as notícias sobre o Irã e regiões e ouve falar sobre as ações violentas do Estado Islâmico, pensa que o cenário de guerra é somente de dor e falta de esperança.
Apesar do mal que esse grupo espalha, alguns cristãos acreditam que Deus está no controle nas áreas em que parece que somente a escuridão reina. “Quanto mais eles perseguem os cristãos, mais o evangelho se espalha. É triste ver tantas mortes e lágrimas, mas quanto mais sofremos, mais sentimos a presença de Deus, e sabemos que somos luz nas trevas. Muitos muçulmanos se converteram porque dividimos o evangelho com eles”, disse um cristão em entrevista à CBN News.

“Muitos de nós já tivemos encontros sobrenaturais com Jesus, alguns em sonhos, outros em visões, e sabemos que isto não acontece somente aqui, mas em todo o Oriente Médio. Nós estamos sofrendo, mas não queremos fugir, nós temos coragem de ficar aqui porque Deus está nos fortalecendo, e precisamos ser sal da terra e luz do mundo, porque ainda há muitas pessoas desesperadas, procurando um caminho nessa vida, e o único caminho é Jesus. Precisamos levar o Cristo para estas vidas”, finaliza o cristão.

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Evidências da ressurreição de Jesus Cristo – 3ª parte

I. A indagação sobre se algo aconteceu ou não em determinada época, há mais de mil anos, só pode ser determinada por argumentos históricos (Wolfhart Pannenberg).
Céticos dos milagres:
Spinosa (XVII) – negou a possibilidade.
David Hume (XVIII) – negou a verificabilidade.
Citadores da existência de Jesus
Flávio Josefo (historiador judeu que trabalhou para os romanos)
Tácito (maior historiador romano da antiguidade)
Luciano de Samósata (famoso satirista grego do séc. II)
(Todos esses fazem menção da morte de Jesus, talvez de sua ressurreição e de sua crucifixão.)

O Talmude (um dos livros de tradições orais judaicas, compilado ao longo do 1° e 2° séculos) menciona a execução de alguém cujo nome leva a alguns epigrafistas crerem que se trata de Jesus de Nazaré em aramaico.
Um outro documento judeu chamado Toledot Yeshu (séc. V; mas este é um anti-evangelho), apresenta o tumulo vazio, embora a explicação ali de acontecimento natural – o corpo fora roubado pelos discípulos.

Pedra com inscrições romanas de Cláudio ou Tibério (descobridor: Wilhelm Forner e hoje se encontra na Biblioteca Nacional de Paris) sobre a punição mortal para quem “com intenção de lucrar mudasse o corpo de uma tumba para outro lugar”. Clyde Billington, Ph.D, professor de História na University of Northwestern, datou a pedra como sendo de 41 d.C e a enxerga como segura evidência da historicidade, senão da ressurreição de Cristo, ao menos de uma versão dela que já era bastante divulgada em uma década da morte de Jesus. Disponível em : < http://creation.com/nazareth-inscription-1>. Acesso em: nov. 2015.

Todos esses depoimentos extrabíblicos possuem em comum o fato de não serem simpáticos ao cristianismo e, curiosamente, nenhum deles argumentou que a história do túmulo vazio era uma lenda, que Jesus na verdade estava desmaiado e fora reanimado pelios discípulos. Pelo contrário, todos, sem exceção, admitem a morte de Jesus. Alguns a mencionam como sendo por crucifixão.

Conclusão: Jesus morreu na cruz e seu túmulo repentinamente apareceu vazio.
Esse é o Critério da atestação múltipla – fontes independentes e antigas que atestam o mesmo fato histórico.

II. O método utilizado para verificar a historicidade da ressurreição também foi usado para validar a hipótese de que

a) a escrita começou na Mesopotâmia e não com os persas;
b) Sócrates foi envenenado;
c)o rei Leônidas enfrentou os persas com apenas 300 soldados espartanos.

Se este método é usado por céticos e ateus para acreditarem nos livros de História, por que não valeria para acreditarem no relato das Escrituras?

III. Mais evidências:

1ª) Jesus, de fato, morreu crucificado, foi sepultado e seu tumulo apareceu misteriosamente vazio. (Fatos confirmados por autores da antiguidade que estavam fora do círculo do cristianismo).

2ª) Critério da atestação múltipla – reconhecemos que a força dos depoimentos tanto bíblicos quanto extrabíblicos aumenta quando percebemos que eles procedem de fontes diferentes e independentes umas das outras. Isso elimina praticamente por completo a possibilidade de serem testemunhos forjados.

3ª) As próprias pequenas contradições entre os relatos confirmam que não houve nenhum arranjo artificial dos relatórios. O depoimento original das testemunhas permaneceu inalterado.

4ª) O argumento textual dos evangelhos não procura fabricar evidências artificiais. Por exemplo, as mulheres que primeiro viram o túmulo vazio não tinham nenhuma força jurídica em seu testemunho; no entanto, isso não foi omitido do texto dos evangelhos.

5ª) Se crermos que a crucifixão ocorreu, mas que a ressurreição é um mito, então criamos um problema sem solução: estudos comprovam que o mito demora muito tempo para se estruturar na tradição de um povo. Mas, o hiato entre a morte de Jesus e as confissões mais antigas de fé que temos a esse respeito é curto demais para justificar o nascimento, maturação e estruturação de um mito com tantos detalhes confessionais como este apresenta! O relato está perto demais dos eventos a que faz referência. Logo, não pode ser uma tradição baseada em fatos mitológicos.

6ª) As aparições do Cristo ressurreto não encaixam na categoria de alucinação, visão espiritual ou delírio coletivo. São aparições reais, táteis que envolveram mais de quinhentas pessoas num período de aproximadamente quarenta dias.

7ª) Não havia nos discípulos nenhuma predisposição mental para aceitar a ressurreição. Eles nem sequer entenderam o que Jesus lhes falara a esse respeito! Assim, descarta-se a ideia de que estivessem mentalmente dispostos a serem influenciados por uma ilusão.

8ª) Se a ressurreição não fosse uma realidade o movimento não sobreviveria! Os discípulos saberiam que tudo não passava de uma farça e, lógico, não teriam por que arriscar sua própria vida por uma mentira que não lhes trazia nenhum lucro.

Com a palavra os pesquisadores (céticos inclusive):

I) Em 1997 a universidade de Oxford publicou uma série de discursos acadêmicos iniciados um ano antes num simpósio ocorrido em Nova Iorque. O tema era a Ressurreição de Cristo e o Dr. Gerald Collins, professor emérito da universidade gregoriana de Roma apresentou uma lista de dezenas e dezenas de especialistas de várias universidades do mundo mostrando que, tanto entre liberais quanto entre conservadores, a disputa teológica atual não parece ser quanto à historicidade do túmulo vazio e sim quanto ao que provocou o esvaziamento da tumba. Depois de muitas pesquisas David Van Daalen, professor de Novo Testamento, chegou a seguinte conclusão:

É tremendamente difícil negar o fato do túmulo vazio com elementos da História. Muitos questionadores fazem sua oposição baseados em considerações filosóficas ou teológicas. Mas, a maioria dos acadêmicos de Novo Testamento são honestos em lidar com esses fatos inegavelmente empíricos.

II) Dr. Geza Vermes, pesquisador judeu e autor de vários livros sobre o tema, admitiu:

Quando cada argumento é pesado e considerado, a única conclusão plausível para o historiador deve ser a de que […] as mulheres que foram prestar seu último lamento a Jesus encontraram, para sua consternação, não um corpo, mas um túmulo vazio.

III) Dr. Marcos Borg, negador da historicidade do Novo Testamento, no entanto admite não poder desmenti-lo:

Não faço a mínima ideia do que aconteceu ao corpo de Jesus e nem sei dizer se essa ressurreição envolveu seu corpo, também não tenho ideia se isso envolveria a tumba vazia […] De todo modo eu não veria problema se algum dia os arqueólogos achassem o corpo de Jesus. Para mim isso não traria descrédito à fé cristã ou à tradição cristã.

IV) Dr. Shimon Gibson, arqueólogo associado do Albright Institute of Archaeological Research de Jerusalém, mesmo sem afirmar qualquer fé na ressurreição, admitiu a morte de Jesus e o sumiço de seu corpo; e após avalizar as muitas possibilidades para o fato, afirmou:

Essas teorias [para o túmulo vazio] são estranhas e todas estão baseadas na falta de senso […] A realidade é que não temos outra explicação histórica para o túmulo além daquela que já adotamos pela teologia, isto é, a ressurreição. Eu deixo com o leitor a decisão do que pensar acerca desta realidade.

V) Professor Gerd Ludemann, um dos mais céticos alemães da historicidade do Novo Testamento; para ele, menos de 5% dos ensinamentos atribuídos a Jesus seriam de fato originários de Sua Pessoa; no entanto, ele admitiu que:

É possível tomar como certeza histórica que Pedro e os discípulos tiveram experiências com Jesus após sua morte e que Jesus apareceu realmente a eles como o Cristo ressuscitado.

VI) O falecido professor Norman Perrin, um cético pesquisador da Universidade de Chicago, também declarou:

Quanto mais estudamos a tradição em relação às aparições de Jesus, mais descobrimos a rocha firme sobre a qual essa tradição está baseada.

VII) Por causa disso (e de muito mais), o filósofo e teólogo J. T. Moreland afirmou:

Hoje, praticamente, nenhum acadêmico especialista em Novo Testamento nega que Jesus apareceu a um número de seus seguidores após sua morte. Alguns acadêmicos interpretam essas aparições como alucinações subjetivas ou visões objetivas concedidas por Deus, mas não visões de um corpo físico. Contudo, nenhum deles nega que os crentes realmente tiveram algum tipo de experiência fora do comum.

VIII) Dr. Pinchas Lapide, um judeu ortodoxo, numa de suas palestras na Universidade de Göttingen na Alemanha:

Eu não excluiria de modo algum a ressurreição de Jesus como algo impossível de ter acontecido.

Em seu livro (p. 33) ele declarou: “Eu entendo, com base em minhas pesquisas, que a ressurreição de Jesus não foi uma invenção da comunidade de discípulos, mas um evento real […] Quando que um bando de temerosos apóstolos poderia repentinamente se transformar numa só noite numa confidente sociedade missionária? […] Nenhuma visão ou alucinação poderia explicar uma transformação tão revolucionária.” (LAPID, Pinchas. The resurrection of Jesus: a Jewish perspective. Augsburg Fortress Pub, 1983.)

Fonte: Transcrição por Hendrickson Rogers da trilogia sobre a Ressurreição, do programa Evidências apresentado pelo Dr. Rodrigo P. Silva. (Você pode assistir aos três programas na segunda parte desta pesquisa.)

Análise a 1ª parte aqui e a 2ª parte aqui.

A Ressurreição de Jesus Cristo: Um Acontecimento Histórico Aberto à Investigação Crítica

A evidência para a ressurreição é melhor do que para os milagres alegados em qualquer outra religião. É extraordinariamente diferente em qualidade e quantidade.
Anthony Flew

Introdução
A doutrina da ressurreição de Jesus de Nazaré tem produzido diversas controvérsias nos últimos duzentos anos. A teologia cristã moderna fez da ressurreição uma das áreas mais discutidas em seu âmbito. Desde o século XVIII o problema do túmulo vazio, símbolo maior da ressurreição, tem recebido atenção nos debates acadêmicos.
No Iluminismo, devido à crítica racionalista, a ressurreição se tornou um assunto a ser encarado de modo cético. Não era possível acreditar num evento – miraculoso – passado apenas com base nas informações de outrem mesmo que tais informações fossem bem documentadas. A experiência em primeira mão era fundamental do mesmo modo que a repetição do alegado evento miraculoso. Não há análogos contemporâneos! Diziam os racionalistas. Ora, se não há ocorrências no presente, não houve no passado.
Na tentativa de explicar racionalmente a ressurreição de Jesus e o fato do túmulo ter sido encontrado vazio, críticos radicais propuseram algumas teorias tais como: teoria do desmaio,[1] teoria do roubo,[2] teoria da alucinação[3] e teoria do túmulo errado.[4]Embora essas teorias sejam logicamente possíveis, elas se mostraram inadequadas para realizar aquilo a que se propuseram. Em seu livro Em Guarda, o teólogo e filósofo William Lane Craig aborda alguns fatores destacados por historiadores na análise de hipóteses concorrentes. Ele aplica os testes às hipóteses que se habilitam a explicar o túmulo vazio. A hipótese da ressurreição não fica de fora. Em sua conclusão ele diz: “[…] Deus ressuscitou Jesus dos mortos. Dado o fato de que Deus existe, essa conclusão não pode ser barrada por ninguém que esteja em busca do sentido da existência”.[5]
Mas, a teoria mais popular da atualidade não figura entre aquelas. Trata-se da teoria do mito. Peter Kreeft & Ronald K. Tacelli refutando essa teoria trabalham seis argumentos. Cito apenas o primeiro e não vou além, pois na faz parte do escopo desse texto discutir mais amplamente as teorias alternativas para explicar o túmulo vazio.
O estilo dos evangelhos é radical e claramente diferente do apresentado em qualquer mito. Qualquer estudioso de literatura que conhece e aprecia os mitos pode verificar isso. Na narrativa histórica, como é o caso dos evangelhos, não há eventos espetaculares, exagerados ou fora de proporção (como no mito). Nada é arbitrário. Tudo se enquadra corretamente na sequência histórica. A profundidade psicológica alcança o nível máximo.[6]
A ressurreição de Jesus alicerça o Cristianismo (1ª Co 15:17). Ambos estão conectados de tal maneira que ou eles subsistem juntos ou então sucumbem de mãos dadas. O teólogo alemão Rudolf Bultmann dizia que não faria a menor importância para os pontos essenciais do cristianismo se a ossada de um Jesus morto fosse encontrada na Palestina. Mas, Paulo sentenciou: “[…] se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé […]”. A discussão sobre se o fato da ressurreição de Jesus Cristo pode ser considerado um evento histórico aberto ao escrutínio crítico é uma questão central no debate atual a respeito da viabilidade desta ressurreição.
Estudiosos contemporâneos como Wolfhart Pannenberg[†], N.T. Wright e William Lane Craig defendem abertamente ser a ressurreição de Jesus de Nazaré um evento histórico, objetivo, que está aberto à investigação crítica. É consenso entre eles que quanto ao seu significado, a ressurreição é uma questão teológica, ao passo que ela, como um acontecimento, trata-se de uma questão histórica objetiva testemunhada por todos que tiveram acesso às evidências. Pannenberg diz que “a indagação sobre se algo aconteceu ou não em determinada época, há mais de mil anos, só pode ser determinada por argumentos históricos.”[7]
Alguns teólogos modernos são reticentes quanto à busca por evidências históricas que apontem para a ressurreição como a melhor explicação para o túmulo vazio encontrado pelas mulheres naquele domingo de Páscoa. Na opinião deles, esse assunto deve ser resolvido pela lógica da fé e isso basta. Há razão nisso. A priori, a fé deve dispensar provas para aceitar o conteúdo das narrativas evangélicas. A fé adquirida diretamente pela ação sobrenatural do Espírito Santo não precisa de evidências para se sustentar. No entanto, existem aqueles que à semelhança de Tomé dizem: “se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos […] de modo algum acreditarei” (Jo 20:25). Muitas pessoas passam a crer por meio de evidências. Existe legitimidade em desejar averiguar as evidências a respeito da ressurreição, afinal de contas o Ressurreto se apresentou com “muitas provas incontestáveis” (At 1:3).
Na contramão desses dois grupos, céticos têm se esforçado para negar a ressurreição corporal de Jesus alegando, por exemplo, que o corpo de Jesus, pós-crucificação, fora lançado numa cova rasa e comido por cães. Essa explicação é apresentada pelo estudioso do Novo Testamento John Dominic Crossan, membro do movimento Jesus Seminar.[8] Crossan está no centro desta discussão também quando o assunto é o conhecimento ou não, do apóstolo Paulo, da tradição do túmulo vazio. De modo geral, as conclusões dele (e do Seminário) têm sido questionadas, pois pairam suspeitas quanto à metodologia usada nos estudos, pressuposições, motivações e estabelecimento de datas.
Digno de nota é o fato das pressuposições radicais do Seminário e de Crossan quanto aos milagres narrados nos Evangelhos. Eles partem para a pesquisa rejeitando, injustificadamente, os milagres. Em um debate travado com Crossan em outubro de 1994 no Moody Memorial Church, Chicago, EUA, Craig diz que seu interlocutor é um naturalista. “Ou seja, achega-se à mesa do debate já presumindo que os milagres são impossíveis”.[9] Craig fundamenta sua assertiva com a seguinte declaração de Crossan: “Deus não age no mundo […] de forma direta […] fisicamente”.[10] Sobre ressurreição dos mortos, Crossan escreveu: “não acredito que alguém, em algum lugar, em algum tempo traga mortos de volta a vida.”[11]
Tentando demonstrar que a ressurreição corporal de Jesus é a melhor explicação para o túmulo vazio, discutirei, a seguir, a possibilidade de milagres ocorrerem, depois tecerei algumas considerações sobre o método científico, demonstrarei de modo breve que a ressurreição do Nazareno está aberta ao escrutínio crítico e, posteriormente, suscitarei uma rápida discussão sobre ter o apóstolo Paulo o conhecimento do túmulo vazio.
Antes de prosseguir, visto que irei insistir na questão do túmulo vazio como fato histórico circundado por evidências bem antigas, torna-se necessário citar e concordar com a fala do estudioso do Novo Testamento George Eldon Ladd[12]: “o túmulo vazio não despertou a fé na ressurreição de Jesus, nem o faz agora”[13] (Mc 16:8; Lc 24:11, 21). Transcrita essa fala, devo de igual modo ressaltar que o túmulo vazio é um sinal do ato escatológico divino irrompendo no mundo, no tempo e espaço. Pode-se dizer ainda mais, em tom esclarecedor, quanto à importância e o lugar do elemento “túmulo vazio”, lembrando Colin Brown, que “foram os aparecimentos de Jesus que os convenceram; o túmulo vazio foi o corolário corroborativo”[14]
O Método Científico Moderno
Prescindir desse método para determinar se a ressurreição é a melhor explicação, ou não, do túmulo vazio, é uma decisão inteligente. O método científico consiste em apontar algum fenômeno como verdadeiro a partir da repetição do mesmo diante de quem possa assegurar que ele é verdadeiro. Isto deve acontecer num ambiente controlado onde hipóteses possam ser observadas empiricamente.
Vamos a um exemplo simples da aplicação do método científico: ao chegar a casa, depois do culto matinal, você decide ligar seu aparelho de som e ele não funciona. Nesse instante, você começa a formular hipóteses que possam te fazer entender o que está ocorrendo.
Hipótese 1 – O som não está conectado a rede de energia elétrica. Ao verificar, você constata que não é essa a razão do não funcionamento do aparelho e, com isso, essa hipótese é negada.
Hipótese 2 – Está faltando energia elétrica. Ao acionar um interruptor para acionar uma lâmpada, percebe que esse também não é o problema. Desse modo, essa segunda hipótese é refutada.
Depois de levantar essas hipóteses você se depara com o fato da não solução do problema. Porém, entendendo ou não, o método científico fora aplicado por você frente a essa situação doméstica.
Evidente que submeter a ressurreição de Cristo a esse método é algo impensável, pois ela é um acontecimento histórico único, singular… um milagre. Para muitos, o que não passa pelo crivo do método científico deve ser rejeitado. Ora, não é o método científico a única maneira de se provar alguma coisa. Caso fosse, como poderia eu provar que hoje estive no trabalho? O método científico é ineficaz quando o assunto é provar ou não questões relativas a eventos e pessoas históricas.
Em um debate com o químico e ateu Peter Atkins,[15] de Oxford, William Lane Craig, ao ser desafiado por seu interlocutor quanto ao que a ciência não pode provar, elencou alguns exemplos interessantes nos quais acreditamos racionalmente sem que a ciência possa atestá-los. Vejamos: verdades lógicas e matemáticas, verdades metafísicas como “existem outras mentes além da minha?”, “o mundo externo é real?”, crenças éticas sobre declaração de valor não são acessíveis pelo método científico, entre outras.
A impossibilidade de se provar a verdade da ressurreição por meio desse método não é suficiente para caracterizá-la como um mito. Na verdade, com essa incapacidade de reter em um ambiente controlado o fenômeno da ressurreição, e de vê-lo se repetir, o método científico moderno se mostra limitado para averiguá-la. A alternativa então é a de uma análise sobre o fenômeno como um acontecimento histórico. Partindo desse pressuposto, e amparados pelas evidências, é possível concluir que o túmulo está vazio exatamente porque Jesus, muito provavelmente, ressuscitou ao terceiro dia.
A irracionalidade em se negar a ressurreição de Cristo como um fato estabelecido por não poder submetê-lo ao método científico moderno consiste em ser aquele fenômeno, um milagre, conforme dito anteriormente. Milagres não podem ser enquadrados em um laboratório e manipulados pelos cientistas; eles acontecem e pronto.
Milagres São Possíveis?
Milagres são possíveis? Algum milagre já aconteceu na história? A primeira pergunta que abre este tópico deve ser respondida a partir do labor filosófico, ao passo que a segunda exige uma análise histórica em busca de evidências que definirão se determinado milagre alegado ocorreu realmente ou não. Portanto, não se deve impor sobre um alegado milagre a especulação filosófica em detrimento da análise histórica acurada. Pode-se debater a possibilidade dos milagres, mas não se pode negá-los apenas por argumentos filosóficos.
Dada à existência de um Deus Criador, podemos acreditar que milagres ocorreram, pois, por definição, Deus é um operador de milagres. Desta forma, os que creem em milagres, admitem uma divindade qualquer. Mas, os milagres são normalmente rejeitados porque foram definidos como sendo “violações das leis da natureza”. Voltaire definiu: “Um milagre é a violação das leis matemáticas, divinas, imutáveis, eternas. Mediante essa única exposição, um milagre é uma contradição nos termos.”[16] A breve discussão que segue tentará mostrar como esta compreensão é inadequada. Para despertar a curiosidade do leitor observemos esse exemplo dado por J. P. Moreland & W. L. Craig: “’o sal tem uma disposição de se dissolver na água’ seria a afirmação de uma lei natural. Se, devido à ação de Deus, o sal deixasse de se dissolver na água, a lei natural não seria violada, porque ainda é verdade que o sal possui essa disposição.”[17]
O filósofo judeu panteísta Benedito Spinoza (1632-1677) argumentou serem as leis naturais imutáveis. Não há como interrompê-las, portanto milagres são impossíveis, pois a natureza “guarda uma ordem fixa e imutável”. A visão de Spinoza sobre o universo é fechada. Os eventos são determinados por um sistema mecanicista de causa e efeito. Por isso, a ressurreição de Cristo, por exemplo, adversa às leis naturais conhecidas, não pode ter ocorrido. Em outras palavras, a ressurreição (e demais histórias de milagres) é impossível, então, porque uma determinada sequência regular da natureza seria violada, mas, é certo que essa sequência regular é inviolável, logo, milagres não ocorrem. Norman Geisler & Frank Turek apresentam o raciocínio de Spinoza:
1. Os milagres são violações das leis naturais.
2. As leis naturais são imutáveis.
3. É impossível violar leis imutáveis.
4. Portanto, os milagres são impossíveis.[18]
Pesa contra o argumento de Spinoza, por exemplo, o fato de que as evidências favoráveis a um único começo do universo de tempo-espaço a partir do nada se avolumam. Geisler & Turek comentam: “A própria criação em si demonstra que as leis não são imutáveis. Uma coisa não surge naturalmente do nada. Mas aqui estamos todos nós.”[19] Sendo assim, Spinoza está superado quanto à sua crença de que os milagres,por definição, são impossíveis.
Ressalto que, consoante Moreland & Craig, citando o filósofo de Oxford Richard G. Swinburne, “uma lei natural não é abolida (ênfase minha) por causa de uma exceção”.[20] Deixariam as Leis de Newton[21] de existir caso uma pêra fosse lançada de uma altura e alguém interviesse impedindo a fruta de chegar ao centro da terra? Tal intervenção destruiria esta Lei? Uma lei natural pode ser interrompida, vencida e sofrer alterações. Já que foi feita menção a Newton, e a ideia de um universo fechado está em foco, cabe o comentário de John Warwick Montgomery: “Desde Einstein, nenhum homem moderno teve o direito de eliminar a possibilidade dos eventos por causa de um conhecimento anterior da ‘lei natural’”.[22] Montgomery argumenta que a partir da física einsteiniana o universo está aberto, logo, há espaço para o imprevisível no universo.
Outro cético, o filósofo David Hume, crítico que construiu seus argumentos antimilagres tomando por base o mundo fechado, seguro, previsível, absoluto newtoniano, escreveu:
Um milagre é uma violação das leis da natureza; e como uma experiência constante e inalterável estabeleceu estas leis, a prova contra o milagre, devido à própria natureza do fato, é tão completa como qualquer argumento da natureza que se possa imaginar. Por que é mais do que provável que todos os homens devem morrer; que o chumbo não pode por si mesmo permanecer suspenso no ar; que o fogo consome a madeira e que, por sua vez, a água o extingue; a não ser que estes eventos estão de acordo com as leis da natureza, e que é preciso uma violação destas leis, ou em outras palavras, um milagre, para impedi-los? Nada é considerado um milagre se ocorre no curso normal da natureza. Não é um milagre que um homem, aparentemente de boa saúde, morra subitamente, pois verifica-se que tal gênero de morte, embora mais incomum que qualquer outro, ocorre frequentemente. Mas é um milagre que possa ressuscitar, porque isto nunca foi observado em nenhuma época e em nenhum país. Portanto, deve haver uma experiência uniforme contra todo evento miraculoso, senão o evento não mereceria esta denominação.[23]
Observe o seguinte trecho do excerto de Hume: “coisa alguma pode ser considerada um milagre se chega a ocorrer no curso comum da natureza”. Para ele, milagres nunca ocorreram e, se tivessem ocorrido, deixariam de ser milagres, pois o que se experimenta não pode ser chamado de milagre visto que a uniformidade da experiência dá conta da ocorrência de acontecimentos regulares que normalmente se experimenta e sempre deverá ser experimentado. Em outras palavras, o que Hume faz é presumir que todas as experiências humanas são contrárias aos milagres. Um exemplo: caso seja provado que Lázaro ressuscitou, a ressurreição de Jesus já não será mais um milagre. C. S. Lewis dá uma resposta irremissível a isso:
Agora, naturalmente, devemos concordar com Hume em que, se existe “experiência absolutamente uniforme” contra os milagres, se, em outras palavras, eles nunca aconteceram, então por que eles nunca aconteceram? Infelizmente, sabemos que a experiência contra eles é uniforme somente se soubermos que todos os relatos sobre eles são falsos. E só podemos saber que todos os relatos são falsos se já soubermos que os milagres nunca aconteceram. De fato, estamos argumentando em círculos.[24]
O apelo de Hume à experiência uniforme labora em erro porque há uma confusão entre uniformidade e uniformidade absoluta. Podemos dizer que os acontecimentos a e normalmente acontecem, pois a experiência lhes é favorável, mas, não devemos olvidar de que as exceções surgem mesmo que ninguém possa atestá-las. Aqui temos uma uniformidade da experiência. Esta contraria o argumento de Hume que não admite exceções; para ele a uniformidade da experiência é absoluta. Experiências uniformes não são provas absolutas contra os milagres.
Para contrariar a admissão dos milagres como possíveis e chegar à sua conclusão de que a natureza é uniforme (absoluta), Hume, e qualquer cético, teria que ter averiguado todos os acontecimentos universais em todos os lugares e tempos. Como ele poderia ter feito isso? Não poderia, pois isso é impossível. Lennox aponta duas razões que sustentam esta impossibilidade: 1ª Apenas uma fração minúscula da soma total de todos os eventos ocorridos no Universo foi observada pelos humanos2ª Somente um pequeno número de observações humanas foi registrado por escrito.[25]
Outra acusação pesa sobre o raciocínio de Hume. Lennox, Geisler & Turek dizem que ele exclui a crença nos milagres evitando evidências apenas para manter sua tese de que existe uma experiência uniforme contra os milagres. No excerto humeano o autor diz: “é um milagre que possa ressuscitar, porque isto nunca foi observado em nenhuma época e em nenhum país”. Nunca foi observado? No Antigo Testamento temos ressurreições: Elias ressuscitou a filha da viúva de Sarepta (1º Reis 17.17-22); Eliseu ressuscitou o filho da Sunamita (2º Reis 4.18-37). No Novo Testamento também: Jesus Cristo também ressuscitou o filho de uma viúva de Naim (Lucas 7.12-15); O apóstolo Pedro ressuscitou a Dorcas ou Tabita (Atos 9.36-43). Filosófica e irresponsavelmente, Hume exclui, a priori, esses relatos de milagres e torna-os inválidos. Desse modo, a investigação histórica cede lugar às especulações filosóficas.
Foi dito que as leis da natureza não são inalteráveis e podem ser vencidas e sofrer alterações. Mas, isso significa que milagres “violam” as leis da natureza? Caso a natureza fosse autônoma, a resposta seria sim. Mas a natureza não é uma lei em si mesma. São o deísmo e ateísmo que concebem a natureza autônoma. As leis da natureza não operam independentes de Deus, que existe.
Como Deus existe (os argumento lógicos para sua existência são melhores do que para sua inexistência), o Universo físico não está fechado e Ele, quando bem entender, pode colocar sua mão dentro desse Universo e realizar milagres. O Deus criador, teísta, transcendente e pessoal, é o único que pode agir miraculosamente no Universo. Ele está habilitado a tornar um evento naturalmente impossível num evento histórico real (ex.: a ressurreição de Jesus Cristo) e isso Ele faz sem “violar” lei alguma.
Portanto, a definição de Voltaire, Spinoza e Hume que milagres “violam” as leis da natureza, labora em erro. Tal definição é inexata. Lewis pode nos auxiliar mais uma vez:
Se Deus aniquila, ou cria, ou desvia uma unidade da matéria, ele cria uma nova situação nesse ponto. Imediatamente toda a natureza abriga essa nova situação, deixa-a à vontade em sua esfera, adapta a ela todos os outros eventos. E ela se vê adaptada a todas as leis. Se Deus cria um espermatozoide miraculoso no corpo de uma virgem, esta não age violando lei alguma. As leis imediatamente assumem o comando. A natureza está a postos. Segue-se a gravidez, de acordo com todas as leis normais, e, nove meses mais tarde, nasce uma criança.[26]
Observe que no excerto acima Deus não é posto de um lado e a natureza de outro como se ambos fossem entidades autônomas. Lewis apresenta Deus como quem atua sobre a natureza e não como quem a viola, pois a natureza é obra de Suas mãos conforme creem os teístas. Deus, o Criador de todas as coisas, tem autoridade sobre toda criação. É bom afirmar nesse instante que crer nisso não lança os cristãos num contexto de negação das leis da natureza. É o conhecimento e aceitação delas que nos indica quando um milagre ocorreu. Que isso fique claro. Kreeft & Tacelli apresentam uma resposta certeira ao argumento antimilagres que estamos discutindo. Leiamos.
Um milagre não viola as leis da natureza da mesma maneira que um diretor de escola não viola o cronograma de aulas se cancelar a educação física para realizar uma assembleia especial. As violações ocorrem sempre que alguém que precisa seguir ou preservar uma ordem estabelecida fracassa ou recusa-se a fazê-lo. Por exemplo, se um professor de educação física cancelasse a aula por si próprio ou liderasse os alunos durante uma período de orações espontâneas, estaria violando as normas. Entretanto, seria diferente se o diretor da escola modificasse o programa de aulas dentro dos limites de sua autoridade.[27]
À semelhança do diretor que desfruta de autoridade para interferir na dinâmica da vida escolar sem violar leis, Deus, o criador do universo, tem autoridade sobre a criação. Desse modo, os milagres ocorrem sem que haja qualquer “violação das leis da natureza”.
A limitação do argumento antimilagres é demonstrada inequivocamente pelas razões já apresentadas e porque ele não leva em conta que os fatos históricos são particulares e únicos e que não necessitam, obrigatoriamente, de uma correspondência com uma experiência passada para serem admitidos como reais. Logo, esperar por analogias contemporâneas da ressurreição de Cristo, por exemplo, é uma perda de tempo.
Spinoza e Hume não contam com o teísmo, daí a explicação de suas certezas contra-milagres. Mas, segundo Antony Flew (1923 – 2010), filósofo, ex-ateu e especialista em Hume, “se aceitamos o fato de que há leis, então temos de aceitar que existe alguma coisa que impõe essa regularidade ao universo”.[28] Na mesma página, ele continua, citando um filósofo de Oxford John Foster: “é racionalmente justificada nossa conclusão de que é Deus – o Deus explicado pelos teístas (ênfase minha) – que cria as leis, impondo as regularidades ao mundo.” Abandonados os pressupostos ateístas, os milagres não são negados.
O erro dos céticos consiste no fato deles pensarem aprioristicamente quando não admitem os milagres como acontecimentos possíveis. Toda decisão tomada a priori é um suicídio intelectual. Não é porque se é naturalista que alguém pode determinar como improvável um milagre, pois, fazendo isso, temos uma caracterização de especulação filosófica que vira as costas pra a investigação histórica.
Spinoza e Hume, e todos que negam os milagres, são contestadores que não investigaram cada evento de toda história humana, não avaliaram todos os relatos dos milagres, não se ocuparam com as evidências, caso a caso, mas, simplesmente, concluíram que nenhum relato deles era a respeito de milagres. Como podem os céticos saber que milagres nunca ocorreram? Não podem. No máximo, o que fazem é supor o que desejam provar com o argumento da natureza uniforme, nada mais. Os naturalistas, ao que parece, incorrem numa petitio principii (petição de princípio), uma falácia lógica. A visão naturalista de Hume que norteia os céticos opõe-se, conforme esclarecido, ao elemento “sobrenatural” – ela é antissobrenaturalista.
Avançando um pouco mais nesse tópico, depois de apresentar improcedências nos argumentos antimilagres de Spinoza e Hume, discutamos um pouco o método de análise do Novo Testamento que os antissobrenaturalistas adotam. Esse método, a ser citado pelo nome logo a frente, carrega a inclinação naturalista de Hume de pensar os milagres como impossíveis; logo, descartados a priori, pois a experiência contra milagres é inalterável e firme, independentemente de existirem ou não evidências a respeito de qualquer milagre alegado. Sigamos.
Bernard Ramm (1916–1992) comenta a abordagem naturalista nos seguintes termos:
Se a questão girar em torno da existência do sobrenatural, mui obviamente tal abordagem fez da conclusão a sua premissa maior. Em suma, antes da crítica realmente começar, o sobrenatural já foi eliminado. E terá de desaparecer totalmente. Portanto, a conclusão não será resultante de um estudo feito com a mente aberta acerca do sobrenatural, e, sim, uma conclusão determinada dogmaticamente, por parte de uma metafísica antissobrenatural. Sobre qual outra base poderiam os críticos anular completamente (destaque do autor) o elemento sobrenatural em um documento que, reconhecidamente, reveste-se de valor histórico.[29]
É importante o pesquisador não alijar do contexto histórico, por exemplo, a ressurreição de Cristo por causa de seus pressupostos nada propensos à flexibilidade. Frente às surpresas no processo investigativo, o historiador crítico sério não concebe nada como impossível mesmo que suas convicções sejam confrontadas. Não é tarefa dos estudiosos aproximarem-se da história com vistas à sua construção partindo de noções preconcebidas como se portava Hume. São as melhores evidências que devem norteá-los em seu trabalho e não seus pressupostos filosóficos.
Rudolf Bultmann que reduziu a ressurreição de Cristo a uma experiência existencial dos discípulos e que rejeitava os milagres, concorda com esse tipo de comportamento. Para ele “… o historiador certamente não goza de licença para pressupor os resultados de suas pesquisas”[30].[31]
O método usado na formulação de uma teologia do Novo Testamento pelos críticos radicais e que descarta milagres é chamado histórico-crítico. Este método, segundo Ladd, é um filhote do racionalismo. Seus critérios propostos pelo sociólogo Ernest Troeltsch (1865 – 1923) são os seguintes: crítica, analogia e correlação. O primeiro diz que todas as declarações históricas deverão ser analisadas quanto ao seu conteúdo de verdades históricas. O segundo, ligado ao primeiro, advoga que o mundo é um sistema fechado e o que não acontece hoje também não pode ocorrer outrora. Ou seja, “baseia-se na necessidade de eventos análogos atuais para ratificação dos eventos históricos”.[32]Esse é o padrão para julgar a realidade dos eventos no passado. No caso do terceiro, os eventos históricos estão subordinados à lei de causa e efeito e, o que não derivar dessa lei, não poderá ser considerado confiável do ponto de vista histórico.[33] Ladd crítica esse método: “o método histórico-crítico não é um método adequado para interpretar a teologia do Novo Testamento, isso porque suas pressuposições limitam suas averiguações até à exclusão da mensagem bíblica central.”[34] A parte em negrito é consubstanciada pelo fato de que para um crítico radical a presença de um elemento miraculoso torna-se razão suficiente para a rejeição de um acontecimento histórico.
Decorrente do uso desses critérios, as experiências de milagres que não ocorrem hoje não ocorreram na história. O passado não diverge essencialmente do presente. Visto não existir na experiência contemporânea ressurreições, falta sentido advogar que um morto tenha ressuscitado no passado, diz Troeltsch. Mas, há uma questão importante a se destacar: o cristianismo advoga que a ressurreição de Jesus foi um evento singular, único, portanto, é de se esperar que não existam eventos análogos hoje em dia.
Concluo fazendo duas perguntando: estariam os milagres, no debate científico contemporâneo, descartados? Para Lennox “não há nenhuma objeção científica, em princípio, à possibilidade de milagres.”[35] Pode o homem moderno admitir um ‘milagre’ como o da ressurreição de Cristo? Sim! Nesta era relativista de Einstein o universo está aberto a todas as possibilidades.
A Investigação Crítica
É irracional a alegação de alguns céticos que a aceitação da ressurreição de Cristo sugere um salto no escuro e a adesão a uma crença que se opõe às evidências e à razão. Lucas, por exemplo, era um homem da ciência, pois ele era médico (Cl 4:14). Também é sabido, devido conclusões de estudiosos, que ele era grego de boa educação e de boa formação. Isso é observável quando se analisa o seu estilo literário. Para os eruditos imparciais Lucas também pode e deve ser considerado um excelente historiador. Descobertas arqueológicas têm demonstrado a precisão das informações lucanas no Evangelho e em Atos.[36] Lucas revela uma responsabilidade insuspeita em narrar os fatos que envolveram o ministério terrenal de Jesus Cristo quando ele diz: “eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo…” (Lc 1:3).
É importante destacar a palavra “cuidadosamente” nesse momento. Aqui o autor usa a palavra grega akribôs que significa “acuradamente”, indicando que a pesquisa foi feita de maneira meticulosa. Em Atos 1:3, falando sobre a ressurreição de Cristo, ele escreve: “… deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo.” Dessa referência devemos destacar a frase “muitas provas indiscutíveis”. A palavra grega que ele usa, étekmerion, significa, em lógica, “prova demonstrativa”, e na linguagem médica, “evidência demonstrativa.”[37]
A observação do uso dessas palavras gregas por Lucas, fato que depõe favoravelmente a ele quanto à certeza de uma narrativa precisa, leva facilmente à aceitação de que a crença da igreja primitiva na ressurreição de Cristo era fundamentada em acontecimentos reais e, portanto, históricos. Os discípulos, por vezes, são acusados pelos críticos de serem possuidores de uma cosmovisão mítica e, por conta disso, serem capazes de construir o mito da ressurreição de Cristo. Este tipo de compreensão sobre a visão de mundo dos discípulos e das pessoas do primeiro século faz delas sujeitos ingênuos e até ignorantes. Mas, uma breve análise de algumas passagens bíblicas mostra-nos que os discípulos não eram assim tão ingênuos como supõem os críticos. Vejamos.
1 – Pedro dizia que eles não seguiam fábulas construídas pelos homens de maneira engenhosa (2 Pe 1:16).
– No Areópago, o discurso paulino sobre a ressurreição de Cristo chocou os ouvintes (At 17:16-34). Por qual razão os ouvintes de Paulo escarneceram dele quando ele falou sobre a ressurreição?
3 – Quando Tomé manifesta uma “incredulidade” sobre a notícia da ressurreição de Cristo ele está dando algum sinal de ingenuidade? Quando ele fala em ver e em tocar no sinal dos cravos, ele está mostrando ser tão primitivo assim como gostam de afirmar os críticos?
Acreditando num primitivismo dos discípulos, os críticos reduziram a ressurreição de Cristo, crida objetivamente por seus seguidores, em uma experiência existencial e a-histórica. Porém, parece que as evidências demonstram que eles estão errados.
Os critérios históricos usados para examinar a ressurreição de Cristo como sendo ou não a explicação mais plausível para o túmulo encontrado vazio naquele domingo de Páscoa devem ser os mesmos adotados para a análise de outros eventos históricos passados. A busca por evidências que satisfaçam um enfoque adequado e a sustentabilidade dos fatos pleiteados indicam critérios que atestam a plausibilidade da ressurreição de Cristo. Por eles é possível estabelecer um argumento histórico sólido sobre a ressurreição.
Estudiosos defensores da ressurreição de Cristo como sendo um acontecimento histórico aberto à investigação crítica creem existir evidências suficientes para corroborá-la. Por uma abordagem historiográfica interessada nas evidências, pode-se concluir ser a mesma a melhor explicação para o túmulo vazio. Por uma atitude crítica, um crítico histórico pode perfeitamente examinar as testemunhas, atestar a morte por crucificação, analisar todo o processo de sepultamento e ratificar todas as afirmações de que Jesus Cristo ressuscitou e que o túmulo não estava mais ocupado e sim vazio. Para esse corpo de evidência histórica, a ressurreição de Jesus Cristo é a explicação mais provável e plausível frente as teorias da síncope, conspiração, alucinação e do mito.
Vejamos o caso do túmulo vazio e o uso de um critério de historicidade[38] chamado atestação múltipla.
Também denominado de “corte transversal” e “múltipla confirmação”, o critério atestação múltipla é explicado por Craig: “o fato é relatado em múltiplas fontes primárias da época em que se alega que ele ocorreu e que não dependam umas das outras nem de uma fonte comum.”[39] Um exemplo com múltipla atestação são as palavras de Jesus sobre o pão e vinho na Última Ceia (Mc 14:22-25; 1ª Co 11:23-26; Jo 6:51-58). Outro exemplo são as palavras de Jesus a respeito da lâmpada que aparecem em Mc 4:2,  Mt 5:15 e Lc 11:33 [=Q[40]].
Consoante a fontes antigas e independentes relacionadas ao túmulo vazio temos a fonte de Marcos, Mateus e João apresentam o caso a partir de fontes distintas, Atos (2:29, 13:36) e Paulo na apresentação do antiquíssimo credo descrito em 1ª Coríntios 15:4. Tanto Craig como Geisler & Turek, informam que Gary Habermas numa revisão do estado da arte pesquisou mais de 2.200 publicações em inglês, francês e alemão sobre a ressurreição de Jesus de Nazaré e descobriu que 75 por cento dos pesquisadores veem a narrativa do sepulcro vazio como histórica.
Digno de nota é o fato que no debate sobre a historicidade da ressurreição de Jesus Cristo, crer ou não que o apóstolo Paulo tinha o conhecimento do túmulo vazio faz muita diferença. Estudiosos que negam a ressurreição como um fato histórico dizem que o apóstolo desconhecia qualquer antiga narrativa de um túmulo vazio. Os eruditos J. M. Borg e John Dominic Crossan afirmam: “Paulo não enfatiza um túmulo vazio. Pelo contrário, ele baseia sua confiança na ressurreição de Jesus, nas aparições de Jesus aos seus seguidores e, em última instância, no que ele próprio, Paulo, entende como visões.”[41] Crossan ainda diz:
As narrativas do sepultamento e ressurreição foram recente criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade. O cadáver de Jesus seguiu o caminho dos corpos de todos os criminosos abandonados: provavelmente coberto apenas com refugo, vulnerável aos cães selvagens que vagavam a terra devoluta das áreas de execução.[42]
Assim, as narrativas do túmulo vazio não passam de acréscimos aos textos evangélicos. Ou seja, são lendas inseridas no contexto da fé e que o apóstolo Paulo não tinha conhecimento sobre nenhuma tumba vazio. No entanto, é possível encontrar pistas apontando para o fato de que o apóstolo Paulo conhecia o túmulo vazio.
A metodologia que Crossan usa nos estudos dos textos evangélicos para determinar o que é “autêntico” ou não traz em seu bojo o descarte imediato de toda profecia e todo milagre. Ou seja, o antissobrenaturalismo faz parte do escopo metodológico e essa realidade compromete suas análises, pois, aprioristicamente, a ressurreição corporal de Jesus não deve ser levada em conta, mas preterida. Temos aqui Crossan se posicionando segundo Spinoza, Hume e Troeltsch.
O problema nesse cenário é que Crossan e outros estudiosos (historiadores e teólogos) em suas pesquisas aproximam-se de seu objeto de estudo repletos de preconceitos não históricos, mas filosóficos. Noutras palavras, são as convicções metafísicas que determinam os resultados “históricos” e não os fatos, as evidências. Se o naturalista continuar a negar um mundo teísta não haverá conjunto de provas que o convença da plausibilidade da ressurreição de Jesus Cristo. Com essa tendência metodológica a ressurreição de Jesus não pode ser outra coisa que não um mito. Wolfhart Pannenberg disse: “o fato decisivo na determinação do que aconteceu no primeiro dia da Páscoa é a evidência contida no Novo Testamento, e não as teorias dogmáticas e efêmeras dos estudiosos acerca da natureza da realidade.”[43]
Mas, Paulo sabia alguma coisa sobre o túmulo vazio?
Paulo e o Túmulo Vazio
Um dos acontecimentos históricos mais veementes que favorece a aceitação da ressurreição corporal de Jesus Cristo é a transformação de Saulo de Tarso, o apóstolo Paulo. Sua conversão dificilmente pode ser explicada por alguma teoria naturalista. Falar sobre Paulo e o túmulo vazio é importante porque as cartas paulinas foram escritas muito cedo. Por exemplo: Romanos foi escrita entre 55-58 d.C. e 1ª Coríntios foi escrita em 56 d.C. Com essas datas temos entre 26 e 28 anos de distância entre a escrita delas e a condenação, crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ou seja, do ponto de vista histórico temos uma distância cronológica ínfima. Alguns pesquisadores têm compreendido que a afirmação “ressuscitou ao terceiro dia” de 1ª Coríntios 15:1-8 é uma prova de que Paulo conhecia o túmulo vazio. Leiamos.
Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo.
Essa Escritura, segundo estudiosos como Ben Whiterington III e Wolfhart Pannenberg, é um antigo credo cristão. Hanegraaff diz que “os estudiosos de todos os naipes concordam que este credo pode ser datado de três a oito anos da própria crucificação.”[44] Observe: três a oito anos, uma data recuadíssima! Craig comenta: “essa tradição provavelmente foi transmitida a ele (Paulo) o mais tardar na época de sua visita a Jerusalém, em 36 d.C. (Gl 1:18), se não antes, em Damasco.”[45] Simon Kistemaker explica: “as palavras recebi e entreguei são termos técnicos que indicam os elos individuais na corrente da tradição (transmissão de um depósito sagrado).”[46] As provas técnicas de que tal escritura trata-se de um antigo credo são as seguintes:
1. As palavras entreguei e recebi são termos descritivos do tratamento rabínico da tradição santa, indicando que esta é uma tradição santa recebida por Paulo;
2. Várias frases primitivas e antigas, pré-paulinas, são usadas (“os doze”, “ao terceiro dia”, “foi visto”, “pelos nossos pecados”, “ressuscitou”). Estas frases são judias e primitivas;
3. O estilo poético é hebraico;
4. O aramaico Cefas é usado; este era um modo antigo de referir-se a Pedro.[47]
Esta declaração é um credo por causa de sua forma aramaica primitiva, afirmam estudiosos. Muito possivelmente era usada nos cultos em forma de cântico. O fator importante que este antigo credo cristão citado por Paulo traz à baila é que o evangelho paulino não se baseia numa revelação espiritual apenas, mas em eventos históricos sólidos. Paulo deixa claro que seu ensino é oriundo de uma tradição recebida e ele a reproduz  sem nenhum questionamento.
Aos que levantam a hipótese de que a ressurreição é uma invenção da igreja primitiva, é bom lembrar não ter havido tempo para a igreja inventar uma história como a da ressurreição, pois mitos e lendas, para serem construídos, requerem pelo menos duas gerações para ornarem os fatos históricos e, como já foi dito, o antigo credo cristão dista 3 a 8 anos da crucificação, morte e ressurreição. Isso significa que faltou tempo necessário para criações comunais.
Craig, citado por Kreeft & Tacelli, argumenta: “os evangelhos foram escritos com proximidade temporal e geográfica tamanha aos eventos neles registrados que teria sido praticamente fabricá-los”.[48] McDowell, citando Otto A. Piper[49] escreve que “a sociologia e a antropologia têm defendido que as comunidades são mais receptivas do que criativas”.[50]
Ora, crer que as comunidades cristãs primitivas, antes que passasse uma geração, logo se esqueceram do que Jesus havia dito e não havia dito e, por necessidades de desenvolver regras de condutas, ensinos para novos convertidos e homilias, elas criaram todo seu material e atribuíram a Jesus, faz delas realidades mais fantásticas e admiráveis que o próprio Mestre. Caso os discípulos tenham criado a história da ressurreição – e demais questões relacionadas a Jesus – eles deveriam figurar entre as mentes mais criativas e fantasiosas como J.R.R. Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis) e C. S. Lewis (As Crônicas de Nárnia). Quem sabe, ultrapassá-las.
Floyd V. Filson comenta:
Inevitavelmente devemos suspeitar de qualquer tendência de fazer derivar o grosso da tradição evangélica, que é perenemente vital, das massas crentes, e não do próprio Jesus. Se não situarmos o começo dos registros escritos sobre as palavras e atos de Jesus, mais tarde que o ano 50 d.C., dificilmente encontraremos espaço para tão notável atividade criativa que atribui aos primeiros cristãos a elaboração de qualquer porção maior das tradições.[51]
Portanto, as tradições de Jesus tem origem nele, em suas atividades e, certamente, conjecturar que a comunidade cristã primitiva vivia inventando coisas a respeito do Jesus histórico é uma tolice.
Mas, onde está o túmulo vazio no credo? Já foi dito que está no versículo 4: “foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia”. Quando o apóstolo diz “foi sepultado” (etaphe) ele está demonstrando ter (ou isso é subentendido) conhecimento do túmulo vazio. Além dos escritores dos Evangelhos, apenas Paulo menciona esse fato. Em Atos 13:29 Paulo declara: “depois de cumprirem tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um sepulcro.” Na tumba o corpo de Jesus Cristo descansava. Seu sepultamento é consequência de sua morte e prenúncio de sua ressurreição. Por lá ficou por curto espaço de tempo e o próprio apóstolo afirma ter ele ressuscitado.
Paulo entende a ressurreição como tendo sido corporal ou espiritual? A conexão entre os verbos “sepultar’ e “ressuscitar” no conjunto da frase não pode indicar o sepultamento do corpo e uma ressurreição espiritual como defendem alguns. No contexto Paulo fala nos versículos 35 e 44 de soma, “corpo físico” a ser transformado pelo Espírito Santo tornando-se apropriado para entrar na vida eterna e para experimentar a imortalidade. A expressão “ao terceiro dia” também sustenta uma ressurreição corporal. Provavelmente, temos uma referência à experiência das mulheres que ao terceiro dia foram à tumba e encontraram-na vazia (Mt 28:1-10; Mc 16:1-8; Lc 24:1-12; Jo 20:1-10). Ademais, em Atos 17:18 Lucas diz que interlocutores de Paulo apontavam-no como “pregador de estranhos deuses, pois pregava a Jesus e a ressurreição” (ênfase minha). A palavra em negrito é anastasis (grego) e significa “levantar-se de novo”. A conotação extraída é de uma ressurreição corporal.
Bart D. Ehrman, teólogo liberal e agnóstico, afirma que para Paulo a ressurreição de Jesus foi física:
Paulo quer lembrar a seus seguidores que, de fato, Jesus, real e fisicamente, foi erguido dentre os mortos. Paulo […] insiste em que a doutrina da ressurreição tem a ver com uma verdadeira ressurreição física. Jesus não foi erguido apenas espiritualmente.[52]
Além de 1ª Coríntios 15:4, 35 podemos ver também em Romanos (uma epístola paulina bastante antiga) que o apóstolo tinha a informação de que o túmulo estava vazio. No capítulo 8 versículo 11 ele diz: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também os vossos corpos mortais…” Observe que nesse verso o escritor comunica aos seus interlocutores que eles poderiam ter a esperança de que seriam vivificados da mesma maneira que foi quando Jesus ressuscitou.
Tal esperança incluía uma transformação de seus corpos mortais. O uso do advérbio “também” indica que do mesmo modo como aconteceu com o corpo de Jesus em sua ressurreição assim iria acontecer com os corpos deles. Ora, se os cristãos terão seus corpos mortais vivificados porque o de Jesus passou por tal experiência é evidente que o apóstolo tinha o conhecimento de que o túmulo de Jesus Cristo estava vazio, pois é um contrassenso falar de um corpo mortal vivificado e pensar que tal corpo ainda jaz na sepultura.
Como Paulo fala de uma ressurreição corporal de Jesus, torna-se óbvia a conclusão que ele sabia de um túmulo vazio deixado para trás. Paulo conhecia o sepulcro vazio e tal conhecimento descansa em uma realidade histórica atestada por um o antigo credo cristão que “pode ser rastreado até às fases formativas da primeira igreja cristã.”[53] Está claro no escritos paulinos que o apóstolo por diversas vezes ocupa-se com a transmissão de informações históricas. E mais, em alguns casos, essas informações são frequentemente reconhecidas pelos estudiosos como sendo mais antigas que os próprios escritos dele (vide Rm 1:3-4; 1ª Co 11:23ss, 15:3-8; Fp 2:6-11; Cl 1:15-18; 1ª Tm 3:16; 2ª Tm 2:8).
Conclusão
 Vimos que o Novo Testamento está marcado pela ressurreição de Jesus Cristo de Nazaré. Os primeiros cristãos não tinham dúvidas quanto a esse evento ter ocorrido na história e na dimensão espaço-tempo. Para eles, Deus operara esse milagre. Vimos que não há razões para se negar a ocorrência de milagres, pois, com o advento da física de Albert Einstein o universo ficou aberto. Spinoza, Hume, Troeltsh e o método histórico-crítico com seu antissobrenaturalismo já não reinam absolutos. Vincent Taylor, um destacado crítico de forma[54], adverte: “Já é tarde demais para rejeitar a questão, afirmando que ‘os milagres são impossíveis’; esse estágio da discussão jaz definitivamente no passado […]”. [55]A não ser numa mente naturalista, ateia e, portanto, teimosa.
A maneira de se aproximar dos relatos sobre milagres e, no caso específico aqui, sobre o milagre da ressurreição de Jesus Cristo, não pode ocorrer a partir de um viés filosófico, mas histórico. Na filosofia, pode-se discutir se os milagres são possíveis, mas para responder se eles realmente acontecem isso tem que ser feito a partir do viés histórico. Como não é tarefa do historiador entrar no âmbito da ciência ou da metafísica, assim não é apropriado a um filósofo com seus dogmas pôr-se no caminho como um empecilho. Para McGrath “a evidência histórica nos liberta do dogmatismo dos pressupostos metafísicos sobre o que pode e o que não pode ter acontecido na História […]”.[56]
O sepulcro vazio, um fato estabelecido e independente, cuja sustentação descansa no relato histórico do sepultamento, trabalhado aqui de modo breve, é um dado histórico que nos põe frente a frente com a necessidade de considerar a ressurreição do Nazareno como “um evento em que o mundo de Deus fez interseção com o mundo do tempo e do espaço.”[57] Sim, a ressurreição de Jesus Cristo é a explicação mais provável e plausível exigida pela evidência histórica. Existem outros argumentos históricos específicos a favor da ressurreição que consubstanciam a conclusão desse texto. São eles: as aparições de Jesus; o fato das mulheres serem as portadoras da notícia do túmulo vazio e as origens da fé cristã. Todos eles são fatos independentes e estabelecidos.[58]
Outro testemunho histórico poderoso em favor da ressurreição de Cristo e relacionado ao sepulcro vazio é dado exatamente por seus inimigos. Trata-se da não refutação objetiva, inquestionável e conclusiva deles em relação à afirmação dos discípulos de que Jesus Cristo ressuscitara. Isso é um fato histórico. Por qual razão os judeus e os romanos foram incapazes de apresentar refutações diretas e fulminantes? Por qual razão eles ficaram silentes? Por qual razão eles usaram de perseguições, martírios e ameaças para tentar frear o avanço do cristianismo quando uma simples apresentação do corpo de Jesus Cristo resolveria o caso? Caso o cadáver de Cristo fosse apresentado a terrível superstição cristã seria desacreditada imediatamente. A não apresentação do corpo de Jesus Cristo por parte dos soldados romanos e dos judeus tornou-se num argumento histórico tão poderoso quanto o testemunho dos apóstolos sobre a ressurreição de Jesus Cristo – Um Fato Histórico na Dimensão Espaço-Tempo Aberto ao Escrutínio Crítico.
Notas
[1] Jesus Cristo não morreu na cruz, mas apenas desmaiou. Esta teoria foi a preferidas dos racionalistas do século XVIII.
[2] Os discípulos roubaram o corpo de Cristo. Esta teoria remonta ao Novo Testamento (Mt 28:13) e foi debatida também no período patrístico quando Orígenes se opôs ao pagão Celso.
[3] As aparições de Jesus não passaram de alucinações das pessoas que disseram ter visto Jesus ressuscitado.
[4] As mulheres e todos os que vieram depois delas estiveram no túmulo errado.
[5] CRAIG, William Lane. Em Guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2011, p. 290.
[6] KREEFT, Peter; TACELLI, Ronald K. Manual de Defesa da Fé. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2008, p. 294.
[7] In: MCDOWELL, Josh. Evidências da Ressurreição de Cristo. São Paulo: Editora Candeia, 1994, p.35.
[8] Trata-se de uma coalizão de eruditos, criada em 1985, que decidiu empreender esforços para reduzir à insignificância o Jesus Cristo bíblico. O seu fundador foi Robert Funk, um ateu. Para ele, Jesus provavelmente seria o primeiro comediante judeu. Ao lado de Funk, surge, como cofundador do Seminário de Jesus, John Dominic Crossan, um destacado teólogo que tem se esforçado por levar a doutrina da ressurreição corporal de Cristo à ruína. Geisler & Turek informa que alguns membros do Seminário de Jesus não são nem estudiosos como no caso de um deles que é produtor de cinema.
[9] PAUL, Copan (editor). O Jesus dos Evangelhos: mito ou realidade? / Um debate entre William Lane Craig, John Dominic Crossan. Tradução de Emirson Justino. São Paulo: Vida Nova, 2012, p. 35.
[10] ibid., id.
[11] CROSSAN, John Dominic. Jesus: uma biografia revolucionária. Tradução Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Imago, 1995, p. 107.
[12] (1911-1982) foi professor de exegese e teologia do Novo Testamento no Fuller Theological Seminary em Pasadena, Califórnia.
[13] In: COENEN, Lothar; BROWN, Colin (orgs.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Tradução: Gordon Chown. 2 ed. Vol. 2. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 2093.
[14] ibid., p. 2089.
[15] Veja aqui.
[16] VOLTAIRE. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martin Claret, 2002, p. 373.
[17] MORELAND, J. P. “>aqui.
[16] VOLTAIRE. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martin Claret, 2002, p. 373.
[17] MORELAND, J. P. ” />amp; CRAIG, W. L. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005, p.688.
[18] GEISLER, Norman; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu. São Paulo: Editora Vida, 2006, p. 152.
[19] ibid., id.
[20] MORELAND, J. P. & CRAIG, W. L. Op. cit., p.689.
[21] As leis de Newton são as leis que descrevem o comportamento de corpos em movimento, formuladas por Isaac Newton. Descrevem a relação entre forças agindo sobre um corpo e seu movimento causado pelas forças. Essas leis foram expressas nas mais diferentes formas nos últimos três séculos. Isaac Newton publicou estas leis em 1687. foi um cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, embora tenha sido também astrônomo, alquimista, filósofo natural e teólogo. Extraído daqui.
[22] In: MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Ele Andou Entre Nós: Evidências do Jesus Histórico. São Paulo: Candeia, 1998, p. 294.
[23] HUME, David. Investigação Acerca do Entendimento Humano (versão para e-book). Edição Acrópole. Tradução: Anoar Aiex, 2006.
[24] LEWIS, C. S. Milagres. São Paulo: Vida, 2006, p. 105.
[25] LENNOX, John C. Por Que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2011, p. 283.
[26] LEWIS, C. S. Milagres. São Paulo: Vida, 2006, p. 63.
[27] KREEFT, Peter; TACELLI, Ronald K. Op. cit., pp. 166-67.
[28] FLEW, Antony. Deus Existe: As Provas Incontestáveis De Um Filósofo Que Não Acreditava em Nada. Tradução de Maria Marques Martins. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 81.
[29] In: MCDOWELL, Josh. Evidência que Exige um Veredito: evidência histórica da fé cristã. São Paulo: Editora: Candeia, 1997, vol. 2, p. 28.
[30] ibid., p.36.
[31] É aqui que os eruditos da Alta Crítica, por exemplo, tropeçam quando analisam o Pentateuco e determinam que o mesmo não foi escrito por Moisés. Eles desprezam evidências arqueológicas e históricas favoráveis a uma autoria mosaica do Pentateuco exatamente por causa de pressupostos filosóficos e, por isso, acabam por fazer do Pentateuco uma colcha de retalhos.
[32] MCGRATH, Alister. Apologética Cristã no Século XXI: Ciência e Arte com Integridade. São Paulo: Vida, 2008, p.220.
[33] GREIDANUS, Sidney. O Pregador Contemporâneo e o Texto Antigo: interpretando e pregando literatura bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
[34] ibid. p. 55.
[35] LENNOX, John C. Op. cit., p. 288.
[36] Vejamos dois exemplos. Lucas fez menção a Lisânias, tetrarca de Abilene em Lucas 3:1. Esta indicação se dá no início do ministério de João Batista em cerca de 27 A.D. A história antiga registrava apenas um certo Lisâneas morto em 36 a.C. Porém, um descoberta perto de Damasco, datada de 14 a 29 A.D. registra um “liberto de Lisânias, o Tetrarca”. Arqueólogos alegavam que a informação de Lucas em Atos 14:6 sobre Listra e Derbe ficar na Licaônia e Icônio não, estava errada e, assim, o livro de Atos não era confiável. Mas, em 1910, um monumento foi encontrado indicando que Icônio era uma cidade da Frígia. Consulte MCDOWELL, Josh. Evidência que Exige um Veredito: Evidências Históricas da Fé Cristã. São Paulo: Editora: Candeia, 1997, vol. 1, p. 90.
[37] RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 194.
[38] Para maior aprofundamento quanto a critérios de autenticidade consultar MEIER, John Paul. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus histórico. Tradução de Laura Rumchinsky. Rio de Janeiro: Imago, 1992.
[39] CRAIG, William Lane. Op. cit., p. 217.
[41] Hipotética fonte (além de Marcos) usada por Mateus e Lucas para a composição dos Evangelhos que levam seus nomes. Denomina-se Q devido seu nome em alemão Quelle(fonte).
[42] BORG, Marcus. J.; CROSSAN, John. D. Última Semana: um relato detalhado dos dias finais de Jesus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007, p. 253.
[43] HANEGRAAFF, Hank. Ressurreição. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 46.
[44] In: MCGRATH, Alister. Op. cit., p. 221.
[45] HANEGRAAFF, Hank. Op. cit., p. 56.
[46] CRAIG, William Lane. Op. cit., p. 246.
[47] KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: 1 Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 546.
[48] MCDOWELL, Josh e WILSON, Bill. Op. cit., p. 150.
[49] KREEFT, Peter; TACELLI, Ronald K. Op. cit., 289.
[50] Professor de Teologia Bíblica no Princeton Theological Seminary (EUA).
[51] MCDOWELL, Josh. Op. cit., 1997, vol. 2, p. 349.
[52] In: ibid. p. 350.
[52] EHRMAN, Bart D. O Problema com Deus: as respostas que a Bíblia não dá ao sofrimento. Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 210.
[53] MCGRATH, Alister. Op. cit., p. 221.
[54] LADD, George Eldon apud COENEN, Lothar; BROWN, Colin (orgs.). Op. cit., p. 2094.
[55] Consulte os livros de referência citados aqui que se ocupam em defender a historicidade da ressurreição de Cristo.
[56] HANEGRAAFF, Hank. Op. cit., p. 56.
[57] “A crítica da forma é uma tentativa para recuperar as unidades da tradição oral que circulavam antes dos evangelhos serem escritos. Segundo são concebidos, essas unidades incluiriam antigas narrativas, como o relato, da paixão, parábolas, declarações ou ensinos, relatos de milagres e lendas. Tudo estaria baseado em graus variegados de verdade, de mistura com a ficção.” CHAMPLIN, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, 9ª edi. 2008, vol. 1, p. 992. Um dos principais proponentes da Crítica de Forma foi o destacado teólogo alemão Rudolph Bultmann.
[58] In: MCDOWELL, Josh. Op. cit., 1997, vol. 2, p. 34.

Evidências da Ressurreição de Jesus Cristo – 2ª parte

1) Analisando os evangelhos


Vou tentar colocar aqui um breve resumo, pontuando os relatos acerca dos eventos após a morte de Jesus para comparar os 4.

Mateus
1 – Jesus clama: “Deus meu, Deus meu. Por que me desamparastes?”. Então morre.
2 – O véu do templo se rasga, de cima para baixo e há um terremoto.
3 – Muitos santos ressuscitam, entram em Jerusalém e aparecem a muitos.
4 – O centurião vê o terremoto e reconhece Jesus como Filho de Deus.
5 – Foi presenciado por Maria Madalena e Maria, mãe de José e Thiago.
6 – Um homem rico, José de Arimatéia pede o corpo e o guarda no seu sepulcro.
7 – Pilatos é lembrado que Jesus predisse sua ressurreição e manda a guarda vigiar o sepulcro.
8 – Na madrugada de sábado para domingo, Maria Madalena e a outra Maria visitaram o sepulcro.
9 – Houve um terremoto, um anjo apareceu e removeu a pedra que selava o sepulcro.
10 – Os guardas se assustaram e desmaiaram.
11 – O anjo disse para elas irem para Galiléia que veriam Jesus.
12 – Elas vão e encontram Jesus no caminho.
13 – Os principais dos sacerdotes deram dinheiro aos guardas para que dissessem que alguém roubou o corpo enquanto eles dormiam.
14 – Jesus aparece para os discípulos, que o adoraram, mas alguns duvidaram.
Marcos
1 – Jesus clama: “Deus meu, Deus meu. Por que me desamparastes?”. Então morre.
2 – O véu do templo se rasgou, de cima para baixo.
3 – O centurião vê o terremoto e reconhece Jesus como Filho de Deus.
4 – Foi presenciado por Maria Madalena e Maria, mãe de José e Thiago, além de outras mulheres que andavam com ele.
5 – José de Arimatéia pede o corpo de Jesus a Pilatos
6 – Pilatos se surpreende por Jesus morrer tão rápido, se certifica com o centurião que ele estava morto, e cede o corpo a José.
7 – Ao nascer do sol elas chegam ao sepulcro e encontram a pedra que guardava o sepulcro já aberta.
8 – Lá dentro encontram um jovem com vestes brancas e compridas que disse que Jesus havia ressuscitado.
9 – Jesus apareceu a Maria Madalena, que tentou convencer os que estavam com Jesus de que ele tinha ressuscitado, sem sucesso.
10 – Jesus apareceu pra mais dois deles, que também tentaram convencer os outros, mas não conseguiram.
11 – Jesus aparece aos onze discípulos e os repreende por não terem acreditado.
12 – Jesus “foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus”
Lucas
1 – O véu do templo rasgou-se ao meio.
2 – Jesus diz “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” e morre.
3 – O centurião reconhece que Jesus era justo.
4 – Foi presenciado por todos os conhecidos de Jesus e pelas mulheres.
5 – José, senador de Arimatéia, pede o corpo de Jesus e o põe em um sepulcro onde ninguém ainda havia sido posto.
6 – Na madrugada de domingo elas foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus com perfume.
7 – Acharam a pedra revolvida.
8 – Não acharam o corpo de Jesus.
9 – Dois homens com vestes reluzentes apareceram e disseram que Jesus ressuscitou.
10 – As mulheres anunciaram a ressurreição aos onze discípulos e aos demais.
11 – As mulheres eram Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Thiago, e outras.
12 – Pedro vai até o sepulcro e vê que o corpo não está lá, apenas os lençóis.
13 – Dois discípulos andavam e Jesus apareceu a eles. Eles não o reconheceram.
14 – Eles chegaram à cidade à qual dirigiam-se. Jesus comeu com eles, eles perceberam que era Jesus e este desapareceu.
15 – Eles voltam a Jerusalém e anunciam aos onze e a outros, e nessa hora aparece Jesus.
16 – Eles achavam que Jesus era um espírito, então Jesus mostrou as mãos e os pés com as feridas, mas eles ainda não acreditaram.
17 – Jesus comeu com eles e eles creram.
18 – Jesus foi com eles até Betânia, os abençoou e foi elevado ao céu.
João
1 – Jesus diz: “está consumado” e morre.
2 – Os centuriões quebram as pernas dos outros dois que haviam sido crucificados com Jesus, mas quando viram que Jesus já estava morto não lhe quebraram as pernas.
3 – Um dos soldados lhe furou ao lado com uma lança, e saiu sangue e água.
4 – O centurião reconheceu que Jesus era Filho de Deus.
5 – José de Arimatéia pede o corpo a Pilatos e o guarda, em um lugar onde ninguém ainda havia sido posto.
6 – Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, ainda escuro, e viu a pedra retirada do túmulo.
7 – Ela correu e foi a Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava, e lhes disse que alguém roubou o corpo de Jesus.
8 – Eles chegam ao sepulcro e encontram os lençóis e os panos, mas não o corpo.
9 – Os discípulos voltam e Maria fica ali, chorando.
10 – Maria vê dois anjos onde estivera o corpo de Jesus.
11 – Então ela vira pra trás e vê Jesus. Não o reconhece no início.
12 – Maria Madalena anuncia Jesus às pessoas.
13 – Os discípulos encontravam-se reunidos e com as portas trancadas, então Jesus aparece.
14 – Jesus mostra as feridas e fala para que recebessem o Espírito Santo. Eles se alegram, mas Tomé não estava com ele.
15 – Oito dias depois, estavam reunidos, novamente com as portas fechadas e Jesus aparece.
16 – Jesus pede que Tomé toque nas feridas e este crê.
17 – Jesus operou muitos outros sinais, que não estão escritos no livro.
18 – Jesus se manifestou a Pedro, Tomé, Natanael e outros 4 discípulos na praia, onde fez um milagre de conseguirem pegar a rede cheia de peixes quando antes não podiam.
19 – Jesus comeu com eles.
20 – Jesus explica com que tipo de morte Pedro e João haveriam de morrer.

A primeira coisa que se nota é que os relatos possuem muita coisa diferente. A última frase de Jesus, por exemplo, difere entre João, Lucas, e Mateus e Marcos. No livro de Mateus, as mulheres encontram o anjo do lado de fora, nos livros de Lucas e Marcos elas encontram o anjo do lado de dentro, e no livro de João apenas Maria encontra o anjo, e mesmo assim só depois de já ter conversado com Pedro e João. O próprio Jesus aparece pra ela na mesma hora. O único livro que diz que havia uma guarda no sepulcro é o de Marcos. O livro de Lucas diz que Jesus foi elevado ao céu. O de Marcos sugere. Os outros não relatam nada, embora o livro de João deixe claro que não relatou todos os sinais de Jesus. Em Lucas o véu do templo se rasga antes de Jesus morrer, em Mateus e Marcos é depois.

Enfim…

Tem muita coisa diferente entre eles.

Como lidar com as contradições?

Essa é uma crítica feita por muitos. Não se pode acreditar nos relatos da ressurreição simplesmente eles possuem diferenças. Será? Vejam essa citação:

“É possível divergências e ambas as testemunhas estarem falando a verdade – as culturas e conceitos pessoais são agregados à pessoa. Toda testemunha capta apenas parcialmente o fato (o cérebro seleciona as informações ocorridas). É impossível a existência de depoimentos idênticos. Testemunhos iguais revelam que as testemunhas foram orientadas – a prova não é segura para lastrear a decisão, o que não demonstra que seja mentirosa.”

Vocês podem achar que estou citando um teólogo ou um historiador cristão defendendo os relatos dos evangelhos. Não. Esse é um dos princípios da psicologia do testemunho. Esse trecho foi dito pela DESEMBARGADORA DRA. SUZANA CAMARGO MIRANDA.

Os foristas formados e formandos em direito devem saber explicar melhor que eu. Quando um advogado ou promotor chama uma testemunha, se o relato dela for absolutamente idêntico ao das outras isso indica que elas foram orientadas a falar aquela mesma versão dos acontecimentos.

Aliás, o fato de haverem pequenas contradições menores entre os evangelhos não só não diminui a historicidade dos mesmos, como até aumenta! Isso porque, essas divergências provam que os relatos não passaram por nenhum processo de edição para que entrassem em conformidade, e que cada um dos 4 têm fontes independentes (ainda que se acredite que Mateus e Lucas utilizaram o evangelho de Marcos como uma de suas fontes).

Na verdade, nenhum investigador se prende às divergências entre os relatos das testemunhas, e sim, às semelhanças. E os 4 concordam que Jesus morreu, foi enterrado no sepulcro de José de Arimatéia, o túmulo estava vazio, e as primeiras pessoas a presenciar a ressurreição de Jesus foram mulheres, que foram informadas disso por anjos.

Então vamos tentar verificar, primeiramente, a verossimilhança e a coerência interna para saber se os evangelhos são honestos ou não.

A auto-difamação

Nós sabemos que a única pessoa que é realmente exaltada nos evangelhos é Jesus. Os discípulos, autores dos evangelhos (ou discípulos destes discípulos, como se acredita que ocorre com o evangelho de João) em várias oportunidades retratam a si mesmos de maneira pouco envaidecedora. A bíblia relata, por exemplo, que quando Jesus morreu os discípulos ficaram com medo, se trancaram em Jerusalém e planejaram como eles poderiam fugir para a Galiléia e voltar para suas vidas de pescadores. Ora, se a intenção deles era tão somente exaltar a Jesus, não haveria necessidade deles denegrirem a própria imagem. Isso é anti-natural. As pessoas procuram se promover, não se denegrir.

Inclusive é isso que atesta o renomado psicólogo brasileiro Augusto Cury. Veja:

“Durante muitos anos, procurei estudar as biografias de Cristo. Por diversas vezes, me perguntava se Cristo realmente tinha existido (…). Provavelmente fui mais ateu do que muitos daqueles que se consideravam grandes ateus, como Karl Marx, Friedrich Nietzche e Jean-Paul Sartre. Por isso, pesquisava a inteligência de Cristo indagando continuamente se ele não era fruto da imaginação humana, da criatividade literária, ou se realmente tinha existido (…). Se os evangelhos fossem fruto da imaginação literária desses autores, eles não falariam mal de si mesmos. O homem tende a esconder suas fragilidades e seus erros, mas os biógrafos de Cristo aprenderam a ser fiéis a sua consciência.Aprenderam com Cristo a arte de destilar a sabedoria dos erros. Ao estudar as biografias de Cristo, constatamos que a intenção consciente e a inconsciente de seus autores era apenas expressar com fidelidade aquilo que viveram, mesmo que isso fosse totalmente estranho aos conceitos humanos.” (O Mestre dos Mestres; Augusto Cury)

O testemunho das mulheres

Todos nós vemos que as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus foram mulheres. Isso contrasta bastante com a covardia dos discípulos, no momento.

Esse é um dado que pode parecer irrelevante para leigos, mas para quem conhece os costumes da época, percebe que esse dado é de enorme relevância. A opinião das mulheres não era levada em consideração. Aliás, os relatos de mulheres não tinham nem mesmo valor jurídico na época!

Flávio Josefo escreveu que a tradição judaica afirmava: “Não permita que evidências sejam aceitas através das mulheres por causa de sua leviandade e da temeridade de seu sexo.” (Antiguidades judaicas iv 8:15)

Era como se eu hoje resolvesse dizer que um disco voador apareceu em pleno Rio de Janeiro, e no meio de um hospital psiquiátrico, e que todos os pacientes de lá o tinham visto. Quem iria dar crédito?

O descabimento dos relatos

Esse título é estranho, mas eu explico. Se a intenção dos autores fosse fundar uma nova religião, e para isso eles tivessem elaborado esses textos a respeito de Cristo, eles poderiam ter tornado os relatos muito mais simpáticos à idéias existentes na época.

Aliás, isso ACONTECEU, de fato, em Roma, alguns séculos mais tarde. Com o crescimento rápido e progressivo do cristianismo, os cultos aos deuses romanos perdiam força. Então Constantino adotou o cristianismo como religião oficial de Roma, porém diluiu vários aspectos dos cultos aos deuses romanos no cristianismo. Como por exemplo, a adoração aos Santos. Aconteceu algo parecido no Brasil com a incorporação de entidades vindas de religiões africanas ao catolicismo, mesclando-as com os santos.

Exemplo do que eu disse acima.

Mas voltando à época da ressurreição…

Se a intenção dos discípulos fosse ganhar novos seguidores, há vários exemplos que eles poderiam utilizar para ganhar simpatizantes para a causa.

Se eles dissessem, por exemplo, que a ressurreição de Jesus era uma metáfora para que ele fosse ao Pleroma (a totalidade dos poderes divinos e o campo das idéias), teria tido apoio dos gnósticos, dos seguidores de Sócrates e Platão. Se eles dissessem que Jesus morreu mas foi um homem íntegro teria tido apoio dos epicureus e dos historiadores. Se eles dissessem que Jesus reencarnou teria tido apoio dos seguidores de Pitágoras, dos egípcios e dos orientais que acreditavam na transmigração de almas. Se eles dissessem que Jesus iria ressuscitar no dia do juízo final teriam o apoio dos judeus, e teriam tido mais facilidade e aceitação entre eles.

Mas não foi o que ocorreu. Essa idéia de ressurreição física e imediata era uma novidade aos conceitos da época e de difícil aceitação por qualquer povo e cultura que a ouvisse.

Paulo quando chegou a Atenas e começou a pregar para os atenienses ele teve boa aceitação. Até que…

“Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: A respeito disso te ouviremos em outra vez.” (Atos 17:32)

Então se a história tivesse sido deliberadamente inventada, com o intuito de fundar uma nova religião, provavelmente eles teriam escolhido algo que pudesse se misturar e difundir com idéias já existentes, para que pudesse ganhar mais aceitação e adeptos.

Conclusões?

Essas análises provam, sem sombra de dúvidas, que tudo que aconteceu é realmente verdade?

Não!

Não provam. Mas elas servem como pistas de que os relatos foram honestos.

Em última análise, mesmo supondo-se que elas servissem como prova incontestável, ainda assim isso não significaria que os relatos são verdadeiros, apenas que seus autores acreditavam no que estavam escrevendo.

Existem algumas teorias pra suportar essa idéia, a teoria de que eles houvessem se confundido e crido na ressurreição que não ocorreu, e a idéia de que Jesus sofreu um processo de mitificação ao longo dos anos.

Vamos analisar primeiro a segunda hipótese.

2) A mitificação de Jesus

Vamos avaliar aqui um caso de uma história provavelmente real que sofreu uma mitificação ao longo dos anos.

“Rômulo e Remo eram filhos gêmeos do deus Marte e de Reia Sílvia. Para garantir o trono, Amúlio assassina os descendentes varões de Numitor e obriga sua sobrinha Reia Sílvia a tornar-se vestal (sacerdotisa virgem, consagrada a deusa Vesta), no entanto, esta engravida do deus Marte e desta união foram gerados os irmãos Rômulo e Remo. Como punição Amúlio prende Reia em um calabouço e manda jogar seus filhos no rio Tibre. Como um milagre, o cesto onde estavam as crianças acaba atolando em uma das margens do rio, onde são encontrados por uma loba que os amamenta; próximo às crianças estava um pica-pau, ave sagrada para os latinos e para o deus Marte, que os protege. Tempos depois, um pastor de ovelhas chamado Fáustulo encontra os meninos. Ele os recolhe e leva-os para sua casa onde são criadas por sua mulher Aca Laurência. Rômulo e Remo crescem junto dos pastores da região praticando caça, corrida e exercícios físicos; saqueavam as caravanas que passavam pela região a procura de espólio. Em um dos assaltos, Remo é capturado e levado para Alba Longa. Fáustulo, então, revela a Rômulo a história de sua origem. Este parte para a cidade de seus antepassados liberta seu irmão, mata Amúlio, devolve Numitor ao torno e dá a sua mão todas as honrarias que lhe fossem devidas. Percebendo que não teriam futuro na cidade, os gêmeos decidem partir da cidade junto com todos os indesejáveis para então fundarem uma nova cidade no local onde foram abandonados. Rômulo queria chamá-la Roma e edificá-la no Palatino, enquanto Remo desejava nomeá-la Remora e fundá-la sobre o Aventino. Como forma de decidir foi estabelecido que deveria-se indicar, através dos auspícios, quem seria escolhido para dar o nome à nova cidade e reinar depois da fundação. Tal gerou divergência entre os espectadores o que gerou uma acirrada discussão entre os irmãos que terminou com a morte de Remo. Uma versão alternativa afirma que, para surpreender o irmão, Remo teria escalado o recém-construído pomerium quadrangular da cidade e, tomado em fúria, Rômulo teria assassinado-o.”

Bom, essa é uma história que provavelmente aconteceu. Alguém fundou Roma. Só que essa pessoa foi mitificada ao longo dos anos. Para que esse tipo de mitificação ocorra, é necessário que se passem várias gerações.

Em outras palavras, para que o mito esteja totalmente consolidado é necessário que já não tenha mais nenhum resquício de alguém que conheça a história real, visto que essa pessoa poderia facilmente negar a história e acabar com o mito.

Não é o que acontece com Jesus.

A primeira epístola de Paulo aos tessalonicenses data de cerca de 50 anos depois de Cristo. E ela já fala da ressurreição. Isso dá um intervalo de apenas cerca de 20 anos entre a morte de Jesus e a fé na ressurreição!

É muito pouco tempo entre o evento real e a consolidação do mito. Alguns estudiosos acreditam que a mensagem da ressurreição já era maciçamente pregada apenas 50 dias após o evento!

Aliás, o apóstolo Paulo fala em testemunhas oculares ainda vivas, que poderiam ser consultadas:

“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem.” 1 Coríntios 15:3-6

Tácito, historiador romano, também cita os cristãos em 64d.C. durante o incêndio que assolou Roma na época de Nero. (http://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1cito_e_os_crist%C3%A3os)

Algumas pessoas conjecturaram que essa citação seria uma fraude ou interpolação, porém isso foi descartado e hoje sabe-se que a escrita é autêntica.

Ou seja, o cristianismo e a ressurreição de Jesus já estavam consolidados em um intervalo de tempo muito menor do que se espera para consolidação de um mito.

Mas mesmo Jesus não escapou da mitificação. Veja o trecho sobre a ressurreição narrada no evangelho apócrifo de Pedro:

Citação:
34. Pela manhã, ao despontar do sábado, veio de Jerusalém e das vizinhanças uma multidão para ver o túmulo selado. Ressurreição de Jesus 35. Mas durante a noite que precedeu o dia do Senhor, enquanto os soldados montavam guarda, por turno, dois a dois, ressoou no céu uma voz forte 36. e viram abrir-se os céus e descer de lá dois homens, com grande esplendor, e aproximar-se do túmulo. 37. A pedra que fora colocada em frente à porta rolou donde estava e se pôs de lado. Abriu-se o sepulcro e nele entraram os dois jovens. X 38. À vista disto, os soldados foram acordar o centurião e os anciãos, pois também estes estavam de guarda. 39. E enquanto lhes contavam tudo o que tinham presenciado, viram também sair três homens do sepulcro: dois deles amparavam o terceiro e eram seguidos por uma cruz. 40. A cabeça dos dois homens atingia o céu, enquanto a daquele que conduziam pela mão ultrapassava os céus. 41. Ouviram do céu uma voz que dizia: “Pregaste aos que dormem?” 42. E da cruz se ouviu a resposta: — “Sim”.



Esse, sim, é um relato floreado a respeito da ressurreição de Jesus. Repare que ele diz que todo o povo estava reunido em volta do túmulo esperando pra ver a ressurreição, que os anjos batiam com a cabeça nas nuvens e Jesus mais alto ainda…
Esse é um relato do século II. Ou seja, dois séculos após o evento. Aí havia tempo o bastante para a criação de um mito. Esse evangelho de Pedro muito provavelmente foi escrito pelos gnósticos, e foi desconsiderado como inspirado por Deus durante o concílio de Nicéia, junto com outros evangelhos igualmente fantasiosos.

Então não existem mitos de tempo presente?

Sim, existem. Isso também é possível. Existe um caso muito peculiar, aqui no Brasil mesmo.
Conta a história que duas pontes estavam sendo construídas sobre o rio Capibaribe, em Pernambuco. As construções atrasaram e o povo falava que era mais fácil fazer um boi voar do que ver a ponte terminada. Maurício de Nassau resolveu terminar essa ponte, e para atrair mais pessoas para sua obra, disse que iria fazer um boi voar, ali, na frente de todos.

“Conforme a crónica de frei Manuel Calado, a fim de obter um maior número de pessoas pagando pedágio na ponte, no dia da sua inauguração, Nassau havia feito anunciar que um boi manso, pertencente Melchior Álvares, iria voar.
Para a festa, para a qual foram convidados os membros do Supremo Conselho, mandou abater e esfolar um boi, e encher-lhe a pele de erva seca, tendo posto esta encoberta no alto de uma galeria que tinha edificada no seu jardim. Pediu a Melchior Álvares emprestado um boi muito manso que aquele tinha, e o fez subir ao alto da galeria e, depois de visto pelo grande número de pessoas presentes, mandou-o fechar em um aposento, de onde tiraram o outro couro de boi cheio de palha, e o fizeram vir voando por umas cordas com um engenho, para grande admiração de todos. Tanta gente passou de uma para outra parte da ponte que, naquela tarde, rendeu mil e oitocentos florins, não pagando cada pessoa mais que duas placas à ida, e duas à vinda.
O episódio é recordado, entre outros, numa canção de Chico Buarque, “Boi Voador Não Pode”.”

Um caso mais recente é o do ilusionista Criss Angel. Muita gente afirma que o ilusionista tem um pacto com satanás, de onde ele tira poderes pra realizar proezas sobre-humanas em seus shows. Dezenas de pessoas o viram levitar entre dois prédios em plena rua de Nova Yorque.

“has anyone considered that criss angel may well be a ET a lot of people are saying hes pretending to be jesus or evil, perhaps I feel that in the very near future we will hear a lot more from criss, lets be open minded people “

Esse forista acredita que o Criss Angel é um extraterreste. Quando alguém ele retrucou ele ainda respondeu:

“ok thats fine can you please enlighten me on how he walks on top of water and levitates above the trees, do you think it is possible that he maybe a ET or do you feel overall that they dont exist, in the video of him levitating at the golf course was that a ufo in the sky? if not was it a illusion, plane or some other vehicle in the sky. im truly interested in knowing how he does it.”

As pessoas tendem a atribuir ao sobrenatural aquilo que elas não sabem explicar. O que os dois casos possuem em comum é que maravilhas foram realizadas bem diante dos olhos de várias pessoas.
Ou seja, a criação de um mito de tempo presente necessita de um evento extraordinário acontecendo. E é isso que advogam os adeptos da primeira teoria dita mais atrás. Uma sucessão de eventos aconteceu que fez com que as pessoas tivessem a impressão de que Jesus realmente ressuscitou.
Então vamos tentar analisar a plausibilidade de todas essas teorias.
3) A teoria do desmaio

Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca. E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.” (João 19:28-30)

Algumas pessoas afirmam que Jesus na verdade nunca morreu na cruz. Inclusive, algumas chegam a supor que o vinagre relatado no caso acima seria alguma espécie de fitoterápico que simula uma espécie de anestésico, que daria a impressão de que Jesus havia morrido, quando na verdade ainda vivia.
Acho muito difícil, pra não dizer impossível, que essa teoria se sustente por alguém com bom senso crítico.

Jesus não poderia resistir aos ferimentos

Em primeiro lugar Jesus não dormiu na noite anterior àquela que foi crucificado. Ele foi espancado várias vezes e açoitado, e entrou em colapso a caminho da crucificação, carregando a cruz.
Em segundo lugar Jesus foi traspassado por uma lança após o momento da sua morte.

“O peso da evidência histórica e médica indica claramente que Jesus estava morto antes de ter sido ferido em seu lado e sustenta a visão tradicional de que a lança, que penetrou entre sua costela direita, provavelmente perfurou não somente o pulmão direito, mas também o pericárdio e o coração, assegurando, assim, sua morte. Conseqüentemente, interpretações baseadas na posição de que Jesus não morreu na cruz não vão de encontro ao conhecimento médico da atualidade.”

Esse parágrafo foi publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA). Quem quiser pode ler o original aqui:
Na verdade eu, como estudante de medicina posso simplificar as coisas:
O que os médicos do JAMA analisaram e disseram foi que provavelmente o líquido que saiu junto com o sangue de Jesus foi o líquido pericárdico (líquido que fica entre o coração e a membrana que o envolve, o pericárdio), o que seria uma evidência cabal da morte de Jesus.
Mas mesmo se a gente desconsiderar esse fato, Jesus provavelmente teria morrido de choque hipovolêmico (hemorragia maciça) ou asfixia por doença pulmonar restritiva (o peso do corpo sobre o pulmão o impediria de respirar, eventualmente).

Mesmo se Jesus não estivesse morto na cruz, não sobreviveria ao sepultamento

Ainda que tal droga conseguisse mimetizar tão perfeitamente o estado de morte que pudesse enganar os soldados (que checaram a morte dele 2x e nem lhe quebraram as pernas), Jesus teria ficado sepultado por 3 dias sem oxigênio, água ou alimentos. Além disso ele provavelmente teria sido levado a outras complicações letais, como infecções e choque. Não teria como ele sobreviver os 3 dias sem tratamento médico.
Mas ainda que ele tivesse sobrevivido a isso tudo, ele dificilmente conseguiria sair de lá dentro. Como um homem no estado dele conseguiria remover sozinho a pedra do túmulo? E passar despercebido pelos guardas?

Sobrevivendo a isso tudo, ele conseguiria pregar o cristianismo?

“É impossível que um homem que fugira de um túmulo, semi-morto, e que vagueara de um lado para outro fraco e doente, necessitado de cuidados médicos e da aplicação de bandagens às suas feridas, precisando de encorajamento e outros cuidados, pudesse dar aos discípulos a impressão de que era um vitorioso sobre a morte e sobre o túmulo, de que era o príncipe da vida, uma impressão que iria constituir a base para o futuro ministério deles. Recobrando-se de um desmaio somente, ele teria enfraquecido a impressão que deixara neles em vida e na sua morte, e, quando muito, teria emprestado à sua imagem um tom de lirismo, mas absolutamente não poderia haver transformado seu sofrimento em entusiasmo, nem elevado sua reverência, tornando-a adoração.” (David Friedrich Strauss)

Além da teoria do desmaio, existe uma outra teoria para explicar o túmulo vazio de Jesus. O roubo do corpo. Então vamos analisar a plausibilidade dessa teoria.
4) O corpo foi roubado
Esta é provavelmente a teoria mais difundida entre os céticos da ressurreição. Em primeiro lugar vamos analisar a hipótese do túmulo ter sido encontrado vazio.

O túmulo vazio

Nós temos diversas evidências na história de fontes históricas extra-bíbicas falndo sobre a morte de Jesus na cruz e sua condenação por Pôncio Pilatos. Então nós sabemos que ele foi sepultado, e também sabemos que a história da ressurreição só poderia se espalhar com a velocidade com que se espalhou se o túmulo estivesse vazio.

“A ressurreição não poderia ser sustentada em Jerusalém por um dia sequer, ou mesmo por uma hora, se o túmulo vazio não fosse aceito por todos como um fato consumado.” – > Paul Althaus, Universidade de Erlangen, Alemanha (citado por Josh McDowell; “As evidências da Ressurreição de Cristo”; Editora Candeia; São Paulo, 1994; p.119)

Vamos lembrar que história da ressurreição começou a ser pregada em Jerusalém, e seria muito fácil desconfirmar a história, bastaria visitar o túmulo e ver o corpo.
Na verdade creio que nenhum estudioso sustenta a idéia de que houvesse um corpo dentro do túmulo.

“Quando cada argumento é pesado e considerado, a única conclusão plausível para o historiador deve ser a de que as mulheres que foram prestar seu último lamento a Jesus encontraram, para sua consternação, não um corpo, mas um túmulo vazio.” Geza Vermes (The Ressurrection)

Detalhe que Geza Vermes é judeu! Ele não é cristão, mas admite que tudo indica que o túmulo estava, de fato, vazio.
O Dr. Paul L. Maier professor de História Antiga na Universidade de Western Michigan, conclui: “Se toda a evidência é verificada cuidadosamente e com justiça, é realmente justificável, de acordo com os padrões da pesquisa histórica, concluir que o túmulo no qual Jesus foi sepultado estava realmente vazio na manhã da primeira Páscoa. E nenhum sinal de evidência apareceu ainda, nas fontes literárias, epigrafia ou arqueologia, que pudesse negar esta afirmação”.
Só um adendo na objetivação do dr. Paul, já existe uma evidência contrária na arqueologia, o túmulo de Talpiot, mas ele é amplamente desconsiderado, especialmente depois do documentário “The Jesus Tomb Unmasked”.
Bom, como quase nenhum estudioso contesta o fato do túmulo vazio, também não vou me prender nele. O que os mais céticos contestam são as circunstâncias pelas quais o corpo desapareceu. Vamos analisar cada uma delas aqui.

Os motivos

Os romanos:
Bom, os romanos não eram candidatos a querer o corpo desaparecido. Vamos lembrar que o surgimento de uma doutrina filosófica poderia colocar em risco a aceitação passiva dos judeus em relação ao domínio que o império romano exercia sobre eles.
Tanto isso é verdade que Roma foi uma feroz combatente do cristianismo até que Constantino adotou a religião de forma oficial, três séculos mais tarde.
Os principais entre os judeus:
Esses eram outros que não queriam a nova filosofia se expalhando. primeiro porque ela colocava em xeque a autoridade deles, segundo porque foram eles mesmos que levaram à morte de Jesus. Eles não iriam potencializar a filosofia contra a qual eles lutaram tão arduamente.
Os discípulos:
Eles poderiam até ter os motivos, (ainda que isso seja meio obscuro) mas será que tinham os meios? Vou discutir sobre isso um pouco mais adiante.
Alguém não conectado a Jesus:
É difícil teorizar porque alguém teria a intenção de roubar o corpo de Jesus, não sendo um desses três. Poderia ser alguém como Leonardo da Vinci, que roubava corpos de um cemitério para estudar anatomia. Ainda assim a escolha pelo corpo de Jesus, em particular, parece ser obtusa, ainda mais porque o corpo estava sendo vigiado por soldados romanos.
José de Arimatéia:
Ele era o dono do sepulcro onde Jesus foi enterrado. Ele poderia ter roubado o corpo secretamente, de maneira que os discípulos pensassem que Jesus ressuscitou. Mas ele enfrentaria as mesmas dificuldades que os citados acima, que discutirei agora.

Os meios

Este é o decreto de Nazaré. Ou a Inscrição de Nazaré.
A origem dela é meio obscura. Ela fazia parte do acervo pessoal de um colecionador chamado Franz Cumont. Ele morreu em 1925 seu lote foi doado. A única inscrição nela que remete à algum dado histórico diz “marble slab sent from Nazareth in 1878” (laje de mármore enviada de Nazaré em 1878). Sua autenticidade já foi questionada, mas hoje sabe-se que ela é datada por volta de 42.D.C. e é autêntica. Na fonte tem mais dados sobre ela.
A inscrição diz:

“Édito de César: É minha decisão que túmulos e tumbas permaneçam perpetuamente inviolados. Mas se alguém delatar que outra pessoa destruiu, ou de alguma forma retirou aqueles que foram sepultados, ou moveu o corpo para outro lugar com intenção maléfica, ou cometeu algum crime contra o morto, ou removeu a pedra que sela o sepulcro, contra esses eu ordeno que haja um julgamento, principalmente se for por motivo religioso. Pois é necessário que se honre aqueles que foram sepultados. Ninguém deve retirar o corpo sob nenhuma circunstância. Mas se alguém não cumprir minha ordem, é meu desejo que sofra a pena capital, sob acusação de violação da sepultura”

Quando ela foi descoberta, divulgou-se de que ela seria uma reação do imperador romano (Cláudio, o César da época) à notícia do desaparecimento do corpo de Jesus. Isso poderia ser a prova indiscutível da ressurreição de Jesus.
Na verdade os céticos argumentam que mesmo a origem dela é incerta. Segundo eles, Nazaré era uma cidade portuária e mercantil (embora não se saiba muito a respeito da cidade) e que a laje poderia ter sido comprada por alguém lá e lá ficado até ser adquirida pelo colecionador. Além disso, eles também argumentam que esse tipo de decreto era comum entre os romanos, e que isso não seria uma reação à descoberta do desaparecimento do corpo.

Independente disso, esse decreto deixa uma certeza: as leis sobre a violação de túmulo eram extremamente rígidas! Quem quer que o violasse, estaria sujeito à pena capital, seja o dono do sepulcro, ou familiares e pessoas próximas ao morto.

Sem contar que o ladrão do túmulo teria uma missão difícil para roubar o corpo. Ele estava guardado por soldados romanos. Quem quer que o fizesse precisaria esperar que os guardas dormissem, remover a pedra de duas toneladas silenciosamente, e sair com o corpo sem serem notados.
A resposta de Pilatos aos fariseus foi “Vocês têm uma guarda”, o que pode ser interpretado a partir dessa frase é: eles tinham uma guarda do exército romano ou já tinham a sua própria guarda como a polícia do templo. As autoridades predominantes concluem que uma guarda romana fora colocada lá. De outra forma, por que os fariseus iriam pedir a Pilatos que mantivesse o sepulcro em segurança? Eles não precisariam de sua autorização para colocar uma guarda que estava sob suas ordens.
As guardas romanas eram da ordem de cerca de 10 a 30 soldados.
Apesar disso, o número de guardas é apenas uma especulação. Ninguém sabe ao certo quantos guardas havia. Alguns estudiosos afirmam que seria apenas 4. Outros que havia mais de 25 ali, que se revezavam em turnos.
Além disso, os guardas colocaram o selo romano no túmulo.
“E, indo eles, seguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra.”
(Mateus 27:66)
O livro de Mateus coloca uma luz sobre o assunto:

“E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, 
Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram.
E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.
E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje.” (Mateus 28:12-15)

Algumas pessoas argumentam que esse já era um boato que ocorria na época, como se percebe quando Mateus usa a expressão “até os dias de hoje”. Com isso, eles alegam que os soldados poderiam ter sido subornados pelos ladrões do corpo.
Mas vejam, se os soldados aceitassem o suborno eles estariam arriscando suas próprias vidas! Na situação descrita em Mateus o corpo já havia desaparecido. Ou eles aceitavam o suborno e contavam com um aliado pra dissuadir o imperador da pena capital, ou eles mantinham a história da ressurreição miraculosa e perdiam a vida. Os guardas colocaram o selo romano no túmulo pra ter certeza de que ele jamais seria rompido, pois uma vez rompido o selo, os guardas também pagariam com suas vidas.
Além do mais, como eu já disse, a ideia de todos os guardas dormindo ao mesmo tempo, e dos ladrões conseguindo remover a pedra silenciosamente e roubar o corpo furtivamente é muito ilógica. Fora o risco altíssimo ao qual eles estariam se submetendo. Sem contar que o caráter moral dos judeus da época considerava um sacrilégio fazer isso no dia de sábado.
Representação dos túmulos da época de Jesus.

A disposição dos lençóis

Existem dois dados relevantes aqui acerca dos lençóis que envolveram Jesus.
1) “Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.” (João 20:6-7)
O Sudário não estava junto com os panos no chão. Ele estava enrolado e em um lugar à parte. Isso não demonstra a ideia de fuga! Os lençóis, aparentemente, também não estavam jogados.

“Não sei dizer o porquê disso, mas a ARA omite uma palavra do verso 6 e do verso 7. No verso 6, é dito que ele [Pedro] “também viu os lençóis.” Em grego, a frase diz literalmente: “e viu os lençóis colocados” ( καὶ θεωρεῖ τὰ ὀθόνια κείμενα ). Neste caso, a expressão τὰ ὀθόνια κείμενα (ta othonia keimena) diz que os lençóis estavam dispostos, colocados, não jogados. Inclusive, segundo o Analytical Lexicon of the Greek New Testament, o verbo κείμαι (keimai), que na expressão aparece no particípio presente passivo plural acusativo neutro (em concordância com e qualificando τὰ ὀθόνια ), significa, literalmente, o resultado de colocar algo em algum lugar, com ênfase no sentido espacial [2]. Em outras palavras, κείμενα significa colocados espacialmente, dispostos. Ainda, segundo Lidell, o verbo κείμαι, originalmente, significa deitar esticado, reforçando o sentido de que os lençóis estavam dispostos, organizados, esticados e não jogados [3].
No verso 7, é dito que o lenço ( σουδάριον ) “não estava com os lençóis.” Em grego, a frase diz literalmente: “não com os lençóis colocado” ( οὐ μετὰ τῶν ὀθονίῶν κείμενον ). Nesse caso κείμενον (keimenon) se refere à σουδάριον (soudarion), ambos no neutro singular, e não à τῶν ὀθονίῶν (tōn othoniōn), genitivo plural. O que está sendo dito é que ao invés de estar colocado espacialmente, o lenço está ἐντετυλιγμένον (entetyligmenon), dobrado, em outro lugar. Assim, João está contrapondo o lugar onde os lençóis e o lenço estão, mais do que a sua disposição. Enquanto os lençóis estão dispostos, organizados de um lado, o lenço está em outro lugar dobrado. Apesar de não podermos, taxativamente, afirmar, biblicamente, que os lençóis estavam dobrados, podemos com segurança afirmar que eles estavam, no mínimo, organizados e não jogados.”

2) O segundo é mais óbvio. Se alguém fosse roubar o corpo de Jesus, bastava pegar o corpo e levá-lo. Para que alguém se daria ao trabalho de desenfaixar o cadáver e levar o corpo nu de Jesus?

Outras teorias para explicar o sumiço do corpo

Teoria do túmulo errado: Essa teoria pra mim não é nem digna de nota. Estou colocando porque sei que ela existe e quero fazer uma compilação bem completa.
Acho que é muita forçação de barra acreditar que todo mundo esqueceu qual era o túmulo e foi procurar o corpo em outro. Até porque as mulheres já haviam estado lá antes. Se o próprio império romano tivesse realocado o corpo nesse ínterim, eles o teriam apresentado na época pra acabar com os crescentes rumores da ressurreição.
Teoria do não-sepultamento: Essa teoria diz que Jesus em vez de sepultado foi jogado em uma vala qualquer junto com os outros crucificados. Mas se esse fosse o caso os evangelhos não teriam como ser tão específicos sobre o túmulo onde Cristo foi enterrado. Ele foi enterrado no túmulo de José de Arimatéia, um membro do conselho! Se isso fosse uma invenção qualquer um em Jerusalém teria descreditado os relatos e a história da ressurreição não teria crescido ali naquele local.
Uma outra coisa que depõe contra o fato de que o corpo de Jesus foi roubado é que Jesus apareceu para muita gente depois. Vamos analisar esse fato.
5) As aparições de Jesus
Os evangelhos dizem que Jesus apareceu a:
1) Maria Madalena (João 20:10-18)
2) Maria e outras mulheres (Mateus 28: 1-10)
3) Pedro (1 Corintios 15:5)
4) Dois discípulos (Lucas 2:13-35)
5) Dez discípulos (Lucas 24:36-49; João 20:19-23)
6) Onze discípulos (João 20:24-29)
7) Sete discípulos (João 21)
8) Todos os discípulos -> grande comissão (Mateus 28:16-20; Marcos 16:14-18)
9) Quinhentas pessoas (1 Corintios 15:6)
10) Tiago (1 Corintios 15:7)
11) Todos os apóstolos -> ascensão (Atos 1:4-8)
12) Paulo (Atos 9:1-9; 1 Corintios 15:8)
O caso do apóstolo Paulo é emblemático.
Ele era um judeu convicto e um feroz perseguidor do cristianismo. Ele chegou inclusive a matar alguns cristãos, como o caso de Estêvão, narrado no livro de Atos. Ele era um perseguidor tão contumaz que pediu permissão para ir para outra cidade, Damasco, para combater o avanço do cristianismo lá também.
Só que nesse caminho ele teve uma visão e a partir daí, de ferrenho combatente se tornou um dos maiores cristãos.
Existem duas fontes diferentes que relatam a visão de Paulo. O evangelista Lucas (autor do livro de Atos), e próprio Paulo confirma a história.
Ele teve sua vida transformada naquele momento, além disso, ele creditava sua própria salvação ao fato de que Jesus ressuscitou:

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9)

Vale lembrar que o apóstolo Paulo morreu torturado e decapitado por Nero, em 67d.C. exatamente por sustentar essa versão da história.
Então alguma coisa certamente ele viu.
Vamos analisar a teoria que tenta explicar isso.

A teoria da alucinação

Essa teoria diz que as aparições de Jesus são apenas fruto da imaginação dos que viram. Do mesmo jeito que muitas pessoas vêem espíritos em casas mal assombradas apenas porque acreditam que eles estejam lá, os discípulos viram Jesus apenas porque isso era algo que eles queriam ver.
Como diz o ditado: “A assombração sabe pra quem vai aparecer”.
Então vamos analisar essa hipótese.

A pré-disposição para ver Jesus existia?

Tudo indica que não. Eis aqui os motivos:
1) Os discípulos provavelmente não entenderam que Jesus haveria de ressuscitar, ou não acreditaram, porque eles se reuniram em Jerusalém para discutir como eles fariam para fugir de lá e voltarem para suas vidas de pescadores.
2) A princípio, ninguém acreditou que Jesus havia ressuscitado:
“E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.” (João 20:1-2)
Reparem que Maria Madalena, a princípio, não acreditou na ressurreição, mas sim que o corpo havia sido roubado.
“Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.” (João 20:24-25)
3) Eles não reconheceram Jesus quando o viram.
“E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.” (João 20:14)
Nada disso demonstra um estado de sugestionamento. Além deles não crerem quando contaram que Jesus havia ressuscitado, não o reconheceram quando o viram. Isso é totalmente diferente das visões de pré-sugestionamento, onde qualquer coisa diferente que se vê ou escuta é logo atribuída àquilo que se quer ver ou interpretar.
4) A mudança de postura.
O apóstolo Paulo perseguia e matava cristãos. A visão dele não pode ser de maneira nenhuma atribuída à idéia de alguém sugestionado, visto que a última coisa que ele iria querer ver é alguém que colocasse em xeque tudo aquilo que ele julgava ser o mais correto padrão ideológico que existia.

As alterações da percepção

Essas são as alterações da percepção que nós temos, segundo os conhecimentos atuais da psiquiatria:
5. FALSAS PERCEPÇÕES:
a. PAREIDOLIAS: percepções fantásticas em um objeto real (imagens de animais quando se olha para as nuvens, mas o observador sabe que o objeto observado é uma nuvem);
b. ILUSÕES: percepções deformadas do objeto real momentaneamente aceita pelo juízo de realidade.
c. ALUCINAÇÕES: aparecimento de uma imagem na consciência sem um objeto real (imagem alucinatória), com as características de uma imagem perceptiva real e por isso aceita pelo juízo de realidade:
– Alucinações Visuais: podem ser elementares (fagulhas, clarões), diferenciadas (figuras, visões), lilipudianas (diminuídas) e guliverianas (gigantes);
– Alucinações auditivas: são as mais comuns, podem ser elementares (zumbidos, estalidos) e diferenciadas (vozes). Na esquizofrenia as vozes se dirigem ao paciente (primeira pessoa) e na alucinose alcoólica falam dele (terceira pessoa).
– Alucinações olfativas e gustativas: são raras e quase sempre associadas, consistem em cheiros desagradáveis (gás, lixo, animais mortos).
– Alucinações táteis: formigamento, picadas, queimaduras, animais repugnantes, relacionadas ao uso de cocaína e anfetaminas.
– Alucinações cenestésicas: relacionadas a sensibilidade visceral. Por exemplo, o paciente diz que seu intestino está amolecendo e apodrecendo.
– Alucinações sinestésicas: fusão e troca de duas imagens de qualidades sensoriais diferentes. Por exemplo, ver a cor do som.
– Alucinações cinestésicas: relacionada aos movimentos.
– Alucinações hipnagógicas (ocorre ao adormecer) e hipnopômpicas (ao acordar). Não significam doença, pois podem ocorrer em indivíduos sem doenças psiquiátricas.
d. PSEUDO-ALUCINAÇÕES: não possui projeção no espaço e nem corporeidade. Surge como vozes internas ou imagens internas e podem ocorrer nas mesmas situações das alucinações.
e. ALUCINOSES: possuem projeção no espaço externo e ocorre certa estranheza do paciente quando ao fenômeno perceptivo ocorrido, podem surgir no rebaixamento do nível de consciência e em lesões pedunculares e occipitais, assim como no alcoolismo (por exemplo: alucinose alcoólica).
A visão de Jesus se encaixaria, provavelmente, no critério Alucinação, e precisaria haver uma superposição de várias delas. Mas existem muitas coisas que depõem contra a teoria da alucinação.
As alterações da percepção são muito particulares. Se você for hoje a um hospital psiquiátrico vai ver pessoas com os mais variados distúrbios possíveis. Uns acham que são ETs, outros que são um sapo, outros que conversam telepatiamente com o Lula, outros que vêem monstros asquerosos, etc.
Alguém pode argumentar que na época de Freud e de outros, em que esses distúrbios começaram a ser descritos era muito clássico pessoas que achavam que eram Napoleão Bonaparte. Ele era uma figura história importante e relevante na época. No contexto histórico do Brasil atual, é extremamente raro distúrbios psiquiatricos envolvendo Napoleão. Da mesma forma, poderia ser comum que as pessoas vissem Jesus, já que a pregação da sua ressurreição já era um fato notório.
Mas mesmo assim não é comum que as pessoas vejam exatamente a mesma pessoa, e que ela faça a mesma cena. Aliás, essas percepções particulares passam pela mente das pessoas, como as pessoas que alegam verem ETs, e que todas elas vêem aquele mesmo padrão holywoodiano de um humanóide com cabeção e pele geralmente acinzentada ou esverdeada.
Jesus, por outro lado, fez coisas surpreendentes nessas aparições, o que contraria a lógica de um distúrbio psiquiátrico. Vejam:
“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.” (Atos 1:9)
Além do mais, mesmo que a alucinação pudesse se apresentar dessa forma, ainda assim não seria coerente crer que mais de 5 centenas de pessoas tivessem tido a mesma alucinação, simultaneamente.
Eles também não pareciam ser pessoas atormentadas por alterações constantes de percepção. O apóstolo Paulo parecia estar em seu perfeito juízo. Vejam esse trecho:
“Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor.” (Gálatas 2:15-18)
Percebam que ele cria toda uma linha argumentativa pra expôr o motivo pelo qual ele fala sua mensagem. Ele queria dizer aos gálatas que não havia necessidade de se circuncidarem mais, como os judeus, para se relacionarem com Deus, então se eles vivem pela fé mas voltam para a lei, então já estão trasngredindo a lei, por terem-na abandonado em primeiro lugar.
Essa linha de argumentação mostra uma pessoa em plena capacidade cognitiva, não uma pessoa atormentada por distúrbios psiquiátricos.
E mesmo sabendo que esse tipo de alucinação pode ocorrer em pessoas normais e até intelectuais, como nos casos de luto ou evento pós-traumático agudo, psicoses transitórias ou histeria, em nenhum momento o apóstolo Paulo se mostrou como sendo uma pessoa suscetível a esse tipo de transtorno, até porque ele também se baseava no testemunho de outras pessoas.
Mas tem mais.

Atitudes físicas

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” (Lucas 24:39)
“Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; O que ele tomou, e comeu diante deles.” (Lucas 24:42-43)
Jesus foi tocado pelos discípulos, e comeu com eles. Alucinação não se alimenta. Ou ainda que se tenha uma visão de alguém se alimentando, essa visão não pode consumir a comida oferecida, se esta for real. Alucinações também não podem ser tocadas, ainda que existam algumas formas de alucinações táteis, elas não coexistem com alucinações visuais.
Além disso, as alucinações geralmente duram alguns segundos ou minutos, e tendem a mudar constantemente. Jesus ficou com eles por quarenta dias!
“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (Atos 1:3)
Por fim, uma última hipótese, que é uma espécie de superposição de algumas dessas já apresentadas.
6) A teoria da conspiração
Essa teoria diz que os discípulos, de alguma forma, sumiram com o corpo e criaram uma história fantasiosa a respeito de Jesus.
Em primeiro lugar, como eu já mostrei, os escritos não parecem ser forjados, e as teorias do sumiço do corpo também são bem obscuras, além dessa atitude não condizer com a conduta moral dos apóstolos.
De qualquer forma, creio que a mais contundente prova contra a teoria da conspiração é a seguinte: todos os apóstolos entregaram suas vidas para defender a mensagem do evangelho!
Vou repetir aqui o que coloquei no outro post, a morte dos discípulos:

ANDRÉ
Foi discípulo de João Batista, de quem ouviu a seguinte afirmação sobre Jesus: “Eis aqui o Cordeiro de Deus”. André comunicou as boas notícias ao seu irmão Simão Pedro: “Achamos o Messias” (João 1.35-42; Mateus 10.2). O lugar do seu martírio foi em Acaia (província romana que, com a Macedônia, formava a Grécia). Diz a tradição que ele foi amarrado a uma cruz em forma de xis (não foi pregado) para que seu sofrimento se prolongasse.
BARTOLOMEU
Tem sido identificado com Natanael. Natural de Caná de Galiléia. Recebeu de Jesus uma palavra edificante: “Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo” (Mateus 10.3; João 1.45-47) Exerceu seu ministério na Anatólia, Etiópia, Armênia, Índia e Mesopotâmia, pregando e ensinando. Foi esfolado vivo e crucificado de cabeça para baixo. Outros dizem que teria sido golpeado até a morte.
FILIPE
Natural de Betsaida, cidade de André e Pedro. Um dos primeiros a ser chamado por Jesus, a quem trouxe seu amigo Natanael (João 1.43-46). Diz-se que pregou na Frigia e morreu como mártir em Hierápolis.
JOÃO
O apóstolo que recebeu de Jesus a missão de cuidar de Maria. “O discípulo que Jesus amava” (João 13.23). Pescador, filho de Zebedeu (Mateus 4.21 O único que permaneceu perto da cruz (João 19.26-27). O primeiro a crer na ressurreição de Cristo (João 20.1-10). A tradição relata que João residiu na região de Éfeso, onde fundou várias igrejas. Na ilha de Patmos, no mar Egeu, para onde foi desterrado, teve as visões referidas no Apocalipse (Apocalipse 1.9). Após sua libertação teria retornado a Éfeso. Teve morte natural com idade de 100 anos.
JUDAS TADEU
Foi quem, na última ceia, perguntou a Jesus: “Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?” (João 14:22-23). Nada se sabe da vida de Judas Tadeu depois da ascensão de Jesus. Diz a tradição que pregou o Evangelho na Mesopotâmia, Edessa, Arábia, Síria e também na Pérsia, onde foi martirizado juntamente com Simão, o Zelote.
JUDAS ISCARIOTES
Filho de Simão, traiu a Jesus por trinta peças de prata, enforcando-se em seguida.(Mateus 26:14-16; 27:3-5).
MATEUS
Filho de Alfeu, e também chamado de Levi. Cobrador de impostos nos domínios de Herodes Antipas, em Cafarnaum (Marcos 2.14; Mateus 9.9-13; 10.3; Atos 1.13). Percorreu a Judéia, Etiópia e Pérsia, pregando e ensinando. Há várias versões sobre a sua morte. Teria morrido como mártir na Etiópia.
MATIAS
Escolhido para substituir Judas Iscariotes (Atos 1.15-26). Diz-se que exerceu seu ministério na Judéia e Macedônia. Teria sido martirizado na Etiópia.
PAULO
Israelita da tribo de Benjamim (Filipenses 3.5). Natural de Tarso, na Cilícia (hoje Turquia). Nome romano de Saulo, o Apóstolo dos Gentios. De perseguidor de cristãos, passou a pregador do evangelho e perseguido. Realizou três grandes viagens missionárias e fundou várias igrejas. Segundo a tradição, decapitado em Roma, nos tempos de Nero, no ano 67 ou 70 (Atos 8.3; 13.9; 23.6; 13-20).
PEDRO
Pescador, natural de Betsaida. Confessou que Jesus era “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16). Foi testemunha da Transfiguração (Mateus 17.1-4). Seu primeiro sermão foi no dia de Pentecostes. Segunda a tradição, sua crucifixão verificou-se entre os anos 64 e 67, em Roma, por ordem de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por achar-se indigno de morrer na mesma posição de Cristo.
SIMÃO, o Zelote
Dos seus atos como apóstolo nada se sabe. Está incluído na lista dos doze, em Mateus 10.4, Marcos 3.18, Lucas 6.15 e Atos 1.13. Julga-se que morreu crucificado.
TIAGO, O MAIOR
Filho de Zebedeu, irmão do também apóstolo João. Natural de Betsaida da Galiléia, pescador (Mateus 4.21; 10.2). Por ordem de Herodes Agripa, foi preso e decapitado em Jerusalém, entre os anos 42 e 44.
TIAGO, O MENOR
Filho de Alfeu (Mateus 10.3). Missionário na Palestina e no Egito. Segundo a tradição, martirizado provavelmente no ano 62.
TOMÉ
Só acreditou na ressurreição de Jesus depois que viu as marcas da crucificação (João 20.25). Segundo a tradição, sua obra de evangelização se estendeu à Pérsia (Pártia) e Índia. Consta que seu martírio se deu por ordem do rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, no ano 53 da era cristã.

Uma mentira só é sustentada enquanto há lucro para quem a diz. Essas pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas por pregar a mensagem da ressurreição de Jesus!
7) Considerações finais
Bom, as últimas considerações quero fazer são a de que além de todas essas teorias dificilmente se sustentarem sozinhas, a maior parte delas depende de outras, o que torna tudo muito menos provável. A teoria da alucinação, por exemplo, depende de uma teoria de sumiço do corpo, visto que mesmo vendo Jesus em visão, a presença do corpo inviabilizaria a idéia da ressurreição, assim como a teoria do mito espontâneo. A teoria do desmaio depende da teoria da conspiração. Etc.
Se alguém for analisar as evidências sem conclusões pré-estabelecidas vai ver que tudo indica que Jesus realmente ressuscitou. 
Quero deixar uma citação para reflexão de todos. É de Pinchas Lapide, judeu ortodoxo, e inclusive cônsul israelense na Itália. Já escreveu mais de 30 livros, e um deles especificamente sobre a ressurreição. Sem negar suas tradições judaicas ou se converter ao cristianismo ele afirmou o seguinte:

Citação:
Eu entendo, com base em minhas pesquisas, que a ressurreição de Jesus não foi uma invenção da comunidade de discípulos, mas um evento real (…) Quando que um bando de temerosos apóstolos poderia repentinamente se transformar numa só noite numa confidente sociedade missionária? … Nenhuma visão ou alucinação poderia explicar uma transformação tão revolucionária.

Fonte: Fórum.

Leia a 1ª parte aqui e a 3ª parte aqui!