Tubarão martelo: Martelada mortal na evolução?

Assisti hoje a coisa mais bizarra do mundo. E tô irritado até agora, pois foi demais da conta. Um documentário no NatGeo sobre tubarões chega ao seu ápice com os tubarões martelo e os descreve como uma maravilha sem-par de tecnologia e sofisticação. Mestres em manobras e capazes, com seu cérebro exótico, de detectar peixes enterrados no fundo do mar por variações de bilionésimos de volts. E aí o bizarro dos bizarros: sem medo de ser feliz e falar a maior estupidez do mundo, pois me desculpem, mas foi pura estupidez televisiva (quase liguei para o Procon), o sujeito diz que há algo muito “estranho” com os tubarões martelo, algo errado que não está certo, sim, e eu sei o que é, pois eles não evoluíram aquele “martelo magnífico” lenta, gradual e sucessivamente, mas o “martelo” teria surgido do “nada”, há mais de 400 milhões de anos e, de fato, seus martelos antes eram até maiores, a julgar pelo registro fóssil, sendo um exemplo “incrível” de “adaptação imediata”.

Gente, pode tal absurdo em “rede nacional de TV”?! Uma maravilha de tecnologia e sofisticação, um radar de altíssima sensibilidade, um cérebro hiper mega high techsurgindo do “nada”… Uns trocentos milhões de mutações benéficas todas de uma só vez e de primeira? Santa enganação! Devem achar que somos todos “retardados”.

Me desculpem pela falta de educação, mas tô irritado com tanta enganação e besteirol, tudo por culpa de uma vontade de negar o óbvio. Só porque idolatram Darwin, detestam a ideia de um designer e não gostam da inevitável conclusão de que tubarões martelo foram projetados por um ser de extrema inteligência e maestria sem-par neste Universo. Mas isso vai em breve acabar, ah vai…

Fonte: Dr. Marcos Eberlin via Criacionismo.

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Erros comuns dos que negam a “Terra jovem” (datação sequestrada pela filosofia!)

Desde a ascensão do uniformitarianismo geológico, no início do século 19, muitos […] têm se rendido a essa nova “ciência”. Consequentemente, têm rejeitado a simples e tradicional interpretação histórico-gramatical dos relatos da criação e do dilúvio. Com frequência, recorrem a raciocínios equivocados a fim de dar suporte à sua reinterpretação comprometida. A seguir, discutiremos os três erros mais comumente cometidos.

Apelando ao “propósito” do texto

Defensores da Terra antiga frequentemente apelam ao “propósito” do relato da criação, em geral reivindicando ser ele primeiramente teológico em vez de histórico. Por exemplo, Bruce Waltke, citando Charles Hummel, argumenta que Gênesis 1–2 não seria um relato puramente descritivo respondendo a perguntas do tipo “o quê?”, “como?” e “o que seria?”[1] Ao contrário, seria prescritivo, uma vez que responde ao “como”, ao “por que” e ao que “deveria ser”. Consequentemente, o relato de Gênesis a respeito da criação e da queda discutiria assuntos teológicos gerais em vez de descrever eventos históricos reais. Similarmente, Bernard Ramm afirma que as Escrituras “nos dizem enfaticamente que Deus criou, mas silenciam sobre como Deus teria criado. Isso nos diz que as estrelas, as flores, os animais, as árvores e o homem são criaturas de Deus, mas como Deus os produziu não é algo afirmado em lugar algum nas Escrituras”.[2]

Entretanto, tal visão simplesmente não se alinha com o que as Escrituras realmente afirmam. Como Walter Kaiser responde, “[esse é] um óbvio desprezo da frase repetida dez vezes, ‘e Deus disse’…”.[3] Certamente, a ação criativa de Deus é descrita com precisão usando os verbos “criou”, “fez”, “disse”, “chamou”, “estabeleceu”, “formou”, “causou”, “tomou”, “plantou” e “abençoou”. Além disso, essas atividades são descritas do início ao fim, e se espalham por um período de seis dias. Em outras palavras, o relato de Gênesis descreve exatamente a forma como Deus criou, a ordem na qual Ele criou, e o tempo de Sua ação criativa – e assim entendiam os escritores do Novo Testamento.[4] Se, de outra forma, tudo o que o autor pretendia comunicar era que “Deus é o Criador de todas as coisas”, então com certeza o primeiro verso seria suficiente.

Da mesma forma, Bill Arnold afirma: “A importante lição de Gênesis 1 é que [Deus] de fato criou todas as coisas, e que Ele o fez de forma boa e ordenada em todos os aspectos.” Ele adiciona: “Se fosse importante saber quanto tempo levou para Deus criar o mundo, a Bíblia teria deixado isso claro.”[5] Contudo, o relato da criação diz explicitamente que Deus criou em seis dias. O primeiro dia foi seguido por um segundo, terceiro, quarto, quinto e sexto dia, quando a criação foi finalizada (Gênesis 2:1-2). Êxodo 20:11 confirma que Deus criou “em seis dias”. O que poderia ser mais claro?[6]

Ninguém duvida, é claro, de que Gênesis faça uma contribuição teológica fundamental, mas dizer que Gênesis é primariamente teológico em vez de histórico é estabelecer uma falsa dicotomia; história e teologia não são mutuamente exclusivas. “O fato é que toda a Bíblia apresenta sua mensagem como teologia dentro de um quadro histórico.”[7] Por exemplo, a ressurreição de Jesus é uma doutrina teológica fundamental, mas seria inútil a menos que tivesse ocorrido historicamente (1 Coríntios 15).

De qualquer modo, a intenção e o propósito dos autores da Bíblia são certamente expressos no próprio texto. De que outra forma o leitor pode saber a intenção do autor se não pelo que o autor de fato afirma no texto? Do contrário, o significado do texto teria que ser descoberto primeiro, antes que houvesse qualquer expectativa de se determinar a intenção do autor. Sugestões de intenção e propósito que não sejam derivadas diretamente do próprio texto só podem vir da imaginação de quem interpreta. Portanto, atribuir intenção e propósito não diretamente derivados do texto é subjugar as Escrituras à imaginação do intérprete.

Exigência de conformidade às atuais visões científicas

Os mesmos crentes na Terra antiga exigem que qualquer interpretação seja consistente com as visões “científicas” atualmente aceitas. Contudo, são por si mesmos seletivos e inconsistentes em sua exigência por conformidade científica. Conquanto rápidos em repreender criacionistas bíblicos (defensores da Terra jovem) por defenderem interpretações dos relatos de Gênesis, no que diz respeito à criação e ao dilúvio, que parecem ir contra as visões científicas atuais, muitos não têm problema em aceitar interpretações literais da concepção virginal, dos milagres de Cristo, e da ressurreição – todos os quais parecem ir contra visões científicas atuais!

Veja o milagre de Jesus ao transformar água em vinho (João 2:1-11) como um exemplo dessa inconsistência. Poucos (se algum) defensores da Terra antiga que se declaram evangélicos com uma visão elevada das Escrituras duvidariam que Cristo literalmente e milagrosamente transformou água em vinho. Entretanto, esse ato é cientificamente impossível! Água simplesmente não possui os átomos de carbono que o vinho possui. Mesmo que fornecêssemos esses átomos na forma de açúcar e fermento, o processo de fermentação levaria tempo (várias semanas), mas o texto indica que isso tudo ocorreu de forma instantânea. Por que, então, os defensores da Terra antiga não reinterpretam esse (e outros) relatos? Por que aceitar alguns atos sobrenaturais de Deus e outros não?

Revisionismo histórico

É difícil encontrar exemplos piores de reescrita histórica do que aquelas feitas por muitos evangélicos defensores da Terra antiga, com respeito à visão histórica da igreja sobre o relato da criação.[8] Essas visões históricas equivocadas são refutadas detalhadamente noutro artigo.[9] A interpretação objetiva do relato da criação descrevendo uma Terra jovem tem sido a visão tradicionalmente aceita pela igreja ao longo de sua história até a ascensão do pensamento iluminista, no Século 18.[10] David Hall lamenta: “O registro histórico é abundantemente claro nesse ponto; entretanto, convencer alguns teólogos a renunciar uma opinião conflitante com a história real é o equivalente à extração do dente do siso. Alguém precisa questionar essa teimosa resistência, especialmente quando confrontada com tanta informação factual. Por que, pergunto, ótimos e piedosos teólogos lutariam contra a história com tanta energia quando os argumentos contra isso são tão claros?”[11]

Outros exemplos de revisionismo histórico realizado por evangélicos que defendem uma Terra antiga incluem o tratamento que a Igreja supostamente deu a Colombo e a Galileu. Segundo esses evangélicos, esses “cientistas” estavam corretos, enquanto a dogmática igreja estava errada, e devemos ser cuidadosos para não cometer os mesmos erros atualmente. [Leia “O mito da Terra plana”.Clique aqui.] 
Frederico I, imperador do Sacro Império Romano, como cruzado, segurando uma orb, que representa a Terra, com uma cruz no topo, simbolizando o senhorio de Cristo

Tais conclusões são baseadas na crença tradicional de que, antes de fazer sua histórica viagem em 1492, Cristóvão Colombo compareceu diante de uma multidão de teólogos dogmáticos e inquisidores ignorantes, todos crentes que as Escrituras ensinavam que a Terra era plana. Colombo então partiu a fim de provar que todos eles estavam errados, velejando ao redor do globo. Embora seja verdade a ocorrência de uma reunião em Salamanca, no ano 1491, essa ideia comumente aceita do que teria ocorrido não possui um pingo de verdade. O historiador Jeffrey Burton Russel identifica Washington Irving (1783-1859), um notável escritor norte-americano de ficção histórica, como uma das primeiras fontes desse “conto popular”.[12] Irving criou o relato fictício de um inexistente conselho universitário e deixou sua imaginação correr livremente.[13] O relato inteiro é “enganador e perniciosamente sem sentido”.[14] Russell demonstrou que, com pouquíssimas exceções, do século 3 a.C. em diante, todo cidadão educado no mundo ocidental acreditava que a Terra era um globo. Não é, portanto, acidental que reis medievais fossem presenteados com uma orb (esfera), representando a Terra como símbolo do seu poder.

Da mesma forma, é comum acreditar que as observações e os argumentos de Galileu ofereceram apoio esmagador à teoria de Copérnico (de que a Terra orbita o Sol), mas os teimosos, dogmáticos e ignorantes teólogos da Igreja Católica quiseram silenciar Galileu com medo de que sua tradicional interpretação das Escrituras fosse exposta como equivocada. Isso por medo de que tal fato invalidasse a reivindicação da igreja como autoridade da interpretação bíblica. Contudo, como demonstrou Thomas Schirrmarcher, “a apresentação do processo contra Galileu como um heroico cientista se posicionando contra o dogmatismo de mente limitada da igreja cristã repousa inteiramente sobre um mito, não sobre uma pesquisa histórica”.[15, 16]

Os desacordos entre cientistas e teólogos da época refletiam não um conflito entre o cristianismo e a ciência, mas um conflito entre a filosofia aristotélica e a ciência.[17] Galileu era um cientista convencido da verdade e acurácia das Escrituras. Ele era tido em alta estima pela igreja; sua primeira defesa do sistema copernicano, Letras e Raios de Sol (1613), foi bem recebida, com nenhuma crítica levantada. Certamente o cardeal Barberini, posteriormente papa Urbano VIII, responsável pela sentença em 1633, esteve entre os que congratularam Galileu por sua publicação.[18] Assim, os maiores inimigos de Galileu não estavam na igreja; ao contrário, estavam entre seus colegas e companheiros cientistas, muitos dos quais negavam o sistema copernicano[19] e temiam perder posição e influência.[20] De Santillana escreveu: “Sabe-se há muito tempo que grande parte dos intelectuais da igreja eram favoráveis a Galileu, enquanto a oposição mais clara vinha das ideias seculares.”[21]

A ironia nisso tudo é que são os que defendem uma Terra antiga que precisam aprender a lição com o que ocorreu com Galileu.[12] Galileu chegou à conclusão correta crendo totalmente na acurácia da Bíblia, enquanto seus colegas cientistas chegaram à conclusão errada por se basearem no consenso científico da época (o aristotelianismo). A igreja vem sendo pintada como inimiga da ciência quando, na verdade, os companheiros e colegas cientistas de Galileu é que foram os maiores inimigos da ciência verdadeira.

Não deixe que aqueles que negam uma leitura objetiva do relato da criação escapem quando trazem esse tipo de argumento falacioso. Se você ouvir pessoas apresentarem tais argumentos, desafie-as a justificar sua posição, e aponte – gentilmente – os erros sobre fatos e lógica.

Referências e notas:
[1] Waltke, B.K., “The first seven days”, Christianity Today 32:45, 1988.
[2] Ramm, B., The Christian View of Science of Scripture, Paternoster, London, 1955, p. 70.
[3] Kaiser, W.C., “Legitimate hermeneutics”; in: Geisler, N.L. (ed.), Inerrancy, Zondervan, Grand Rapids, Michigan, 1980, p. 147.
[4] Cosner, L., “The use of Genesis in the New Testament”, Creation 33(2):16-19, 2011,creation.com/nt; Sarfati, J., “Genesis: Bible authors believed it to be history”, Creation 28(2):21-23, 2006, creation.com/gen-hist
[5] Arnold, B.T., Encountering the Book of Genesis, Baker, Grand Rapids, Michigan, 1998, p. 23.
[6] Gênesis é escrito como história, não poesia. Veja as entrevistas com o especialista nos escritos do Antigo Testamento Dr. Robert McCabe, Creation32(3):16-19, 2010; e o especialista em hebraico Dr. Ting Wang, Creation 27(4):48-51, 2005,creation.com/wang
[7] Goldsworthy, G., Preaching the Whole Bible as Christian Scripture, IVP, Leicester, 2000, p. 24.
[8] Veja particularmente Hugh Ross (Creation and Time, NavPress, Colorado Springs, 1994, p. 16-24; (com Gleason Archer) The Day-Age Response; em: D. G. Hagopian, D.G., (editor), The Genesis Debate, Crux Press, Mission Viejo, California, 2001, p. 68-70), Don Stoner (A New Look at an Old Earth, Harvest House, Eugene, Oregon, 1997, p. 117-119), e Roger Forster e Paul Marston (Reason, Science and Faith, Monarch, Crowborough, East Sussex, 1999, p. 188-240).
[9] Kulikovsky, A.S., “Creation and Genesis: a historical survey”, Creation Research Society Quarterly 43(4):206-219, 2007.
[10] Veja a lista de idades já calculadas para a criação, por Batten, D., “Old-earth or young-earth belief; which belief is the recent aberration?” Creation 24(1):24-27, 2001,creation.com/old-young
[11] Hall, D.W., “The evolution of mythology: classic creation survives as the fittest among its critics and revisers”; em: Pipa, J.A. e Hall, D.W. (eds.), Did God Create in Six Days? Southern Presbyterian Press, Taylors, SC, 1999, p. 276.
[12] A outra pessoa que deu origem a esse conto popular foi Antoine-Jean Letronne (1787-1848), um acadêmico antirreligião que publicou On the Cosmological Ideas of the Church Fathers (1834). Veja Jeffrey Burton Russell,Inventing the Flat Earth, Praeger, London, 1997, p. 49-51, 58-59.
[13] Russell, ref. 12, p. 40-41, 52-54.
[14] Russell, J.B., “The Myth of the Flat Earth”, texto não publicado, apresentado na American Scientific Affiliation Conference, Westmont College, 4 de Agosto, 1997; http://www.veritas-ucsb.orgAlguns anos antes, ele ressaltou que esse relato foi listado entre os cinco maiores mitos históricos, por meio da Historical Society of Britain.
[15] Schirrmacher, T., “The Galileo Affair: History or Heroic Hagiography?”Journal of Creation 14(1):91-100, 2000.
[16] Sarfati, J., “Galileo Quadricentennial; myth vs fact”, Creation 31(3):49-51, 2009, creation.com/gal-400
[17] Ramm, ref. 2, p. 36. Forster e Marston (Reason and Faith, 293) concordam que é impreciso usar o caso de Galileu como um exemplo de ciência versusreligião.
[18] Schirrmacher, ref. 12, p. 92.
[19] Certamente, a grande maioria dos cientistas naquele tempo rejeitava o sistema copernicano. Veja Barber, B., “Resistance of scientists to scientific discovery”, Science 134:596-602, 1961; Custance, A.C., Science and Faith: The Doorway Papers VIII, Grand Rapids, Michigan, 1984, p. 157.
[20] Schirrmacher, ref. 15; Drake, S. (editor e tradutor), Discoveries and Opinions of Galileo, Doubleday, New York, 1957.
[21] de Santillana, G., The Crime of Galileo, University of Chicago Press, Chicago, 1955, p. xii
[22] Grigg, R., “The Galileo ‘twist’”, Creation 19(4):30–32, 1997, creation.com/gal-twist

Fonte: Andrew S. Kulikovsky é bacharel em Ciências da Computação e Informação pela Universidade de South Australia e mestre em Estudos Bíblicos e Teologia pela Lousiana Baptist University. É autor do livro Creation, Fall, Restoration: A Biblical Theology of Creation, artigo traduzido de Creation 33(3):41-43, julho de 2011 por Nathan Vinícius/revisão de Daniel Ruy Pereira do blog Considere a Possibilidade.

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Os dias da criação são literais?

Segundo Gerhard F. Hasel, falecido professor de Teologia Bíblica e Antigo Testamento na Andrews University, nos Estados Unidos, a semântica (estudo linguístico dos significados de palavras, frases, cláusulas, etc.) chama atenção para a questão crucial do significado exato da palavra hebraica yom. Poderia a designação “dia” (yom) em Gênesis 1 ter um significado figurativo? Ou deve ela ser entendida, com base nas normas da semântica, como um dia literal de 24 horas? Algumas pessoas, numa tentativa de evitar maiores problemas com o evolucionismo, aplicam a teoria dos dias-eras ao relato de Gênesis 1. Para elas, os seis dias da criação são, na verdade, longos períodos de tempo. Será que isso é possível? Antes de mais nada, é preciso deixar claro que o termo yom em Gênesis 1 não se liga a qualquer preposição; não é usado em uma relação construtiva; e não tem nenhum indicador sintático que seria de esperar para um uso extensivo não literal.


Nas Escrituras, a palavra yom invariavelmente significa um período literal de 24 horas, quando precedida por um numeral, o que ocorre 150 vezes no Antigo Testamento. Obviamente, no relato da criação existe sempre um numeral precedendo aquela palavra – primeiro, segundo, terceiro… sétimo dia – e essa regra para a tradução de yom como um dia literal aplica-se neste caso. O que parece ser significativo também é a ênfase dada à sequência dos numerais 1 a 7, sem qualquer hiato ou interrupção temporal.

Esse esquema de sete dias (seis dias de trabalho seguidos por um sétimo dia de repouso) interliga os dias da criação como dias normais em uma sequência consecutiva e ininterrupta. O relato da criação em Gênesis 1 não somente liga cada dia a um numeral sequencial, como também estabelece as fronteiras do tempo mediante a expressão “tarde e manhã” (versos 5, 8, 13, 19, 31). 


A frase rítmica “e houve tarde e manhã” provê uma definição para o “dia” da criação; e, se o “dia” da criação constitui-se de tarde e manhã, é, portanto, literal. O termo hebraico para “tarde” – ‘ereb – abrange toda a parte escura do dia (ver dia/noite em Gênesis 1:14). O termo correspondente, “manhã” (em hebraico boqer), representa a parte clara do dia. “Tarde e manhã” é, portanto, uma expressão temporal que define cada dia da criação como literal. Não pode significar nada mais. 


Outro tipo de evidência interna no Antigo Testamento para o significado dos dias resulta de duas passagens sobre o sábado no Pentateuco, que se referem aos dias da criação. Elas informam como os dias da criação foram compreendidos por Deus. A primeira passagem faz parte do quarto mandamento do Decálogo, e está registrada em Êxodo 20:9-11. A ligação com a criação transparece no vocabulário (“sétimo dia”, “céus e terra”, “descansou”, “abençoou”, “santificou”) e no esquema “seis mais um”. 


As palavras usadas nos Dez Mandamentos deixam claro que o “dia” da criação é literal, composto por 24 horas, e demonstram que o ciclo semanal é uma ordenança temporal da criação. Aliás, como explicar a origem do ciclo semanal, se não pela criação em seis dias literais seguidos do repouso do sétimo dia? A semana não está vinculada a nenhum movimento ou fenômeno astronômico, como os dias (rotação da Terra), os anos (translação) e os meses. A palavra divina, que promulga a santidade do sábado, toma os seis dias da criação como sequenciais, cronológicos e literais. Dizer o contrário, portanto, é ir contra o Criador. 


Por fim, uma última consideração: a criação da vegetação ocorreu no terceiro dia (ver Gênesis 1:11 e 12). Grande parte dessa vegetação parece ter necessitado de insetos para a polinização. Mas os insetos só foram criados no quinto dia (verso 20). Se a sobrevivência desses tipos de plantas, que necessitam de insetos e outros animais para a polinização, dependesse deles para a reprodução, então haveria um sério problema se o “dia” da criação significasse “era”. 


Ainda mais: a teoria dos dias-eras exigiria um longo período de iluminação e outro de escuridão para cada uma das supostas épocas. Isso, é claro, seria fatal tanto para as plantas quanto para os animais. Os dias da criação devem ser entendidos como literais e não como representando longos períodos de tempo. Argumentar em contrário é forçar o texto bíblico a dizer o que não diz. 


Fonte: Adaptado de Folha Criacionista n° 53, setembro de 1995, p. 26-30 – Sociedade Criacionista Brasileira via Criacionismo.

Hipatia e a ignorância histórica (não só de Hollywood…)

(Traduzido do inglês para o português de Portugal!)

Parece que alguns mitos pseudo-históricos sobre a História da ciência estão em vias de receber uma injecção no braço, muito graças a um novo filme com o nome “Agora”, do realizador Chileno Alejandro Amenabar. Normalmente, eu ficaria contente por haver alguém que faz um filme centrado em eventos do século 5º (pelo menos um que não seja outra fantasia ao estilo do “Rei Artur”). Afinal, não se dá o caso de haver uma falta de histórias memoráveis dessa altura para contar.
E normalmente eu ficaria ainda mais contente se eles se dessem ao trabalho de fazer as coisas de modo a que realmente tivessem a aparência do século 5º, em vez de assumirem que, como os eventos ocorrem dentro do Império Romano, todas as pessoas têm que andar de togas, ter cortes de cabelo e lorica segmentata. E eu ficaria especialmente contente se eles não só estivessem a fazer estas duas coisas, mas tivessem também Rachel Weisz no papel principal visto que ela é uma excelente actriz e, convenhamos, é bem bonita.

Então porque é que eu não estou contente? Porque Amenabar escolheu escrever e dirigir um filme em torno da filósofa Hipatia, e perpetuar alguns mitos veneráveis do Iluminismo ao transformá-los numa história em torno da ciência versus fundamentalismo.Como ateu, claramente não sou fã do fundamentalismo – mesmo da variedade com 1500 anos (embora as manifestações modernas tendem a ser aquelas que nós temos que manter um olhar mais atento).

E como um historiador da ciência amador, fico mais do que contente com a ideia dum filme que passa a mensagem de que, sim, havia uma tradição de pensamento científico antes de Mewton e de Galileu. Mas Amenabar pegou na (sem dúvida, fascinante) história do que ocorria em Alexandria durante a vida de Hipatia e transformou-a numa desenho animado, distorcendo a História durante este processo.O que se segue foi retirado da conferência de imprensa feita de forma a coincidir com a exibição do filme em Cannes esta semana:

Desempenhada pela actriz Britânica vencedora dum Óscar, Rachel Weisz, no filme Hipatia é perseguida pelo facto da sua ciência colocar em causa a fé Cristã, como também pelo facto do seu estatuto como uma mulher influente. Desde confrontos sangrentos até aos massacres, a cidade descende para um estado de contenda intra-religiosa, e os Cristãos vitoriosos viram as suas costas ao rico legado cientifico defendido por Hipatia.

Portanto, é-nos dada a teoria de que Hipatia foi vítima de perseguição e, assumo eu, morta por causa da “sua ciência . . . ao colocar em causa a fé Cristã”. E porquê ter um filme com apenas um mito histórico quando se pode ter um filme com dois mitos históricos? “Agora” começa com a destruição da segunda Biblioteca de Alexandria, levada a cabo por Cristãos e por Judeus – depois da primeira famosa Biblioteca ter sido destruída por Júlio César.

Pelo menos ele fez o seu trabalho de casa de modo suficiente para se aperceber que o declínio da Grande Biblioteca foi um deteriormento longo e lento – e não um evento catastrófico singular. Mas mesmo assim, ele agarra-se ao mito de Gibbon de que uma turba Cristã foi de alguma forma responsável. E de uma forma inteligente, ele inventa uma “segunda biblioteca de Alexandria” de modo a que ele possa responsabilizar os Cristãos.

Naturalmente, tudo isto tem uma moral inevitável:

O director disse também que ele via o filme como uma parábola da crise na Civilização Ocidental. “Digamos que o Império Romano são os Estados Unidos de agora, e Alexandria é o que a Europa é hoje – a antiga civilzação e o antigo background cultural. E o império está em crise, crise que afecta todas as provincias. Estamos a falar duma crise social, crise económica, obviamente, e crise cultural. Algo não se ajusta na nossa sociedade. Sabemos que algo irá mudar – não sabemos bem o quê ou como, mas sabemos que algo está a chegar ao fim.”

Os limites desta analogia não são bem claros. Se a Europa é Alexandria e os EUA são Roma, quem é Hipatia? E quem são os fundamentalistas assassinos? Suspeito que a resposta seja “os Muçulmanos”. O artigo do jornal La Times sobre a exibição do filme parece ser dessa opinião:

O filme é ainda mais convincente quando Amenabar revela a civilização de Alexandria, outrora estável, a ser sobrepujada pelo fanatismo (provavelmente porque os zelotas Cristãos, barbudos e vestidos com robes pretos que roubam a Biblioteca e ocupam a cidade, terem uma inquietante semelhança com os ayatollas e os Talibás de hoje).
Por mais longe que Amenabar queira avançar com a sua parábola, a sua mensagem geral é clara – Hipatia era a racionalista e a cientista e foi morta por fundamentalistas que se sentiam ameaçados com o conhecimento e com a ciência; e isto deu início à Idade das Trevas.

HIPATIA O MITO
Hypatia_2

Não se dá o caso de haver algo de novo ou original nisto – há já algum tempo que Hipatia tem sido usada como uma mártir pela ciência por aqueles que não querem de maneira nenhuma estar associados com uma apresentação correcta da História. Tal como Maria Dzielska detalhou no seu estudo de Hipatia, na história e como mito, “Hipatia de Alexandria“, virtualmente todas as eras desde a sua morte que ficaram a saber da história, apropriaram-se dela e fizeram as coisas de modo a que esta história servisse para algum propósito polémico.

Perguntam quem foi Hipatia e irão algo do tipo “Ela era aquela filósofa pagã que foi rasgada em pedaços por monges (ou, de uma forma mais geral, por Cristãos) em Alexandria, no ano de 415”. Esta resposta padrão irá basear-se não em fontes antigas, mas sim em literatura histórica e de ficção . . . A maior parte destes trabalhos representam Hipatia como uma vítima inocente do fanatismo nascente do Cristianismo, e o seu assassinato como uma proibição da liberdade de investigação (Dzielska, p. 1)

Se alguém me perguntasse isto quando eu tinha 15 anos, provavelmente esta seria a minha resposta visto que eu tinha ouvido falar de Hipatia largamente graças ao astrónomo Carl Sagan e da sua série de TV “Cosmos”. Ainda tenho um fraco tanto por Sagan como pela série “Cosmos” visto que – tal como muitos jovens da altura – despertou o meu amor não só pela ciência, mas para uma tradição humanista da ciência e pela perspectiva histórica do assunto que a tornou muito mais acessível para mim do que fórmulas secas.

Mas as popularizações de qualquer tópico podem criar impressões erradas, mesmo quando o escritor está bem seguro do seu material. E embora Sagan fosse, normalmente, bastante sólido na sua ciência, a sua história era distintivamente mais vacilante, especialmente quando ele tinha um ou mais carrinhos de mão para empurrar.

O capítulo final do livro “Cosmos” é onde Sagan empurra alguns carrinhos de mão. De modo geral, o seu objectivo era admirável – ele ressalva a fragilidade da vida e da civilização, faz algumas condenações à proliferação nuclear – muito relevante e bem sensível nas profundezas da Guerra Fria dos anos 80 – e faz um apelo racional e humanista para a conservação da visão a longo termo para a Terra, para o ambiente e para a nossa herança intelectual. É por esta altura que ele conta a história de Hipatia como uma parábola de advertência; uma história que ilustra o quão frágil a civilização é e o quão facilmente ela pode sucumbir perante as forças da ignorância e da irracionalidade.

Depois de descrever as glórias da Grande Biblioteca de Alexandria, ele nomeia Hipatia como a sua “última cientista”. Ele ressalva então que o Império Romano se encontrava em crise e que “a escravatura havia enfraquecido a antiga civilização da sua vitalidade”; isto não deixa de ser um comentário curioso se levarmos em conta que o mundo antigo sempre se fundamentou na escravatura, o que torna difícil ver como foi que esta instituição subitamente começou a “enfraquecer” a sua “vitalidade” no século Quinto. Depois disto, ele chegou ao ponto principal da sua história:

Cirílo, o Arcebispo de Alexandria, despreza Hipatia devido à sua amizade próxima com o governador Romano, e porque ela era um símbolo de aprendizagem e ciência que se encontrava largamente identificada por parte da igreja primitiva com o paganismo. Correndo um grande risco pessoal, ela continuou a ensinar e a publicar, até que no ano 415, enquanto caminhava para o seu local de trabalho, foi emboscada por uma multidão fanática de paroquianos de Cirilo. Eles arrastaram-na para fora da sua carruagem, tiraram as suas roupas, e, armados com conhas de abalone, esfolaram a carne dos seus osos. Os seus restos mortais foram enterrados, o seu trabalho destruído, e o seu nome esquecido. Cirílo foi santificado. (Sagan, página 366)

Palpito que não fui o único leitor impressionável que achou esta história comovente. Um leitor do estudo de Dzielska, que refuta a versão que Sagan propaga, escreveu um comentário esbaforido na Amazon.com onde declarou:
Cheguei ao conhecimento de quem foi Hipatia através da série de televisão “Cosmos”, de Carl Sagan. Ela foi frequentemente representada como um pilar da sabedoria numa era de dogma crescente. Ao contrário de Sócrates, sabemos muito menos sobre ela, sobre a sua vida e os seus ensinamentos. Ela é lembrada precisamente como uma mártir que foi sacrificada e não executada por uma multidão Cristã literalista inspirada pelo “São” Cirílo visto que aparentemente ela era vista por parte de algumas figuras religiosos e políticas como uma ameaça para o Cristianismo e para a teologia.

Isto na verdade leva-me a questionar se eles chegaram a ler o livro de Dzielska.
Embora Sagan seja o mais conhecido propagandista da ideia de que Hipatia era uma mártir da ciência, ele apenas estava a seguir uma venerável tradição polémica que tem as suas origens no livro de Gibbon “Declínio e Queda do Império Romano”:

Espalhou-se um rumor entre os Cristãos de que a filha de Theom era o único obstáculo para a reconciliação do prefeito com o arcebispo; e esse obstáculo foi rapidamente removido. Nesse dia fatal, na temporada de santa do Quaresma, Hipatia foi arrancada da sua carruagem, despida, arrastada para a igreja, e chacinada de forma desumana às mãos de Pedro o Declamador e uma tropa de fanáticos selvagens e impiedosos; a sua carne foi raspada dos seus ossos com conchas afiadas de ostras e os seus membros trémulos entregues às chamas.

Tal como Gibbon, Sagan faz uma ligação entre a história do assassinato de Hipatia com a ideia de que a Grande Biblioteca de Alexandria foi incendiada por outra multidão Cristã. De facto, Sagan apresenta os dois eventos como se eles tivessem sido subsequentes, declarando que “Os últimos vestígios [da Biblioteca] foram destruídos pouco depois da morte de Hipatia” (p. 366) e que “quando a multidão chegou . . . para incendiar a Biblioteca não havia ninguém para os impedir.” (p. 365)

Nas mãos de Sagan e de outros, tanto a história de Hipatia como a destruição da Biblioteca são contos de advertência sobre o que pode acontecer se baixarmos a guarda e permitir que os fanáticos destruam os defensores e repositores da razão.

A GRANDE BIBLIOTECA E OS SEUS MITOS.
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Sem dúvida que esta é uma parábola poderosa. Infelizmente, ela não está de acordo com a história tal como ela ocorreu. Para começar, a Grande Biblioteca de Alexandria já não existia durante a época de Hipatia. Não é bem claro quando e como ela foi destruída, embora o fogo causado pelas tropas de Júlio César em 48 Antes de Cristo seja a causa mais provável. É também bem mais provável que este e outros fogos tenham feito parte do longo processo de declínio e degradação da colecção.

Curiosamente, dado que sabemos tão pouco sobre ela, a Grande Biblioteca de Alexandria há já muito tempo que tem sido o foco de algumas fantasias bem criativas. A ideia de que continha 500,000 ou 700,000 livros é frequentemente repetida pelos escritores modernos sem qualquer ponta de espírito crítico, embora comparações com o tamanho de outras bibliotecas antigas e estimativas em torno do tamanho necessário para a contenção duma colecção de tais dimensões tornem tal cenário pouco provável. É bem mais provável que ela tivesse cerca de 1/10 dos livros, embora continuasse a ser, de longe, a maior Biblioteca do mundo antigo.

A ideia de que a Grande Biblioteca ainda existia no tempo de Hipatia e que, como ela, foi destruída por uma multidão de Cristãos, foi popularizada por Gibbon, que nunca deixou que a História perturbasse os seus ataques ao Cristianismo. Mas Gibbon tinha em mente um templo conhecido como Serapeum, que não era de todo a Grande Biblioteca. Parece que a dada altura Serapeum tinha uma biblioteca e esta era “filha” da antiga Grande Biblioteca. Mas o problema com a versão de Gibbon é que nenhum relato da destruição de Serapeum por parte do Bispo Teófilo em 391 AD faz menção duma livraria de qualquer livro, apenas a destruição de objectos pagãos e objectos de culto:

Após solicitação de Teófilo, Bispo de Alexandria, o Imperador emitiu uma ordem para a demolição dos templos pagãos da cidade; comandou também que isso fosse levado a cabo sob direcção de Teófilo. Aproveitando esta oportunidade, Teólfilo esforçou-se ao máximo para revelar os mistérios pagãos e causar a que eles fossem alvo de desprezo. Para começar, ele causou a que o Mithreum fosse limpo e exibiu ao público os símbolos dos seus mistérios sangrentos. Depois disso, ele destruiu o Serapeum, sendo os rituais sangrentos do Mithreum posteriormente caricaturados por ele; o Serapeum foi também revelado como cheio de superstição extravagante, e ele causou a que os falos de Príapo fossem transportados pelo meio do fórum. Depois de finalizado este distúrbio, o governador de Alexandria, e comandante supremo das tropas no Egipto, ajudou Teófilo na destruição dos templos pagãos (Socrates Scholasticus, Historia Ecclesiastica, Bk V)

Mesmo os relatos hostis ao Cristianismo, tal como o de Eunápio de Sardes (que testemunhou a demolição), não fazem qualquer referência a qualquer biblioteca ou a livros a serem destruídos. E Amiano Marcelino, que aparentemente visitou Alexandria antes de 391, descreve o Serapeum e menciona que, no passado, ele havia tido uma biblioteca, indicando que por altura da sua destruição já não tinha. A realidade dos factos é que, com não menos do que 5 fontes independentes a mencionar o evento, a destruição do Sarapeum é um dos eventos melhor certificados de toda a história antiga. No entanto, nada é dito sobre a destruição de qualquer livraria ao mesmo tempo que o templo era destruído.

Mesmo assim, o mito duma multidão Cristã a destruir a “Grande Biblioteca de Alexandria” é demasiado suculento para ser resistido por alguns. Devido a isso, o mito permanece como um esteio para a argumentação de que “o Cristianismo causou a Idade das Trevas”, apesar deste alegação não ter qualquer tipo de suporte. Parece que Amenabar também não conseguiu resistir – e é por isso que uma das cenas iniciais do filme mostra uma ansiosa Hipatia lutando para salvar preciosos pergaminhos antes que uma multidão aos gritos empunhando cruzes irrompesse pela porta trancada para destruir a que foi chamada de “a segunda Biblioteca de Alexandria” (presumivelmente ele fala do Serapeum). Isto ocorre bem no princípio do filme, aparentemente preparando as coisas para um conflito entre a ciência e a religião que termina com o assassinato de Hipatia. Sagan, por outro lado, coloca a destruição da Biblioteca depois do seu assassinato.

Na verdade, parece que tal destruição nunca aconteceu nem durante a sua vida e nem depois da sua vida – e que toda a ideia simplesmente é parte duma parábola mítica.

A HIPATIA DA HISTÓRIA
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A verdadeira Hipatia foi filha de Theon, que ficou conhecido pela sua edição dos “Elementos” de Euclídes, e pelos seus comentários de Ptolomeu, Euclídes e Arato. O ano do seu nascimento é normalmente identificado como 370 AD, mas Maria Dzielska alega que isto são 15-20 anos demasiado tarde e sugere que 350 AD como o ano mais acertado. Isto faria com que ela tivesse 65 anos quando foi assassinada e desde logo o seu papel provavelmente deveria ter sido desempenhado por Helen Mirren e não Rachel Weisz. Mas isso dificultaria a venda do filme.

Ela cresceu e passou a ser uma estudiosa renomeada por mérito próprio. Ela parece ter ajudado o seu pai na sua edição de Euclídes e na edição do “Almagesto” de Ptolomeu, bem como escrevendo comentários sobre a “Aritmética” de Diofanto e as “Cónicas” de Apolónio. Tal como a maioria dos filósofos naturais do seu tempo, ela adoptou as ideias neo-Platónicas de Plotino e como tal, o seu método de ensino cobriu uma vasta gama de pessoas – pagãos, Cristãos e Judeus.

Existem algumas sugestões de que o filme de Amenabar caracteriza Hipatia como ateísta, ou pelo menos totalmente irreligiosa, o que é altamente improvável. O Neo-Platonismo adoptava a ideia duma fonte perfeita e primária chamada “O Tal” ou “o Bem”, que, durante o tempo de Hipatia, estava em todos os aspectos totalmente identificado com o Deus do monoteísmo.

Ela era admirada por muitos e pelo menos um dos seus estudantes mais ardenntes foi o Bispo de Sinésio, que lhe dirigiu várias cartas chamando-a de “mãe, irmã, professora, e além disso benfeitora, e quem quer que seja honrado por nome ou por acto“, afirmando que “ela é a professora mais reverenciada” e descrevendo-a como aquela “que legitimamente preside os mistérios da filosofia” (R. H. Charles, The Letters of Synesius of Cyrene). O cronista Cristão citado em cima, Sócrates Escolástico, também escreveu dela admiradoramente:
Havia uma mulher em Alexandria chamada Hipatia, filha do filósofo Theon, que fez coisas grandes na literatura e na ciência, chegando até a ultrapassar os filósofos do seu tempo. Havendo sido bem sucedida na escola de Plato e Plotino, ela explicou os princípios de filosofia para os seus ouvintes, muitos deles provenientes de zonas distantes como forma de receberem as suas instrucções. Devido ao seu auto-domínio e à sua maneira calma, que ela havia adquirido em conseqüência do cultivo da sua mente, ela aparecia regularmente em público na presença de magistrados. E ela nem se sentia envergonhada por se fazer presente numa reunião de homens. Porque devido à sua dignidade e virtude, todos os homens a admiravam mais.(Socrates Scholasticus, Ecclesiastical History, VII.15)

Se ela, então, era admirada de tal forma, e respeitada pelos Cristãos eruditos, como foi que ela veio a ser assassinada por uma multidão de Cristãos? E mais importante ainda, será que o seu assassinato estava de alguma forma relacionado com o seu amor à ciência?

A resposta encontra-se no jogo político do princípio do século Quinto em Alexandria, e a forma como o poder dos Bispos Cristãos estava a começar a invadir o poder das autoridades civis da altura. O Patriarca de Alexandria, Cirílo, havia sido o protegido do seu tio Teófilo e tinha-lhe sucedido no bispado em 412 AD. Teófilo havia já feito a posição de Bispo de Alexandria uma posição poderosa e Cirílo havia continuado a sua política de expandir a influência da posição, invandido de modo incremental os poderes e os privilégios do Perfeito da cidade. Por essa altura, o Perfeito da cidade era outro Cristão, Orestes, que havia assumido o lugar pouco antes de Cirílo se tornar bispo.

Orestes e Cirílo rapidamente entraram em conflito devido as acções linha-dura contra as facções Cristãs mais pequenas tais como os Novacianos e a sua violência contra a enorme comunidade Judaica de Alexandria. Depois dum ataque por parte dos Judeus a uma congregação Cristã e a um pogrom retaliatório contra as sinagogas Judaicas liderado por Cirílo, Orestes queixou-se ao Imperador mas o seu pedido foi rejeitado. A tensão entre os apoiantes do Bispo e os apoiantes do Prefeito escalaram ainda mais numa cidade conhecida pelo governo das multidões e pela violência de rua politicamente motivada.

Por acaso ou por escolha, Hipatia deu por si no meio desta luta pelo poder por parte de duas facções Cristãs. Ela era bem conhecida por parte de Orestes (e provavelmente por parte de Cirílio) como uma participante proeminente na vida cívica da cidade, e era vista por parte da facção de Cirílo não só como uma aliada política de Orestes, mas também como um obstáculo para qualquer tipo de reconciliação entre os dois homens.

As tensões aumentaram ainda mais quando um grupo de monges dum mosteiro remoto do deserto – homens conhecidos pelo seu zelo fanático mas não identificados como pessoas com sofisticação politica – vieram à cidade em massa, como forma de apoiarem Cirílo, e deram início a tumultos que resultaram na comitiva de Orestes a ser apedrejada, com uma das pedras a atingir o Prefeito na cabeça. Não sendo alguém que aceitasse tais insultos, Orestes mandou que os monges em questão presos e torturados, o que levou à sua morte.

Cirílo tentou explorar a tortura e a morte dos monges, alegando que esse evento nada mais foi que um martírio por parte de Orestes. Deste vez, no entanto, os seus apelos às autoridades Imperiais foram rejeitados. Furiosos, os seguidores de Cirílo (com ou sem o seu conhecimento) vingaram-se, agarrando Hipatia na rua, como seguidora política de Orestes, torturando-a até à morte como vingança.

De modo geral, os Cristãos olharam para este evento com horror e com repulsa com Sócrates Scholasticus demonstrando de uma forma bem clara os seus sentimentos:

Hipatia foi vítima de inveja politica que existia por essa altura. Uma vez que ela tinha conversas frequentes com Orestes, foi reportado de um modo calunioso entre a população Cristã de que era ela quem impedia Orestes de se reconciliar com o bispo. Devido a isto, alguns deles apressaram-se no seu zelo feroz e fanático, cujo líder era Pedro o declamador, emboscaram-na enquanto ela voltava para casa, arrastaram-na da sua carruagem, levaram-na para a igreja chamada Caesareum onde eles a despiram e a mataram usando azulejos [conchas de ostras]. Depois de terem rasgado o seu corpo em pedaços, levaram os seus membros mutilados para um lugar chamado Cinaron, onde eles a queimaram.

Este incidente não deixou de trazer vergonha, não só para Cirílo mas para toda a igreja Alexandrina. Porque certamente nada está mais afastado do espírito do Cristianismo do que a permissão de massacres, lutas e transacções deste tipo. (Socrates Scholasticus, Ecclesiastical History, VII.15).
O que é notável nisto tudo é que em parte alguma a sua ciência ou o seu aprendizado são mencionados, excepto como base do respeito que ela recebia de pagãos e de Cristãos.

Sócrates Scholasticus termina descrevendo as suas façanhas e a estima que as pessoas tinham por ela, afirmando “Até ela foi vítima da inveja política que existia por essa altura”. Dito de outra forma, apesar da sua erudição e do seu conhecimento, ela foi vítima de jogos políticos. Não há qualquer tipo de evidência de que o seu assassinato estava de alguma forma relacionado com o seu conhecimento. A ideia de que ela foi uma espécie de mártir para a ciência é totalmente absurda.

HISTÓRIA VERSUS OS MITOS. E OS FILMES
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Infelizmente para aqueles que se agarram à desacreditada “tese do conflito” da ciência e da religião perpetuamente em guerra, a história da ciência tem muito poucos mártires genuínos assassinados por mãos de religiosos intolerantes. O facto dum místico e dum maluco como Giordano Bruno ser reinventado como um livre pensador cientista revela o quão frágil é a tese desses “mártires da ciência”, embora aqueles que gostam de invocar estes mártires possam ter uma recaída ao alegarem que “a Inquisição Medieval queimou cientistas”, apesar do facto disso nunca ter acontecido. A maior parte das pessoas nada sabe da Idade Média, e como tal, este tipo de agitar de mãos é normalmente bastante segura.
Ao contrário de Giordano Bruno, Hipatia foi uma cientista genuína e, como mulher, ela foi certamente espantosa para o seu tempo (embora o facto de outra cientista pagã, Aedisia, ter practicado ciência em Alexandria uma geração depois sem sofrer qualquer tipo de problemas revela que Hipatia estava muito longe de ser única). Mas Hipatia não foi nenhuma mártir para a ciência, e a ciência não teve nada a ver com a sua morte.

Não se sabe ainda quanto do genuíno background politico envolta da morte de Hipatia Amenabar colocou no seu filme. Espera-se que, ao contrário de Carl Sagan, todo o clima político do seu assassinato não seja simplesmente ignorado e a sua morte não seja pintada como um acto puramente anti-intelectual por parte de pessoas ignorantes, raivosas contra a sua ciência e contra a sua erudição. Mas o que está mais ou menos claro a partir das suas entrevistas e da pré-publicidade do filme, é que ele escolheu enquadrar a história em termos Gibbonianos directamente do manual da “tese de conflito” – a destruição da “Grande Biblioteca”, Hipatia vítimizada devido ao seu conhecimento, e a sua morte como um prenúncio do início da “Idade das Trevas”.

Como é normal, os intolerantes e os fanáticos anti-religiosos irão ignorar as evidências, as fontes e a análise racional e resolver acreditar no apelo que Hollywood faz aos seus preconceitos. Isto leva-nos a perguntar quem são os verdadeiros inimigos do conhecimento.

Fonte: Armarium Magnum via Darwinismo. (Artigo escrito brilhantemente por um, até agora, ateu!)

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Os Filósofos de Deus: como o mundo medieval estabeleceu os fundamentos da ciência moderna! (O mito da “Idade das Trevas”)

por Tim O’Neill

(Traduzido do inglês para o português de Portugal.) O meu interesse pela ciência Medieval foi largamente estimulado por um livro. Por volta de 1991, quando eu era um aluno de pós-graduação empobrecido e frequentemente esfomeado na Universidade da Tasmânia, dei com uma cópia do livro de Robert T. Gunther com o título de “Astrolabes of the World” – 598 páginas-fólio de astrolábios islâmicos, Medievais e Renascentistas meticulosamente catalogados, cheio de fotos, diagramas e listas estreladas, bem como uma vasta gama de outro tipo de informação.
Dei com ele, e de forma bem apropriada e não incidental, nos “Astrolabe Books” de Michael Sprod – no piso de cima de um dos lindos e antigos armazéns de arenito que se encontram alinhados num lugar com o nome de “Salamanca Place” (…). Infelizmente, o livro custava $200, o que por aquela altura era o equivalente ao que eu tinha para gastar durante o mês inteiro.
Mas o Michael já estava habituado a vender livros a estudantes empobrecidos, e devido a isso, não almocei e fiz um adiantamento de $10 e, durante vários meses, regressava todas as semanas para dar o mais que podia até que eventualmente consegui levá-lo para casa, embrulhado em papel castanho duma forma que só as livrarias Hobart se preocupam em fazer. Há poucos prazeres mais gratificantes do que aquele em que se tem nas mãos o livro que há já muito tempo se quer ler.
Filosofos_de_Deus_Gods_PhilosophersTive outra experiência igualmente gratificante quando, há algumas semanas atrás, recebi uma cópia do livro deJames Hannam com o título de “God’s Philosophers: How the Medieval World Laid the Foundations of Modern Science [“Os Filósofos de Deus: Como o Mundo Medieval Estabeleceu os Fundamentos da Ciência Moderna”].
Há já alguns anos que brinco com a ideia de criar um site dedicado à ciência e à tecnologia Medieval como forma de tornar públicas as mais recentes pesquisas em torno do tópico, e também para refutar os mitos preconceituosos que caracterizam esse período como uma Idade das Trevas repleta de superstição irracional. Felizmente, hoje posso riscar essa tarefa da minha lista porque o suberbo livro de Hannam fez esse trabalho por mim, e em grande estilo.
A Idade das Trevas Cristã e Outros Mitos Histéricos
Um do riscos ocupacionais de se ser um ateu e um humanista secular que divaga por fórums de discussão é o de encontrar níveis assombrosos de ignorância histórica. Gosto de me consolar com a ideia de que muitas das pessoas que se encontram em tais fórums adoptaram o ateísmo através do estudo da ciência, e como tal, mesmo que essas pessoas tenham conhecimentos avançados em áreas tais como a geologia e a biologia, o seu conhecimento histórico encontra-se parado no nível secundário. Geralmente, eu costumo agir assim porque a alternativa é admitir que o entendimento histórico médio da pessoa comum, e a forma como a História é estudada, é tão frágil que se torna deprimente.
Logo, para além de ventilações regulares de mitos cabeludos tais como o da Bíblia ter sido organizada no Concílio de Niceia, ou do enfadonho disparate cibernético de que “Jesus nunca existiu!”, ou também do facto de pessoas inteligentes estarem a propagar alegações pseudo-históricas que fariam com que até Dan Brown suspirasse com escárnio, o mito de que a Igreja Católica causou a Idade das Trevas, e que o Período Medieval foi um vazio científico, é regularmente empurrado com um carrinho-de-mão ferrugento para a linha da frente como forma de o expor por toda a arena.
O mito diz que os Gregos e os Romanos eram sábios e pessoas racionais que amavam a ciência, e que estavam à beira de fazer todo o tipo de coisas maravilhosas (normalmente, a invenção de máquinas a vapor de grande porte é inocentemente invocada) até que o Cristianismo chegou. O Cristianismo baniu, então, todo o conhecimento e todo o pensamento racional, e inaugurou a Idade das Trevas.
Durante este período, diz o mito, a teocracia com punho de ferro, apoiada pela Inquisição ao estilo da Gestapo, impediu que fosse feita qualquer actividade científica, ou qualquer actividade de investigação, até que Leonardo da Vinci inventou a inteligência e o Renascimento nos salvou a todos das trevas Medievais.
As manifestações cibernéticas desta ideia curiosamente pitoresca, mas aparentemente infatigável, variam de quase atabalhoadas a totalmente chocantes, mas a ideia continua a ser uma daquelas coisas que “toda a gente sabe”, e que permeia a cultura moderna.
Um episódio recente da série “Family Guy” exibiu o Stewie e o Brian a entrar num mundo alternativo futurista onde, foi-nos dito, as coisas eram avançadas desse modo porque o Cristianismo não havia destruído o conhecimento, dado início à Idade das Trevas, e impedido o desenvolvimento da ciência. Os escritores não sentiram a necessidade de explicar o significado das palavras de Stewie porque assumiram que toda a gente sabia.
Cerca de uma vez a cada 3 ou 4 meses em fórums tais como RichardDawkins.Net temos algumas discussões onde sempre aparece alguém a invocar a “Tese do Conflicto”. Isso evolui para o normal ritual onde a Idade Média é retratada como um deserto intelectual onde a humanidade se encontrava algemada pela superstição e oprimida pelos cacarejadores asseclas da Velha e Maligna Igreja Católica.
Os velhos estandartes são apresentados na altura certa: Giordano Bruno é apresentado como um mártir da ciência, nobre e sábio, e não como o irritante místico “Nova Era” que ele era. Hipatia é apresentada como outra mártir deste tipo, e a mitológica destruição da Grande Biblioteca de Alexandria é falada num tom silencioso, apesar de ambas estas ideias serem totalmente falsas.
O incidente em torno de Galileu é apresentado como evidência dum cientista destemido a opor-se ao obscurantismo científico da Igreja, apesar do incidente ter tanto a ver com a ciência como com as Escrituras. E, como é normal, aparece sempre alguém a exibir um gráfico (ver mais embaixo), que eu dei o nome de “A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet”, e a mostrá-lo triunfalmente como se o mesmo fosse prova de algo que não do facto da maior parte das pessoas serem totalmente ignorantes da História, e incapazes de ver que algo como “Avanço Científico” nunca pode ser quantificado, e muito menos pode ser representado visualmente num gráfico.
Ciencia_Idade_Media_Segundo_Os_Ignorantes
Não é difícil pontapear este disparate e reduzi-lo a nada, especialmente porque as pessoas que o apresentam não só não sabem quase nada de História, como também tudo o que fazem é repetir ideias estranhas como esta que eles viram em sites e livros populares. Estas alegações entram em colapso mal tu as atacas com evidências sólidas.
Eu gosto de embaraçar por completo estes propagadores perguntando-lhes que me apresentem um – um só – cientista que foi queimado, perseguido, ou oprimido durante a Idade Média por motivos científicos. Eles são incapazes de me apresentar um único nome. Normalmente, eles tentam forçar Galileu de volta à Idade Média, o que é engraçado visto que ele foi contemporâneo de Descartes.
Quando lhes é perguntado o porquê deles serem incapazes de apresentar um único nome dum cientista que tenha sofrido por motivos científicos, visto que aparentemente a Igreja esta ocupada a oprimi-los, eles normalmente alegam que a Velha e Maligna Igreja fez um trabalho tão bom a oprimi-los que todas as pessoas passaram a ter medo de fazer ciência.
Quando eu lhes apresento uma lista de cientistas da Idade Média – tais como Albertus MagnusRobert GrossetesteRoger BaconJohn Peckham, Duns Scotus,Thomas BradwardineWalter BurleyWilliam HeytesburyRichard SwinesheadJohn DumbletonRichard de WallingfordNicholas Oresme,Jean Buridan e Nicolau of Cusa – e lhes pergunto o porquê destes homens levarem a cabo a sua actividade científica durante a Idade Média alegremente e sem terem sofrido qualquer tipo de interferência por parte da Igreja, os meus adversários frequentemente coçam as cabeças confusos sobre o que foi que correu mal.
A Origem dos Mitos
A forma como os mitos que deram origem “A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet”surgiram encontra-se bem documentada em vários livros em torno da história da ciência. Mas Hannam inteligentemente lida com eles nas páginas iniciais do seu livro visto que seria provável que eles viessem a formar uma base que levasse muitos leitores do público geral a olhar com suspeição para a ideia dos fundamentos Medievais da ciência moderna.
Uma melange purulenta envolvendo a intolerância do Iluminismo, os ataques anti-papistas feitos por Protestantes, o anti-clericalismo Francês, e a arrogância Classicista, levou a que o período Medieval ficasse caracterizado como uma era de atraso e superstição – o oposto do que a pessoa comum associa com a ciência e com a razão.
Hannam não só mostra como polemistas tais como Thomas HuxleyJohn William Draper, e Andrew Dickson White – todos eles com o seu preconceito anti-Cristão – conseguiram moldar a ainda presente ideia de que a Idade Média foi uma era vazia de ciência e de conhecimento racional, como revela que só quando historiadores no verdadeiro sentido do termo se incomodaram em colocar em causa os polemistas através das obras de pioneiros na área, tais como Pierre DuhemLynn Thorndike, e o autor do meu livro sobre o astrolábio,  Robert T. Gunther, que as distorções dos preconceituosos começaram a ser corrigidas através pesquisas fiáveis e vazias de preconceito .
Esse trabalho foi agora completado pela mais recente gama de modernos historiadores da ciência tais como David C. LindbergRonald Numbers, e Edward Grant. Na esfera académica pelo menos a “Tese do Conflicto” duma guerra histórica entre a ciência e a teologia há muito que foi colocada à parte.
É, portanto, estranho que tantos dos meus amigos ateus se agarrem de forma tão desesperada a uma posição há muito morta que só foi mantida por polemistas amadores do século 19, em vez de se agarrarem às  pesquisas apuradas levadas a cabo por historiadores objectivos e actuais, e que cujas obras foram alvo de revisão por pares. Este comportamento é estranho especialmente quando o mesmo é levado a cabo por pessoas que se intitulam de “racionalistas”.
Falando em racionalismo, o ponto crucial que o mito obscurece é precisamente o quão racional a pesquisa intelectual foi durante a Idade Média. Embora escritores tais comoCharles Freeman continuem a alegar que o Cristianismo matou o uso da razão, a realidade dos factos é que graças ao encorajamento de pessoas tais como Clemente de Alexandria e Agostinho em favor do uso da filosofia dos pagãos, e das traduções das obras de lógica de Aristóteles, e de outros feitas, por Boécio, a investigação racional foi uma das jóias intelectuais que sobreviveu ao colapso catastrófico do Império Romano do Ocidente, e foi preservada durante a assim-chamada Idade das Trevas.
O soberbo livro God and Reason in the Middle Ages de Edward Grant detalha precisamente isto com um vigor característico, mas nos seus primeiros 4 capítulos Hannam faz um bom resumo deste elemento-chave. O que torna a versão histórica de Hannam mais acessível do que a de Grant é que ele conta-a através das vidas das pessoas-chave da altura – Gerbert de Aurillac, Anselmo, Guilherme de Conches, Adelardo de Bath, etc.
Algumas das pessoas que fizeram uma avaliação [inglês: “review] do livro de Hannam qualificaram esta abordagem de um bocado confusa dado que o enorme volume de nomes e mini-biografias podem fazer com que as pessoas sintam que estão a aprender um bocado sobre um vasto número de pessoas. Mas dada amplitude do tópico de Hannam, isto é francamente inevitável e a abordagem semi-biográfica é claramente mais acessível que a pesada e abstracta análise da evolução do pensamento Medieval.
Hannam disponibiliza também um excelente resumo da Renascimento do Século 12 que, contrariando a percepção popular e contrariando “o Mito”, foi efectivamente o período durante o qual o conhecimento antigo invadiu a Europa Ocidental. Longe de ter sido resistido pela Igreja, foram os homens da Igreja que buscaram este conhecimento junto dos muçulmanos e das Judeus da Espanha e da Sicília.
E longe de ter sido resistido e banido pela Igreja, o conhecimento foi absorvido e usado para formar a base do programa de estudo dessa outra grande contribuição Medieval para o mundo: as universidades que começavam a aparecer um pouco por todo o mundo Cristão.
Deus e a Razão
Deus_Razao_Ciencia_Idade_MediaO encapsulamento da razão no centro da pesquisa, combinada com o influxo do “novo” conhecimento Grego e Árabe, deu início a uma autêntica explosão de actividade intelectual na Europa, começando no Século 12 e avançando por aí em adiante. Foi como se o estímulo súbito de novas perspectivas e as novas formas de olhar para o mundo tenham caído em terreno fértil numa Europa que, pela primeira vez em séculos, encontrava-se em paz  relativa, era próspera, olhava para o exterior, e era genuinamente curiosa.
Isto não significa que as forças mais conservadoras e reaccionárias não tenham tido dúvidas em relação às novas áreas de pesquisa, especialmente em relação à forma como a filosofia e a especulação em torno do mundo natural e em torno do cosmos poderia afectar a teologia aceite. Hannam é cuidadoso para não fingir que não houve qualquer tipo de resistência ao florescimento do novo pensamento e da investigação, mas, ao contrário dos perpetuadores “do Mito”, ele leva em consideração essa resistência mas não a apresenta como tudo o que há para saber sobre esse período.
De facto, os esforços dos conservadores e dos reaccionários eram normalmente acções de retaguarda e foram em quase todas as instâncias infrutíferas nas suas tentativas de  limitar a inevitável inundação de ideias que começou a jorrar das universidades. Mal ela começou, ela foi literalmente imparável.
De facto, alguns dos esforços dos teólogos de colocar alguns limites ao que poderia e não poderia ser aceite através do “novo conhecimento”, geraram como consequência o estímulo da investigação, e não a sua constrição.
As “Condenações de 1277” tentaram afirmar algumas coisas que não poderiam ser declaradas como “filosoficamente verdadeiras”, particularmente aquelas coisas que colocavam limites à Omnipotência Divina. Isto teve o interessante efeito de mostrar que Aristóteles havia, de facto feito alguns erros graves – algo que Tomás de Aquinas havia colocado ênfase na sua altamente influente Summa Theologiae:
As condenações e a Summa Theologiae de Aquinas haviam gerado um enquadramento dentro do qual os filósofos naturais poderiam prosseguir os seus estudos em segurança, e esse enquadramento havia estabelecido o princípio de que Deus havia decretado as leis naturais mas que Ele não Se encontrava limitado pelas mesmas. Finalmente, esse enquadramento declarou que Aristóteles esteve por vezes errado. O mundo não era “eterno segundo a razão” e “finito segundo a fé”. O mundo não era eterno. Ponto final.
E se Aristóteles poderia estar errado em algo que ele considerava certamente certo, isso colocava em dúvida toda a sua filosofia. Estava assim aberto o caminho para que os filósofos naturais da Idade Média avançassem de forma mais firme para além das façanhas dos Gregos. (Hannam, pp 104-105)
E foi exactamente isso que eles passaram a fazer. Longe de ser uma era sombria e estagnada, tal como o foi a primeira metade do Período Medieval (500-1000), o periodo que vai desde o ano 1000 até ao ano 1500 é, na verdade, o mais impressionante florescimento da pesquisa e da investigação científica desde o tempo dos antigos Gregos, deixando muito para trás as Eras Helénicas e Romanas em todos os aspectos.
Com Occam e Duns Scotus a avançarem com a abordagem crítica aos trabalhos de Aristóteles para além da abordagem mais cautelosa de Aquinas, estava aberto o caminho para que os cientistas Medievais dos Séculos 14 e 15 questionassem, examinassem e testassem as perspectivas que os tradutores dos Séculos 12 e 13 lhes haviam dado, e isto com efeitos surpreendentes:
Durante o século 14, os pensadores medievais começaram a reparar que havia algo seriamente errado em todos os aspectos da filosofia Natural de Aristóteles, e não só naqueles aspectos que contradiziam directamente a Fé Cristã. Havia chegado o momento em que os estudiosos medievais seriam capazes de começar a sua busca como forma de avançar o conhecimento……enveredando por novas direcções que nem os Gregos e nem os Árabes haviam explorado. O seu primeiro avanço foi o de combinar as duas disciplinas da matemática e da físicas duma forma que não havia sido feita no passado. (Hannam p. 174)
A história deste avanço, e os espantosos estudiosos de Oxford que o levaram a cabo e, desde logo, lançaram as bases da ciência genuína – os “Calculadores de Merton” – muito provavelmente merece um livro separado, mas o relato de Hannam certamente que lhes faz justiça e é uma secção fascinante da sua obra.
Os nomes destes pioneiros do método científico – Thomas BradwardineWilliam HeytesburyJohn Dumbleton e o deliciosamente nomeado Richard Swineshead – merecem ser conhecidos. Infelizmente, a obscurecedora sombra “do Mito” significa que eles continuam a ser ignorados ou desvalorizados até mesmo em histórias da ciência recentes e populares. O resumo de Bradwardine do discernimento-chave que estes homens trouxeram para a ciência é uma das citações mais importantes da ciência inicial e ela merece ser reconhecida como tal:
[A matemática] é a reveladora da verdade genuína…..quem quer que tenha o descaramento de estudar a física ao mesmo tempo que negligencia a matemática, tem que saber desde o princípio que nunca entrará pelos portais da sabedoria. (Citado por Hannam, p. 176)
Estes homens não só foram os primeiros a aplicar de forma genuína a matemática à física, como desenvolveram funções logarítmicas 300 anos antes de John Napier, e o Teorema da Velocidade Média 200 anos antes de Galileu. O facto de Napier e Galileu serem creditados por terem descoberto coisas que os estudiosos Medievais já haviam desenvolvido é mais um indicador da forma como “o Mito” tem distorcido a nossa percepção da história da ciência.
Nicolas_OresmeSemelhantemente, a física e a astronomia de Jean Buridan e de Nicholas Oresme eram radicais e profundas, mas de modo geral, desconhecidas para o leitor comum.  Buridan foi um dos primeiros a comparar os movimentos do cosmos com os movimentos daquela que é outra inovação Medieval: o relógio. A imagem dum universo a operar como um relógio, imagem essa que passou a ser usada com sucesso pelos cientistas até aos dias de hoje, começou na Idade Média.
E as especulações de Oresme em relação a uma Terra em rotação mostra que os estudiosos Medievais alegremente contemplavam ideias que (para eles) eram razoalmente estranhas como forma de ver se funcionariam; Oresme descobriu que esta ideia em especial na verdade funcionava muito bem.
Dificilmente estes homens eram o resultado duma “idade das trevas” e as suas carreiras estão conspicuamente livres de qualquer tipo de Inquisidores e de ameaças de queimas tão amadas e sinistramente imaginadas pelos fervorosos proponentes “do Mito”.
Galileu, Inevitavelmente.
Tal como dito em cima, nenhuma manifestação “do Mito” está completa se que o Incidente de Galileu seja mencionado. Os proponentes da ideia de que durante a Idade Média a Igreja sufocou a ciência e a racionalidade têm que empurrá-lo para a linha da frente visto que, sem ele, eles não têm exemplos da Igreja a perseguir alguém por motivos relacionados à pesquisa do mundo natural.
A ideia comum de que Galileu foi perseguido por estar certo em relação ao heliocentrismo é uma total simplificação dum assunto complexo, e um que ignora o facto do principal problema de Galileu não ser só que as suas ideias estavam em desacordo com a interpretação das Escrituras, mas também em desacordo com a ciência dos seus dias.
Ao contrário da forma como este assunto é normalmente caracterizado, nos dias de Galileu o ponto principal era o facto das objecções científicas ao heliocentrismo ainda serem suficientemente poderosas para impedirem a sua aceitação.
Em 1616 o Cardeal Bellarmine deixou bem claro para Galileu que se aquelas objecçõescientíficas pudessem ser superadas, então as Escrituras poderiam e deveriam ser reinterpretadas. Mas enquanto essas objecções se mantivessem, a Igreja, compreensivelmente, dificilmente iria derrubar séculos de exegese em favor duma teoria errónea. Galileu concordou em só ensinar o heliocentrismo como um dispositivo de cálculo teórico, mas depois mudou de ideia e, num estilo típico, ensinou-a como um facto. Isto causou a que em 1633 ele fosse acusado pela Inquisição.
Hannam disponibiliza o contexto para tudo isto com detalhe adequado numa secção do livro que também explica a forma como o Humanismo do “Renascimento” causou a que uma nova vaga de estudiosos não só tenha buscado formas de idolatrar os antigos, mas também formas de voltar as costas às façanhas de estudiosos mais recentes tais como Duns Scotus, Bardwardine, Buridan, e Orseme.
Consequentemente, muitas das suas descobertas e muitos dos seus avanços ou foram ignorados, ou foram esquecidos (só para serem redescobertos independentemente), ou foram desprezados mas silenciosamente apropriados. O caso de Galileu usar o trabalho dos estudiosos Medievais sem reconhecimento é suficientemente condenador.
Na sua ânsia de rejeitar a “dialéctica” Medieval e emular os Gregos e os Romanos – que, curiosamente, e de muitas formas, fez do “Renascimento” um movimento conservador e retrógrado – eles rejeitaram desenvolvimentos e avanços genuínos dos estudiosos Medievais. Que um pensador do calibre Duns Scotus se tenha tornado primordialmente conhecido como a etimologia da palavra “dunce” é profundamente irónico.
Por melhor que seja a parte final do livro, e por mais valiosa que seja a análise razoavelmente detalhada das realidades em torno do Incidente de Galileu, tenho que dizer que os últimos 4 ou 5 capítulos do livro de Hannam passam a ideia de terem falado de coisas que eram demasiado complicadas de se “digerir”. Eu fui capaz de seguir o seu argumento facilmente, mas eu estou bem familiarizado com o material e com o argumento que ele está a avançar.
Acredito que para aqueles com esta ideia do “Renascimento”, e para aqueles com a ideia de que Galileu nada mais era que um mártir perseguido da ciência e um génio, a parte final do livro pode avançar duma forma demasiado rápida para eles entenderem. Afinal de contas, os mitos têm uma inércia muito pesada.
Pelo menos uma pessoa que reviu o livro parece ter achado o peso dessa inércia demasiado dura para resistir, embora seja provável que ela tenha a sua própria bagagem para carregar. Nina Powerescrevendo para a revista New Humanist, certamente que parece ter tido alguns problemas em deixar de parte a ideia da Igreja a perseguir os cientistas Medievais:
Só porque a perseguição não era tão má como poderia ter sido, e só porque alguns pensadores não eram as pessoas mais simpáticas do mundo, isso não significa que interferir no seu trabalho ou banir os seus livros era justificável nessa altura ou que seja justificável nos dias de hoje.
Bem, ninguém disse que era justificável; explicar como é que ela surgiu, e o porquê dela não ter sido tão extensa como as pessoas pensam, e como ela não teve a natureza que as pessoas pensam que teve, não é “justificar” nada, mas sim corrigir um mal-entendido pseudo-histórico.
Dito isto, Power tem algo que parece ser a razão quando salienta que “A caracterização de Hannam dos pensadores [do Renascimento] como ‘reaccionários incorrigíveis’ que ‘quase conseguiram destruir 300 anos de progresso na filosofia natural’ está em oposição com a sua caracterização mais cuidada daqueles que vieram antes.” No entanto, isto não é porque a caracterização está errada, mas sim porque a dimensão e a extensão do livro realmente não lhe dão espaço para fazer justiça a esta ideia razoavelmente complexa, e, para muitos, radical. (…)
Deixando isso de parte, este é um livro maravilhoso, e um antídoto acessível e brilhante contra “o Mito”. Ele deveria estar na lista de Natal de qualquer Medievalista, estudioso da história da ciência, ou de qualquer pessoa que tem um amigo equivocado que ainda pensa que as luzes da Idade Média eram acesas queimando cientistas.
Fonte: Armarium Magnum via Darwinismo. (Artigo escrito brilhantemente por um, até aqui, ateu!)

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Será que todos aqueles cientistas estão errados? A ciência não é determinada através do voto da maioria!

por Gordon Howard

(Traduzido do inglês para o português de Portugal.) Quando um criacionista sugere para a pessoa comum que a evolução [o gradualismo aleatório a gerar toda a biocomplexidade] não é cientificamente viável, a resposta comum é: “De que forma é que todos aqueles cientistas podem estar errados?”
Isto é perfeitamente compreensível visto que os livros populares, as revistas, os programas de televisão, os filmes, e até as conversas comuns, parecem confirmar de modo constante que o big bang, a origem natural da vida a partir do lodo primordial, e a evolução dos seres vivos a partir dos organismos originais, são posições aceites por todos os cientistas. Acredita-se que as únicas pessoas que colocam em causa estas coisas são os fanáticos religiosos ou os cientificamente iletrados.
Portanto, fica a pergunta: será que “todos aqueles cientistas” podem estar errados? A História claramente diz que sim, eles podem estar errados.
Note-se que, sem dados extraídos de experiências, ou sem tentativas de se falsificar uma teoria científica através das observações dos antagonistas ou através de teorias alternativas, as ideias dum cientista podem mesmo assim ser fortemente distorcidas pelos seu viés filosófico. (1) Isto é particularmente verídico na interpretação das “evidências” e não na observação actual do fenómeno, e aplica-se de modo particular às teorias em torno de eventos históricos tais como o conceito da evolução.
De facto, como iremos ver, não é apenas um mas sim um corpo imenso de cientistas que pode olhar para o mundo através dum paradigma que está errado nas suas bases. Isto é porque o cientista é como outra pessoa qualquer que pode ter uma crença forte em algo mesmo quando se depara perante evidências contraditórias. (2)
Exemplo: Astronomia
Talvez os exemplos mais conhecido de cientistas que “nadaram contra a maré” sejam os deGalileu e de Nicolau Copérnico. A “maioria dos cientistas”, que eram seus conteporâneos, acreditavam que a Terra era o centro do universo, e que todos os corpos celestiais giravam à volta dela. Tal como acontece com os cientistas modernos e com a teoria da evolução, a sua crença tinha como base um conceito filosofíco, e não as observações. E eles estavam errados.
A famosa “luta” de Galileu com a igreja não estava relacionada com a Bíblia, mas sim com líderes religiosos da época (que seguiam o que os cientistas da altura qualificavam de “verdade científica”) e também com a comunidade científica como um todo. (3)
Os cientistas da altura mantinham esta crença embora observações contínuas e cálculos contínuos revelassem que tinha que existir uma falha na ideia universalmente aceite de “epicíclos” (corpos celestes que se moviam em círculos dentro de outros círculos). Demorou muito tempo, e foi necessária a publicação de muitas evidências observacionais provenientes dos recém-criados telescópios, para que a comunidade científica começasse a aceitar que eles haviam acreditado num sistema defeituoso: a Terra não era o centro rotacional absoluto dos corpos celestes.
Observações adicionais provenientes de telescópios melhorados colocou um ponto final noutra crença também universalmente aceite durante essa altura: de que os corpos celestes eram esferas perfeitas que se moviam-se em círculos perfeitos. Foram observadas irregularidades na lua, indicando que não era uma esfera perfeita. Alarme! A órbita da Terra em redor do sol era uma elipse. Mais horror! “Todos aqueles cientistas” estavam errados e a base da sua visão do universo era falsa.
Os cientistas actuais dizem-nos que o nosso universo surgiu do nada, e por nenhum outro motivo que não o big bang. Será que é possível que todos estes cientistas também tenham uma visão errada do nosso universo, bem como da sua origem?
Exemplo: Química.
Durante o final do século 17 e durante o século 18, o “flogisto” era usado para explicar a forma como as substâncias se queimavam e se enferrujavam. Era acreditado (pela “maioria dos cientistas”) que ele [o flogisto] era uma substância contida em material combustível, e que a mesma era libertada quando os objectos entravam em combustão.
LavoisierFoi preciso o trabalho persistente de vários cientistas de renome da altura, incluindo Antoine-Laurent de Lavoisier, para demonstrar que a combustão era uma reacção química, normalmente envolvendo o oxigénio. As substâncias que ardiam ficavam normalmente mais pesadas devido ao oxigénio acrescido, e não mais leves devido à perda de flogisto. A maioria [dos cientistas] estava errada. (4)
Mais tarde, Lavoisier foi executado durante o fanaticamente anti-Cristão “reino do terror” que ocorreu na França. Diz-se que o juiz que o sentenciou afirmou:
A República não precisa nem de cientistas e nem de químicos.
Hoje em dia, a maior parte dos cientistas acredita que os químicos básicos da vida (tais como as proteínas) se organizaram a eles mesmos, posição que se encontra em oposição às probabilidades químicas experimentalmente estabelecidas. Será que existe a possibilidade dos cientistas actuais também estarem errados?
A alquimia (5) é a ideia de que os metais básicos (tais como o cobre) podem ser transformados em ouro. Este conceito persistiu durante centenas de anos, e embora as experiências que giraram em torno deste conceito tenham levado à descoberta de substâncias químicas interessantes, as experiências levadas a cabo de forma correcta provaram que isto é impossível (através de métodos químicos).
Muito mais dinheiro e tempo (e disponibilidade profissional) foi desperdiçado na investigação desta ideia científica errónea – ideia essa que impediu muitos de analisar possibilidades mais úteis. Será possível que os cientistas que buscam o fenómeno natural capaz de causar a origem da vida estão também a desperdiçar o seu tempo e as suas energias num exercício futil?
Exemplo: Medicina
Que as ideias erradas podem persistir pervasivamente durante centenas de anos é algo feito notório quando ficamos a saber da teoria do “humores” (6), cujo conceito básico remonta aos tempos de Aristóteles (384–322 A.C.), mas que foi clarificado e popularizado pelo famoso médico Hipócrates (de quem provém o código de práctica que incorpora o “Juramento de Hipócrates” tradicionalmente dito pelos médicos no princípio da sua práctica profissional).
O conceito em torno da teoria é o de que os corpos tem quatro tipos básicos de fluidos: bílis (Grego: chole), fleuma, bílis negra (Grego: melanchole), e sangue (Latim: sanguis). Era suposto isto corresponder aos quatro temperamentos tradicionais: colérico, fleumático, melancólico e sanguinário. Segundo a teoria, estes quatro têm que ser mantidos em equílbrio como forma de se ter boa saúde.
Na maior parte dos casos, o tratamento recomendado para o desequilíbrio era a dieta e o exercício, mas por vezes eram administrados laxantes e enemas como forma de purgar do corpo o “humor” indesejado. Semelhantemente, se alguém tinha febre, acreditava-se que era devido a um excesso de sangue, e como tal, a cura era o “sangramento” do paciente (normalmente através do uso de sanguessugas) num processo que tinha o nome de “sangria”.
Claro que esta “cura” era frequentemente pior que a doença. Mas mesmo assim, os médicos persistiram com a mesma metodologia através da Idade Média porque ninguém se encontrava preparado para colocar em dúvida Galeano, o médico, escritor e filósofo do primeiro século que publicitou esta ideia nos seus escritos populares e autoritários.
Apesar do exemplo de Galeano, e do ensino da observação e da experimentação, bem como das evidências acumuladas de que havia algo de errado, esta foi uma práctica comum até ao final do século 19. E mais uma vez, eles estavam errados.
Tudo o que eles defendiam em relação à causa da doença estava errado, e a propagação deste erro ocorreu  porque eles acreditavam nas teorias de outros cientistas sem as colocar em causa. Isto é parecido ao que ocorre nos dias de hoje, onde muitos cientistas acreditam na teoria da evolução apenas e só porque os cientistas que eles consideram fiáveis acreditam na teoria da evolução.
Exemplo: Biologia.
De onde é que se originam os vermes? Será que as baratas, os ratos e as larvas pura e simplesmente “aparecem” dos vegetais em decomposição e dos resíduos de origem animal, ou até mesmo das rochas? Durante muito tempo acreditava-se que sim, até mesmo por parte de pensadores famosos tais como Aristóteles (4º século antes de Cristo).
Esta ideia tinha o nome de “geração espontânea” e foi tida como um facto até meados do século 19. (7) Foi preciso que o cientista criacionista Louis Pasteur (1822–1895) provasse que a vida provém da vida (num processo com o nome de “biogénese”) para que ficasse claro que todas as pessoas que acreditavam na geração espontânea estavam erradas.
Hoje em dia, e apesar das evidências de Pasteur e das observações contínuas, muitos cientistas ainda acreditam na abiogénese (que a vida pode surgir de químicos sem vida). Os evolucionistas chamam a este processo de “mistério” visto que o mesmo encontra-se em oposição à química. Mas mesmo assim, eles acreditam nele. Porquê?
A ciência não é determinada através do voto da maioria
Na verdade, o motivo maior que leva os cientistas a acreditar na teoria da evolução é o facto da maioria dos cientistas acreditar na teoria da evolução. Isto é um tipo de “viés de confirmação”: o alegado consenso científico surgiu através da contagem de cabeças, cabeças essas que por sua vez chegaram às suas conclusões através duma contagem de outras cabeças.
Se a maior parte destes cientistas fosse alvo dum questionamento onde lhes era pedido que disponibilizassem algum tipo de evidência, muito provavelemente eles iriam dar respostas fracas provenientes de fora da sua área técnica. Por exemplo, uma das maiores autoridades no que toca aos fósseis de áves – e um crítico acérrimo do dogma evolutivo dinossauro-evoluindo-para-pássaro – é o Dr Alan Feduccia, Professor Emérito na Universidade da Carolina do Norte. Ele continua a ser um evolucionista, mas quando desafiado, a sua maior “prova” da evolução é milho que passa a ser…..milho! (8)
Tal como disse Michael Crichton (1942–2008), famoso autor que havia tido uma carreira prévia na área da medicina e da ciência:
Michael_CrichtonDeixem-me deixar as coisas bem claras: o trabalho científico de maneira alguma está relacionado com o consenso. O consenso é área da política. A ciência, pelo contrário, só precisa dum pesquisador que tem a razão do seu lado, o que significa que ele ou ela tem resultados que podem ser verificados referenciado no mundo real.
Na ciência, o consenso é irrelevante. O que é relevante é a existência de resultados que podem ser duplicados. Os maiores cientistas da História são cientistas de renome precisamente porque eles foram para além do que era aceite pelo consenso.
Não existe tal coisa com o nome de ciência consensual. Se é consensual, não é ciência. Se é ciência, não é consensual. (9)
Mesmo assim, tal como os defensores dos epicíclos, dos flogistos, dos humores, e da geração espontânea, muitos cientistas actuais acreditam na teoria da evolução. Será que todos estes cientistas podem estar errados? A Hístória revela que “sim”. Evidências acumuladas provenientes da genética, da biologia molecular, da teoria da informação, dacosmologia, e de outras áreas, revelam que sim, todos estes cientistas estão errados.
Estes cientistas acreditam no paradigma dominante – o naturalismo – apesar das evidências contra esta filosofia. Eles não querem confrontar a ideia dum Criador, e, tal como no passado, a avaliação honesta das evidências da ciência operacional irá demonstrar que eles estão errados; o Criador será Vindicado. (Romanos 1:18–22).
Referências e notas:
1. Sarfati, J., Refuting Evolution, ch. 1, 4th ed., Creation Book Publishers, 2008; creation.com/refutingch1.
2. Walker, T., Challenging dogmas: Correcting wrong ideas, Creation 34(2):6, 2012; creation.com/challenging-dogmas.
3. Sarfati, J., Galileo Quadricentennial: Myth vs fact, Creation 31(3):49–51, 2009; creation.com/galileo-quadricentennial.
phlogiston, Encyclopædia Britannica, Encyclopædia Britannica Online, 2012; Britannica.com/EBchecked/topic/456974/phlogiston.
5. Alchemyanswers.com/topic/alchemy.
6. From Greek ??µ?? (chumos) meaning juice or sap; Humours, Science Museum; sciencemuseum.org.uk.
7. What is spontaneous generation? allaboutscience.org. Spontaneous Generation; allaboutthejourney.org/spontaneous-generation.htm.
8. Discover Dialogue: Ornithologist and evolutionary biologist Alan Feduccia plucking apart the dino-birds, Discover 24(2), February 2003; see also creation.com/4wings.
9. Crichton, M., Aliens cause global warming, 17 January 2003 speech at the California Institute of Technology; s8int.com/crichton.html.
Fonte:  Creation.com via Darwinismo.

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Mudskippers (Saltadores-do-lodo): maravilhas do lamaçal!

Pesadelo criacionista ou mais evidências de projeto?
Se você já viu um documentário da vida selvagem em manguezais tropicais, provavelmente deve ter observado mudskippers no trabalho e no jogo. Esse peixe incomum, com cerca de 15 cm de comprimento, pertence ao gênero Gobius (pequenos peixes marinhos).[1] Enquanto estão na água, eles não parecem mais notáveis do que outros peixes. No entanto, uma vez que a maré se vai para expor os alagados, se torna um assunto completamente diferente. As palhaçadas domudskipper em terra são certamente divertidas de assistir. Para se mover, um mudskipper se joga para a frente, fazendo “flexões” com suas nadadeiras peitorais, um tipo de locomoção chamadocrutching (termo relacionado ao ato de andar com a ajuda de muletas).[2] Quando doismudskippers macho disputam território, eles estufam seus peitorais e mantêm a boca aberta, dando cabeçadas nas laterais do adversário. Essa cena cômica foi divertidamente capturada na série de TV sobre vida selvagem chamada “Life”.[3] O mais dramático é que um mudskipper pode tentar atrair a atenção de um companheiro por meio de um salto impressionante para o ar, seguido de um pouso deselegante.

O pior pesadelo de um criacionista?

Um peixe que passa a maior parte da vida na terra do que na água e “anda” sobre suas nadadeiras peitorais é certamente uma raridade. Alguns evolucionistas já se utilizaram domudskipper como uma suposta evidência contra a criação bíblica. Em um conhecido site anticriacionista, um blogueiro alegremente respondeu a uma imagem de dois mudskippersindonésios com o comentário: “Oh, não! O pior pesadelo dos criacionistas: um peixe caminhando!”[4]

Um vídeo online também expressa isso como um grande “pesadelo dos criacionistas”.[5] Entre as razões dadas estão o método incomum de respiração dos mudskipper e seus olhos originais (no topo da cabeça). No entanto, o golpe de misericórdia, de acordo com certos evolucionistas, é que “as nadadeiras dianteiras já não podem mais ser chamadas de barbatanas: elas são, claramente, uma transição entre barbatanas e pernas mais complexas, para andar sobre a terra”. A conclusão triunfal alcançada? “Sabendo de tudo isso, como você pode sempre alegar que não existem espécies transitórias?”

Aceitando o desafio

Contrariamente a essas afirmações confiantes, esse peixe anfíbio fascinante e único não é, de forma alguma, um problema para aqueles que veem Gênesis 1-11 como um relato histórico literal. Periodicamente, a revista Creation tem confrontado noções evolucionistas sobre peixes estranhos e maravilhosos e animais como peixes, tais como o axolotl[6] e o brachionichthyidae,[7] semelhantemente mencionados como transições evolutivas ou atavismos. Então, o que dizer de mudskippers?

Suas nadadeiras peitorais robustas são distintas daquelas da maioria dos outros gobies, possuindo hipermobilidade articular devido à sua dupla articulação móvel. Os músculos das barbatanas também são incomuns, sendo divididos em seções que movem os raios superiores e inferiores da nadadeira independentemente.[8] Estudos têm demonstrado que os raios da nadadeira são parcialmente desfeitos quando se deslocam sobre a terra, mas estão posicionados para dar o máximo de apoio para o pé sobre a lama.[9] A anatomia e a implantação dessas barbatanas fornecem a força necessária, flexibilidade, controle e amplitude de movimento para o estilo de vida do mudskipper no lamaçal.

Modificação evolutiva lenta e gradual desses órgãos cruciais de movimento exigiria muitas mutações simultâneas para o acréscimo de informação ocorrendo apenas nos lugares certos e nos momentos certos – mutações que alterassem o sistema músculo-esquelético, a fiação dos nervos e, mais importante, o desenvolvimento embrionário das barbatanas. Em vez disso, uma extensa pesquisa sobre esses tipos de alterações genéticas complexas especificadas não forneceu nenhuma evidência de que essas alterações possam ocorrer, e muito menos em tais coincidências coordenadas, como seriam necessárias.[10] Além disso, cada mutação precisa fornecer uma vantagem distinta para os peixes, a fim de ser “fixada” pela seleção natural. A probabilidade de tudo isso ocorrer é muito pequena.

O peixe que pisca

Especializações de olhos em criaturas vivas são frequentemente reivindicadas para demonstrar a verdade da evolução, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Por exemplo, o peixe de superfície anableps (que possui olhos com o equivalente a lentes bifocais)[11] e o peixe de profundidade Dolichopteryx longipes (com seus olhos telescópicos que funcionam como espelhos para refletir flashes da luz bioluminescente de outros animais)[12] são ambos criaturas cujos desenhos de olho não podem ser explicados por apenas uma estória contada.

Mudskippers têm visão excelente ao redor,[13] que faz todo o sentido para uma criatura que poderia facilmente se tornar um saboroso lanche para os predadores, e atesta contra a suposta evolução lenta dessa funcionalidade ao longo de milhões de anos. Todas as espécies mudskipper têm olhos proeminentes posicionados em cima da cabeça, mais para frente do que na maioria dos outros peixes. Isso lhes dá visão estereoscópica limitada, permitindo a percepção de profundidade como em seres humanos. Músculos oculares externos formam um assento para os olhos do tipo de uma rede, permitindo-lhes ser levantados ou abaixados à vontade[14] e até mesmo ser completamente fechados no interior da pele cheia de líquido, quando necessário. Essa característica é essencial para manter os olhos úmidos, e os torna únicos como peixes que piscam.

A retina sensível à luz de cada olho é inclinada, de modo que está mais longe da lente em direção ao topo do olho.[15] Isso significa que pode focar objetos a diferentes distâncias com as partes superior e inferior do olho, um recurso útil para um peixe que está tanto dentro quanto fora da água.

Para qualquer uma dessas especializações complexas surgir por erros genéticos não guiados é improvável, para dizer o mínimo. Consideradas em conjunto, essas características de olhos do mudskipper representam uma solução de design brilhante para seu estilo de vida peculiar. Basta supor que olhos salientes, de alguma forma, evoluíram, mas os copos especiais hidratantes ainda tinham que aparecer e/ou a relação especial lente-retina ainda tinha que surgir. Peixe tentando fazer isso na terra, sem que conseguisse focar corretamente em objetos, e cujos olhos estavam sujeitos a ser danificados pelo ambiente seco, teria sido extremamente desfavorecido e menos apto para sobreviver.

Especialistas em respiração pela pele

Mudskippers não respiram através de brânquias, as quais são utilizadas em vez de excretar resíduos de produtos como amônia.[16] Em vez disso, a troca gasosa ocorre em toda a superfície de toda a pele, que deve ser mantida úmida para o propósito. Isso inclui a mucosa interna da boca e da garganta, que, como nossos próprios pulmões, são superfícies umedecidas revestidas com capilares sanguíneos. Mudskippers podem engolir bocados de ar através do alargamento da cavidade da garganta ao fechar uma válvula especial às brânquias. Enquanto estão na água eles são, de fato, menos eficientes na troca gasosa do que a maioria dos outros peixes, mantendo seu batimento cardíaco e o metabolismo geral a um nível reduzido para conservar oxigênio. Esse conjunto de características especiais para respiração do ar faz sentido em uma criatura que vive o estilo de vida do mudskipper. No entanto, é difícil contemplar como as forças cegas da evolução poderiam gradualmente ter mudado um peixe de respiração branquial (perfeitamente adaptado à vida em água) em uma boca e corpo de peixe anfíbio de respiração em superfície. Em cada um dos numerosos passos intermédios distantes de um peixe verdadeiro, desafios fisiológicos e anatômicos deixariam sua cabeça feia, tornando qualquer alegação de benefício de sobrevivência um pensamento ilusório.

Nada foi deixado ao acaso no projeto do mudskipper. Por exemplo, peixes em geral devem manter um revestimento muco viscoso como uma barreira contra diversos parasitas. Isso é muito mais importante para mudskippers devido ao fato de ele deslizar sobre a terra e através de suas tocas (ver mais informações abaixo). O muco dos mudskippers faz mais do que apenas lubrificar a pele, reduzindo o arrasto. Pesquisas recentes têm mostrado que ele também tem atividade antimicrobiana contra uma vasta gama de bactérias.[17] Isso inclui muitos que infectam os seres humanos, de modo que estudar esse muco pode beneficiar a humanidade.

Mudskippers atestam a criação

Mudskippers realmente são maravilhas dos mangues e alagados. Quer nos concentremos em seus olhos especiais, em sua respiração única ou reflitamos sobre sua divertida barbatana caminhante, esses peixes parecem ter uma combinação ideal de características para as criaturas que vivem na água e sobre a terra. Seus vários “desvios” da anatomia dos peixes normais mostram uma economia de design, com as partes complexas de cada sistema do corpo claramente especificadas (por instruções do DNA) e afinadas. Mudskippercertamente não é a razão para os criacionistas ter pesadelos! Aqueles que optarem por acreditar no contrário parecem ser voluntariamente ignorantes (2 Pedro 3:5).

Um pouco mais sobre o mudskipper

– Mais de 30 espécies de mudskippers existem (em cinco gêneros) e compõem a maior parte da subfamília Oxudercinae, classificadas na família Gobiidae (gobies). A especialização em mudskippers torna improvável que todos os gobies façam parte do mesmo tipo criado, no entanto.
– Mudskippers no gênero Periophthalmus fazem aquaristas gostar de alimentá-los com insetos, aranhas e outros alimentos vivos pela mão.[16]
– O tamanho médio de adultos depende das espécies, em média de 15 a 25 cm de comprimento.
– Mudskippers têm muitas especializações para a vida anfíbia. Por exemplo, em terra, eles escavam tocas em forma de J nas quais podem criar seus filhotes.
– A escavação de tocas envolve o carregamento com a boca cheia de lama macia, cuspindo-a para fora na superfície – um trabalho constante em uma zona intertidal (isto é, entre marés).[3]
– A lama e a toca aquática é muito pobre em oxigênio, então o ar de fora é engolido e liberado na parte interna da toca para arejar os ovos.[18]

Referências:
[1] Outros nomes são “kangaroo fish” e “johnny jumpers”.
[2] Pace CM, Gibb AC, Mudskipper pectoral fin kinematics in aquatic and terrestrial environments, J. Exp. Biol. 2009; 212(14):2279–2286.
[3] Episódio 4 “Fish, Série “Life” da BBC, Minutos: 17:10s-21:35s, apresentado por David Attenborough, no YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=03lFLBPkmf4
[4] Comentários em pandasthumb.org. Disponível em:http://pandasthumb.org/archives/2009/02/periophthalmus.html
[5] Acessado no Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4fJaxBT52u0
[6] O peixe axolotl pode transformar (em poucas semanas) seu estilo de vida aquático para terrestre, incluindo o encolhimento de suas brânquias e um aumento na função pulmonar.In: Dykes J. The Axolotl: The fish that walks? Creation 2005; 27(4):21–23. Disponível em:http://creation.com/the-axolotl-the-fish-that-walks
[7] May K. Rare Australian fish has fins like hands, Creation 2006; 28(3):28–29. Disponível em: http://creation.com/rare-australian-fish-has-fins-like-hands
[8] Ref. 2, p. 2279. Em outros gobies, estes músculos abdutores superficialis são músculos simples (não-divididos).
[9] Ref. 2, p. 2285.
[10] Sarfati J. Refuting Evolution 2. Powder Springs, GA: Creation Book Publishers, 2011, capítulo 5. Disponível em: http://creation.com/refuting-evolution-2-chapter-5-argument-some-mutations-are-beneficial
[11] Grigg R. The fish with ‘four eyes’ (Anableps). Creation 1995; 18(1):52. Disponível em:http://creation.com/the-fish-with-four-eyes-anableps
[12] Sarfati J. Four-eyed spookfish has mirror eyes. Creation 2009; 31(4):32–33. Disponível em: http://creation.com/four-eyed-spookfish-mirror-eyes
[13] Seus campos visuais abrangem quase 180 graus para cada olho!
[14] Schwab IR. Janus on the mudflats. British Journal of Ophthalmology 2003; 87(1): 13. Disponível em: http://bjo.bmj.com/content/87/1/13.full.pdf+html
[15] Ver site do pesquisador Gianluca Polgar. Seção: Ecophysiology. Vision and mechanoreception, 2013. Disponível em: http://www.mudskipper.it/VisMech.html
[16] Muitas das informações neste parágrafo é cortesia do pesquisador Gianluca Polgar. In: Polgar G. Mudskippers: an introduction for aquarists. Disponível em:http://www.wetwebmedia.com/ca/volume_7/volume_7_1/mudskippers.html
[17] Em muitos peixes, ação antibacteriana do seu muco é muito mais específico para uma determinada bactéria. In: Ravi V, Kesavan K, Sandhya S, Rajagopal S. Antibacterial activity of the mucus of mudskipper Boleophthalmus boddarti (Pallas, 1770) from Vellar Estuary.AES Bioflux 2010; 2(1):11–14. Disponível em:http://www.aes.bioflux.com.ro/docs/2010.2.11-14.pdf
[18] Lee HJ, Martinez CA, Hertzberg KJ, Hamilton AL, Graham JB. Burrow air phase maintenance and respiration by the mudskipper Scartelaos histophorus (Gobiidae: Oxudercinae). J. Exp. Biol. 2004; 208(1):169–177. Disponível em:http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15601887
[19] Bell P. Mudskippers—marvels of the mud-flats! Creation 2012; 34(2):48-50. Disponível em: http://creation.com/mudskipper


Fonte: Texto traduzido do original Bell [2012] por Everton Fernandes Alves, mestre em Ciências da Saúde pela UEM (seu e-book pode ser lido aqui) via Criacionismo.

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